Dica de #cinemaemcasa: Você desapareceu

Um dos filmes do #cinemaemcasa do nosso feriado foi o dinamarquês “Você desapareceu” (Du forsvinder).

Escolhido para representar a Dinamarca no Oscar 2018 e selecionado para o Festival de Toronto, o drama de Peter Schønau Fog, narra a reviravolta que a vida de Mia (Trine Dyrholm) sofre quando seu marido (Nikolaj Lie Kaas) é acusado de desvio de fundos da escola em que dirige.

Diagnosticado com um tumor cerebral, sua defesa é que a doença pode ter alterado o seu comportamento e que ele não é responsável pelos seus atos.

A partir das dúvidas e da ansiedade contidas em momentos que antecedem e sucedem a descoberta do tumor, surgem uma série de questionamentos sobre a existência humana e livre arbítrio.

Claro que comecei me colocando no lugar da esposa. A cena inicial é forte, emocionante, faz a leoa-mãe que vive em cada uma de nós acordar. E o título, você desapareceu, é facilmente entendido de forma dúbia quando se trata de um casamento longo com filho. No meio das obrigações, das responsabilidades, das escolhas pelo trabalho e pela vida social, a gente se perde, some, muda de um jeito que parece até mentiroso. Mia traz essa identificação para quem vê o filme.

Na sequência, me apiedei (essa é a palavra, mesmo!) do filho, que dureza ter tudo sobre seus ombros e ninguém para dividir. Uma coisa que me surpreende em filmes de outros países é ver como as pessoas são solitárias, raramente há família (avós, tios, irmãos) para dar suporte. E eu fui a filha desta idade que viu o casamento dos pais ruir…

E o pai? Puxa vida. O cara não fala quase nada, não se defende, não ajuda, mas é nos silêncios dele e nas falas da esposa que a gente começa a antever a realidade da família.

É um filme que usa e abusa da empatia, pois até do advogado (Michael Nyqvist) traz este sentimento, essa identidade, essa compreensão incompreendida. Demorei para entender de onde o conhecia: o ator sueco é conhecido por ter interpretado Mikael Blomkvist na versão sueca da trilogia Millennium, de Stieg Larsson, além de outros filmes de ação, como John Wick (como Viggo Tarasov) e Mission: Impossible – Ghost Protocol (como Kurt Hendricks). Entenderam? Ele não era (o ator faleceu em 2017) daquelas caras super confiáveis à primeira vista. Mas o roteiro constroi as coisas de modo que a gente vai olhando de vários ângulos, sem ficar chato, e acaba se colocando no lugar do personagem, sem ficar no “preto no branco”, no “certo ou errado”.

Me fez pensar m-u-i-t-o! E é daqueles filmes nos quais a gente começa pensando que decifrou a história e nos 45 do segundo tempo redefine tudo na cabeça! Gostei e recomendo!

Ah, para decidir se vê ou não: o filme é um drama de tribunal – e nisso me lembrou Versões de um crime, filme que chegou à Netflix – mas também traça os caminhos que o nosso pensamento e desejos podem tomar por conta de desvios de personalidade provocados por doenças.

Assisti na AppleTV, mas além da iTunes (R$ 7,90), está disponível no Now (R$ 9,90) e Google / Youtube (R$ 9,90). 

P.S. Li num blog que o livro de Christian Jungersen, no qual o longa se baseou, faz um questionamento cientifico baseado em neurociência. Nem preciso comentar que fiquei curiosa para ler, né?

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.