Você sabe como o comprimido atua no organismo?

Lembro até hoje de quando eu cheguei na “idade do comprimido” e pude deixar de lado os remédios de gosto duvidoso que tomava quando era criança. Foi uma libertação.

Sei que parece bobo, mas foi significativo.

Da mesma forma, lembro da frustração que senti na primeira vez que fui ao médico no Japão e descobri que eles nua dão comprimidos, fazem as fórmulas no próprio consultório e nos mandam para casa com saquinhos de pó (sério!) com as doses certas. O gosto daquilo, gente, vocês não avaliam!

Só tendo ficado sem essa praticidade pra gente dar valor.

Os comprimidos garantem facilidade no uso e podem até ajudar a mascarar o eventual sabor ou aparência desagradável da medicação, que prejudicaria a aceitação do paciente ao tratamento.

De cores, formatos e tamanhos diferentes, os comprimidos, drágeas e cápsulas disponíveis nas farmácias têm em comum a função de carregar os princípios ativos dos medicamentos em doses precisas.

Além do ingrediente ativo, responsável pela ação farmacológica do medicamento, os comprimidos levam em sua composição os excipientes: substâncias inertes com funções variadas, como desintegrantes e solubilizantes.

Desde o momento em que é engolido, até a absorção do princípio ativo, os comprimidos percorrem o seguinte caminho:

  1. Boca e garganta: o comprimido passa pelo esôfago sem dificuldade
  2. Trato gastrointestinal: o comprimido se desintegra, o ingrediente ativo é liberado na corrente sanguínea.
  3. Fígado: metaboliza o princípio ativo.
  4. Coração: o coração bombeia o sangue com o ingrediente ativo para circular pelo corpo.

Em sua composição, os medicamentos precisam de excipientes farmacêuticos, que não têm efeito curativo, mas são essenciais para levar o princípio ativo ao organismo, cumprindo com diversas funções, de acordo com a necessidade de cada fármaco. O excipiente pode torná-lo mais fácil de engolir, servir como desintegrante, permitindo a liberação rápida dos ativos, ou capaz de resistir ao suco gástrico para ser absorvido no intestino, melhorar sabor e aparência, enfim, têm inúmeras funções de acordo com a necessidade de cada medicamento.

Quer entender melhor? O Bem Estar tratou do tema duas vezes:

Comprimidos revestidos são feitos para liberar as substâncias no intestino

Entenda como os remédios são absorvidos pelo corpo humano

 

Lá eu entendi melhor os diversos tipos de apresentações dos medicamentos, cada uma com um efeito e objetivo:

  • remédios de efeito rápido, que são os injetáveis, inaláveis ou comprimidos que dissolvem debaixo da língua. Eles podem ter o efeito praticamente igual ao de uma injeção e, por isso, são indicadas para tratar problemas agudos, que precisam de solução imediata. É o caso da insulina injetável, usada por diabéticos, ou dos comprimidos que dilatam as veias e resolvem problemas cardíacos.
  • medicamentos agradáveis, como xaropes, em gotas ou mastigáveis. A indústria criou esses remédios com cor, cheiro e sabor para facilitar que eles fossem ingeridos, principalmente, por crianças e idosos. Por exemplo, os xaropes contra gripe, as vacinas em gotas e os suplementos para anemia de ferro mastigáveis são feitos dessa maneira.
  • remédios blindados são aqueles remédios em pó ou em gel que vêm dentro de cápsulas. Essa “proteção” é especialmente projetada para que esses medicamentos não se desfaçam antes de chegar ao órgão alvo – geralmente, o estômago ou intestino. No entanto, alguns são feitos assim porque seu conteúdo pode prejudicar a boca e as mucosas da garganta. Os remédios para digestão, gripe ou até mesmo laxantes são desse grupo porque só se dissolvem no intestino.
  • remédios de efeito local, como pomadas, cremes, emplastos e sprays. Geralmente indicados para problemas de ordem muscular ou de pele, eles são usados quando não há necessidade de espalhar a substância para todo o corpo. É o caso, por exemplo, dos emplastos de dor muscular, pomadas para herpes ou sprays antissépticos, usados em machucados.

Com qual líquido eu posso tomar?

Claro que tem um jeito certo e seguro de ingerir os medicamentos.

  • tomar comprimidos com leite não é recomendável porque o pH relativamente alto da bebida pode diluir prematuramente o medicamento e até diminuir a absorção desses pelo organismo.
  • bebidas alcoólicas também não é recomendável pois a junção de álcool e remédio pode intensificar o efeito dos dois, o que pode ser perigoso para a saúde.
  • em relação aos alimentos, é importante ler a bula e prestar atenção na orientação do médico porque cada caso é um caso. Em algumas situações, por exemplo, se ingerido junto com a comida, o medicamento pode ter sua absorção reduzida de 30% a 40% ou até mesmo ser inativado. Por isso, é fundamental seguir as recomendações de uso, especialmente em relação ao período indicado – não é recomendável suspender o remédio caso os sintomas comecem a desaparecer, o ideal é que ele seja tomado até o fim da prescrição médica.

 

*Imagem e informações técnicas de Fernanda Furlan, BASF, e do G1.
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.