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Seria a Liberdade (no quadro de Delacroix) na verdade a Informação?

Seria a Liberdade (no quadro de Delacroix) na verdade a Informação?

Diariamente eu leio alguns impropérios contra a #inclusaodigital no Twitter e me surpreendo. No geral as reações reclamando do ingresso das classes menos favorecidas ao mundo virtual é – me perdoem por falar – semelhante à postura da elite contrária à Revolução Francesa. É verdade, algumas barbaridades podem ocorrer (lembram-se do Terror Jacobino?) mas precisamos estimular este acesso à informação, que, infelizmente, no Brasil tem se dado mais pelos meios de comunicação do que pelos bancos escolares. Pelos meios mais indicados ou não, a informação pode (devia) educar e melhorar nossa realidade.

[Se acha que não tem sentido minha comparação, entenda que foi a popularização da imprensa – especialmente das publicações mais populares – que levou os franceses a uma mudança e a desestruturação de “um grande edifício construído por cinqüenta gerações, por mais de quinhentos anos, com fundações mais antigas e mais profundas nasobras da Igreja, estabelecidas durante mil e trezentos anos.”]

Na semana passada li no IDG Now! que o projeto Baixada Digital promete garantir que os moradores da Baixada Fluminense sejam beneficiados com rede sem fio gratuita – numa estimativa oficial de atendimetno a 1,7 milhões de cariocas nos municípios de São João de Meriti, Duque de Caxias, Belford Roxo, Nova Iguaçu, Mesquita e Nilópolis. O empecilho para que este projeto seja universalizado é o valor de 150 reais do kit de acesso (que contará com antena, acompanhada de mastro e suporte, adaptador USB para o computador e conectores específicos para os dois acessórios), instalado de maneira semelhante à antena de TV – mas, se o morador tiver notebook com suporte a redes sem fio e estiver a até 60 metros das antenas principais espalhadas pela região, não precisará comprar o kit. Eu lembrei de um dos projetos discutidos nas eleições municipais paulistas e que muita gente dizia ser inviável. O fato é que o governo carioca tem outros projetos semelhantes de acesso gratuito público, como o Orla Digital, que provê internet nas regiões das praias de Ipanema, Leblon e Copacabana, ou a rede aberta no morro de Santa Marta.

Na semana passada, em sua participação na Blogagem Coletiva da Inclusão Digital do Amigos do Planeta, @thanuci contou no Radar Verde do sucesso de uma das Cidades Digitais, Feira de Santana, na Bahia, que teve seu projeto Feira Cidade Digital premiado no TI & Governo 2009. Segundo Thanuci conta

“Com o projeto Feira Cidade Digital, Feira de Santana se tornou a primeira cidade do Norte e Nordeste do país a oferecer o serviço de Internet gratuita. E na esteira desta digitalização ajudou o projeto Saúde Digital, com a digitalização de todos os serviços de saúde da rede pública municipal. Como isso é sustentável? Já pensaram no quanto facilitar o trâmite legal junto ao governo reduz a emissão de gases e o efeito estufa, como a digitalização de serviços de saúde reduz o consumo desnecessário de papel, videoconfererência e gestão online otimizam tempo e recursos?”

O projeto  também oferece internet banda larga em alta velocidade, internet de baixo custo para população de baixa renda e internet disponível nos órgãos municipais, estaduais e federais, reunindo três setores, numa opção até agora pouco comum em iniciativas de Cidades Digitais. 😉 Creio que, enquanto o projeto One Laptop Per Child não vinga por aqui, esta é uma alternativa para que nossa população seja incluída como leitor e produtor de conteúdo, mas exigirá de todos nós uma força-tarefa para conscientização da importância de se escolher bem o conteúdo que veiculamos, difundimos, repercutimos e consumimos na internet. Você conhece outro destes projetos de Cidade Digital ou de inclusão digital que mereça destaque? Conte para nós, estamos na reta final de nossa Blogagem Coletiva da Inclusão Digital do Amigos do Planeta.

P. S. Na semana passada @charlesnisz participou da blogagem com uma abordagem inovadora: aproveitando duas datas de ativismo social – dia mundial da luta contra a AIDS e dia mundial de combate ao câncer – ele lembrou que não basta participarmos de campanhas no Facebook, Twitter e debater em foruns do Orkut sem uma ação prática.  Todos nós temos a obrigação de agir preventivamente em nossas vidas pessoais e cobrar a manutenção das políticas governamentais. 😉

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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