Você lê a editoria internacional de notícias?

Comecei a prestar atenção na editoria internacional de notícias quando estava na faculdade. Os conflitos em Ruanda me assustavam nas notas do jornal diário, mas fui me habituando a acompanhar o andamento das questões que, num universo maior e, ao mesmo tempo, mais particular, afetavam os rumos do mundo. Com um pouco de tempo acompanhando, juntando a isso meu interesse por história e sociologia e os estudos para o vestibular de jornalismo (na época a única prova dissertativa da UFPR era História), notava facilmente que só obtinha atenção internacional o conflito que acontecia em regiões com interesse econômico valioso. O demais, como as diferenças étnicas em Ruanda que resultaram num massacre vergonhoso no meio da década de 1990, demorava a obter atenção internacional real.

Foi no trabalho na assessoria de imprensa do Procon que passei a ler outros jornais, mais focados em economia. Lá confirmei esta visão, que se reforçou muito quando passei a acompanhar notícias internacionais dos jornais japoneses quando trabalhei para o semanário brasileiro em Tokyo. Descobri o mundo asiático, o paiol de pólvora que fica na região da Caxemira (não me surpreendi nada quando soube que Osama estava no Paquistão) e o pretenso protecionismo com alguns países do Oriente.

Se como repórter iniciante eu era escalada para cobrir desocupações de comunidades irregulares na Grande Curitiba ou eventos públicos obrigatórios de interesse dos políticos ligados ao jornal, quando passei a ser da equipe interna do jornal no Japão eu acompanhava a negociação milionária de Ana Maria da Record para Globo ao mesmo tempo em que noticiava as atrocidades cometidas na antiga Iugoslávia. Ao voltar para o Brasil estava mudada de modo indelével não apenas como cidadã, mas como espectadora do mundo e continuei a acompanhar o noticiário internacional com grande interesse.

Convido você, leitor, a fazer o mesmo exercício diário, passe os olhos também na sessão internacional do seu jornal ou portal de notícias e comece a ver como as notícias veiculadas lá costumam repercutir no seu cotidiano, desde o preço dos produtos que compra, até os juros que paga, passando pela inovação tecnológica e científica, mudando de forma silenciosa nossas vidas.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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