Não conseguir levantar de cama de cólica não é piti para fugir das obrigações? Não, pode ser endometriose

“Endometriose, doença da mulher moderna, é controlável.
Distúrbio que se torna cada vez mais freqüente, está relacionado ao ciclo menstrual e ao sistema imunológico, embora sua causa não tenha sido suficientemente esclarecida. Atingindo os ovários, o peritônio, a bexiga ou o intestino, provoca cistos e nódulos que podem causar dores ou dificuldade para engravidar.”

Há alguns dias eu estive num evento diferente, uma conversa de médicos com a imprensa (especializada, mas não exatamente em medicina, e sim na mulher moderna) no Hospital Sírio Libanês. O tema era algo que as mulheres já ouviram falar, mas, pelo que aprendi ao longo da conversa com os especialistas (Dr. João Dias Junior e Dr. Maurício Abraão), é também um tema sobre o qual vale a pena se aprofundar: a Endometriose.

Sim, como você leitor ou leitora, eu já tinha ouvido falar da Endometriose, da importância do diagnóstico precoce e do tratamento correto. Minha mãe teve alguns problemas relacionados quando entrou na menopausa, motivo pelo qual aceitei o convite para o encontro. Mas, ao chegar lá e começar a ouvir, percebi que eu e muitas outras mulheres devemos saber mais sobre este e outros “problemas” femininos, num desvendar do nosso organismo que pode trazer mais qualidade de vida para todas nós.

Como lembrou @smiletic, que estava no evento comigo (ao receber o convite de imediato compartilhei com a lista de blogueiras do @mdemulher e por isso estive na companhia de @gemaria_ser e @ladyrasta também)

“É importante que a mulher realmente leva a sério seus sintomas e não aceite meias verdades – sei que é muito comum nos sentirmos intimidadas em um consultório médico, afinal, ele sabe mais do que a gente sobre doenças. Mas devemos lembrar que também é função dele nos esclarecer completamente, de maneira que não tenhamos dúvidas sobre o que temos, os tratamentos possíveis e as consequências de nossas opções.”

No encontro pudemos saber mais detalhes da endometriose:

– A doença é causada por fatores genéticos e existem pesquisas que relacionam seu surgimento a uma falha cromossomica que ocasionaria uma permissão do sistema imunológico para sua ocorrência, também é influenciada por fatores ambientais e psicológicos. Não há comprovação científica, mas os médicos acreditam que o stress da vida moderna pode agravar o problema. Estudos mostram que, quando o diagnóstico ocorre, a mulher já apresentava a doença há mais de sete anos.

– Impressionou toda a plateia saber que outro fator relacionado à vida moderna e um grande influenciador da gravidade da doença é o fato de que atualmente as mulheres menstruam quase que 400 vezes ao longo da vida, dez vezes mais do que acontecia até meados do século XX. E por que as nossas avós menstruavam só 40 vezes na vida? Porque elas “emendavam” gravidezes e períodos de aleitamento e raramente ficavam com o ventre ocioso!

– E como se faz o diagnóstico? O ideal é fazer exames clínicos (exame do médico mais diagnóstico laboratorial e exames de imagem, preferencialmente a ultrassonografia transvaginal) e, em casos graves, laparoscopia. Isso para quem é cliente de boas clínicas particulares, pois sabemos que os exames mais precisos estão longe do alcance da maior parte da população. É triste, mas é a verdade e, como no caso das mamografias para prevenção do câncer de mama, é importante que a população lute por este direito!

– Eu também reagi quando ouvi falar de laparoscopia. Mas aí os médicos explicaram algo que achei interessantíssimo: por conta da sua atuação ainda incipiente para tratar de forma universal suas cidadãs, o Brasil acabou se tornando pioneiro no diagnóstico sem a necessidade da laparoscopia – comum em outros países- e também é dos primeiros a tentar identificar marcadores para a doença e a usar o ultrassom transvaginal e ressonância magnética no diagnóstico. Mesmo assim, os médicos afirmam que, em casos severos, estes métodos não são tão efetivos quanto a laparoscopia.

E como saber se eu tenho sintomas de endometriose? Se tiver alguns dos seguintes sintomas, vale uma conversa com seu ginecologista: cólica menstrual severa, dor na relação sexual, sintomas intestinais durante a menstruação, dor para urinar durante a menstruação, dores entre as menstruações e infertilidade. E um comentário que a @gemaria_ser fez, referindo-se às leitoras de seu blog Sexo e Relacionamento: “não aceite a indicação de remédios que funcionaram para outras mulheres, é sempre importante lembrar que cada caso é um caso.”

Luana, a paciente, conversando conosco e compartilhando sua experiência.

E o tratamento>? Segundo contaram (uma paciente esteve lá para conversar conosco), acompanhamento clínico frequente e o uso de remédios e hormonios são alternativas, mas casos extremos exigem intervenção cirúrgica. A paciente que conhecemos, Luana, contou que apresentou os primeiros sintomas ainda na adolescência e já passou por cinco cirurgias. O caso dela é um extremo, tanto pela gravidade quanto pela intolerância ao tratamento com hormônios, o que faz com que a doença retorne após um ano da cirurgia, em média.

Então não conseguir levantar de cama de cólica não é piti nem firula para fugir das obrigações? Não! Quem tem endometriose tem justificativa para não trabalhar nos piores dias porque não tem condições de sair da cama no período menstrual por causa das dores, o que pode também afetá-las psicologicamente (bom lembrar que a depressão é comumente associada a doença).

E, novamente repetindo a @smiletic

“Justamente por se tratar de uma doença relativamente comum e de diagnóstico muitas vezes complicado é que é importante a realização de campanhas de esclarecimento: quanto mais gente souber de sua existência, sintomas e consequências, mais pessoas procurarão por médicos, o diganóstico acontecerá mais cedo e o tratamento mais efetivo.”

E para quem quer saber mais sob o ponto de vista da saúde da mulher, vale ler o post da Georgia no Sexo e Relacionamentos (ela enfoca a questão da infertilidade) e sobretudo conhecer o site Endometriose.net mantido pelo Dr. Maurício Simões Abraão.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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