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“O que é realmente surpreendente é que muitas pessoas desaprovam esse comportamento, mas as pessoas ainda estão fazendo isso.
Por que você xingaria online, mas nunca na cara da pessoa?”
Joseph Grenny

Nesta manhã li três notícias super específicas de mídia social e que, apesar disso, afetam um pouco a forma como todos nos comportamos no cotidiano.

A mais geral é sobre a decisão de alguns sites de notícias de retirar os links das atualizações de publicações no Facebook. Não sei como vocês são com suas leituras, mas eu me atualizo muito sobre o mundo acompanhando os perfis de jornais, revistas e TV no Facebook e no Google+ – e tenho até uma lista pública do que sigo, que pode ser acessada aqui. Com esta lista eu “poupo” tempo, vejo tudo de uma vez, sem precisar entrar em site por site.

Perguntei para meus amigos de lá se tirar os links não fará com que a gente leia no site ou mude de jornal/revista/portal? A maioria esmagadora concordou comigo.

“Especula-se que a decisão foi tomada porque o Facebook “rouba” audiência de suas plataformas online. Segundo o site M&M, estudo feito pelo grupo descobriu que os internautas têm usado a rede social como leitor RSS de notícias e acabam não visitando as páginas para consumir o conteúdo na íntegra.”

(Prestem atenção ao leitor de rss que relembra o caso do Google Reader, em processo de extinção, mas que ainda é citado como uma referência.)

A questão é: ainda vivemos num tempo em que o valor agregado está na visita ao site ou a posição de influcienciador do portal/perfil já se sobrepõe a isso? A gente gosta das notícias de determinado portal porque confia no que ele diz ou porque ele tem muitas visitas ou seguidores?

Isso me leva à outra notícia, que dizia respeito aos perfis falsos nas redes sociais, em especial no Twitter, criados apenas para gerar número, aumentando a quantidade de seguidores e de multiplicadores de conteúdo. Não são nada novos para mim, nem o “robô” que faz o seguidor falso seguir quem se deseja, nem o que “retuita” (republica) automaticamente determinadas mensagens. Mas saber que uma celebridade ganhou da outra o título de figura com mais seguidores no mundo usando 50% de perfis fakes, isso sim todo mundo com a pulga atrás da orelha.

Você sabe detectar quando um perfil não é real? Tem um truque: segundo a Socialbakers (empresa que analisa mídias sociais), são “aqueles que repetem frases de spam; seguem menos de 50 pessoas; não têm seguidores; nunca publicaram um tweet; ou que mais de 90% dos tweets são retweets“. (Eu costumo “aportuguesar” tuites, retuites e etc)

No que isso influencia minha vida? Ora, deixamos de ser manipulados quando sabemos como os nossos influenciadores são cotados como “grandes” nas redes sociais, não é mesmo? Olhamos perfis de gente conhecida ou importante e podemos concluir se o valor da opinião deles é mesmo tudo aquilo.

Mas e os amigos, aquelas pessoas que realmente conhecemos e com quem trocamos ideias pelo Facebook? Como temos nos relacionado com eles?

Uma pesquisa divulgada recentemente mostra que a coisa pode estar ruim com estes também, mas por outros motivos.

“Desrespeito e insultos online estão acabando com amizades, à medida que as pessoas estão ficando mais rudes nas mídias sociais, indicando que dois em cada cinco usuários cortaram relações após uma briga virtual.”

Achamos os amigos de longa data nas redes sociais, nos reconectamos aos ex-colegas e parentes, mas não estamos mais felizes pois as saias-justas viram rompimentos online que se concretizam na vida offline. Uma em cada cinco pessoas reduziu seu contato pessoal com alguém que conhece na vida real depois de uma briga pela internet. Segundo uma pesquisa divulgada pela agência Reuters, acompanhando o crescimento do  uso das mídias sociais aumenta também a falta de civilidade. Os dados divulgados mostram que 78% de 2.698 pessoas entrevistadas reclamam do aumento das grosserias na internet e a explicação seria que “as pessoas não hesitam em ser menos educadas online do que ao vivo“.

Segundo o escritor e especialista no tema, Joseph Grenny, da VitalSmarts, empresa que conduziu a pesquisa, as brigas online muitas vezes se tornam brigas na vida real, com 19% das pessoas bloqueando ou cancelando amizades com alguém por causa de uma discussão virtual. Ele alerta para as consequências disso.

As pessoas parecem ser conscientes de que este tipo de conversa importante não deve acontecer nas mídias sociais, mas, apesar disso, também parecem ter o impulso de resolver as emoções de forma imediata e através deste tipo de canal.

E a fala me fez lembrar da imagem abaixo, que postei em 2012 por aqui:

“Não diga nada online que você não fosse colocar em um enorme outdoor com a foto do seu rosto ilustrando.”
Erin Bury (@erinbury), editora da Betakit e da publicação canadense sobre marketing 30 Under 30.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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