Adolescentes que vão a pé para a escola têm notas mais altas



Road Sign Walk to School 02

Nas últimas semanas discute-se tanto o direito de ir e vir nas grandes cidades, assim como o direito do passe livre para estudantes e outros avanços sociais que, em tese, tratam da apropriação das cidades por parte de seus cidadãos.

Curiosamente, cada dia menos pais deixam que seus filhos vão à escola por conta própria. Vans escolares são a alternativa adotada por quem pode, a companhia de parentes por quem não tem outro jeito, a carona do “paitorista” e da “mãetorista” se tornou um hábito indiscutível.

Eu fui uma criança com relativa autonomia para ir e vir da escola e por curtos períodos fui do transporte escolar. Primeiro porque morava numa cidade muito pequena onde tudo era perto e todos se conheciam. Depois mudamos para a capital do meu estado (Paraná) e, apesar de estudar longe de casa, uma linha de ônibus que circula nos bairros ligava os dois locais e em pouco tempo eu e minha irmã convencemos minha mãe de que poderíamos fazer o caminho sem ajuda. No Ensino Médio eu abandonei o ônibus e, com meus queridos fones de ouvido e movida a rock, caminhava 2 a 3 km com prazer até a escola, mantendo o mesmo padrão na faculdade.

Quando ingressou no Fundamental 2, meu filho mais velho conquistou esta liberdade também e tem sido muito bonito vê-lo ganhar o mundo com passos firmes e fortes.

Se você pensa em fazer isso com seus filhos e não se encorajou ainda, veja isso: um estudo realizado por universidades espanholas (de Granada, Zaragoza e Madri) mostra que os jovens entre 13 e 18 anos que caminham para chegar às escolas têm melhor rendimento cognitivo do que os adolescentes que fazem o mesmo trajeto de carro ou de ônibus. E quanto maior a caminhada, melhor o desempenho escolar.

Os dados foram levantados com a participação de 1.700 estudantes espanhóis, sendo 808 garotos e 892 meninas, que responderam a um questionário e realizaram testes de habilidades educativas, que também mediam a capacidade e a rapidez do raciocínio, domínio de linguagem e conhecimentos matemáticos. O estudo, batizado de Avena, foi divulgado no Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine, importante publicação norte-americana sobre saúde de crianças e adolescentes.

Parece básico, né? Mas tem um valor ainda maior que “botar a molecada para gastar energia acumulada”. Isso porque durante a adolescência a plasticidade do cérebro é muito maior que em qualquer outra parte da vida, o que faz desta fase a melhor para estimular a capacidade cognitiva. Ao mesmo tempo, vejam só, é justamente o período da vida em que há um declínio na quantidade de atividade física e o resultado é um grupo grande de adolescentes inativos aos quais faltam estímulos para o aprendizado e performance acadêmica.

Este não é o único estudo recente que comprova que há melhoria no desempenho dos alunos que realizam atividades físicas no caminho das escolas. Um estudo escandinavo mostrou que crianças que pedalam até chegar à aula têm a concentração mais aguçada.

Que tal, se animou?

No final das contas, dar um pouco de liberdade e autonomia pode ser o apoio que faltava para o seu filho mostrar todo o seu talento na escola. E ainda vai ajudar seu adolescente a ter uma rotina mais saudável, menos sedentária e mais feliz. 

:-)

dia de caminhar para escola Brasil - walk to school day

Se falta segurança e estrutura para “caminhar para escola”, que tal aproveitarmos estes movimentos sociais de 2013 para começarmos a mudar a situação nos nossos bairros? Sabem que existe um movimento internacional chamado “Walk to School” e que um dia no mês de outubro (logo no começo das aulas no hemisfério norte) é marcado por atividades para tratar do “Dia de caminhar para escola“? Vamos pensar num movimento assim para o Brasil?

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