TIC’s na prática: entrevista para o blog do Instituto Claro

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(Crédito da foto: Flávia Valsani)

Estou com Enzo e Giorgio fechando a semana do especial Dia das Mães no blog do Instituto Claro, falando um pouco da relação da nossa família com as tecnologias.

A primeira pergunta sinaliza o que consta da entrevista e deixo aqui como um convite para conhecer as respostas de vocês sobre o tema:

“Você acredita que a tecnologia ajuda no desenvolvimento dos seus filhos? Como?”

Leia a entrevista completa no link ou leia abaixo:

Você acredita que a tecnologia ajuda no desenvolvimento dos seus filhos? Como?

Acredito que em cada época ou local tem uma forma de promover a comunicação e a troca cultural entre as pessoas. Este é o jeito de aprender, ensinar, aprimorar conhecimento: trocar, conversar, experimentar e mostrar o que se descobriu. Na época dos meus filhos mais velhos, nascidos em 2000 e 2002, esta troca acontece na internet e, nos últimos anos, nas redes sociais. É nelas que eles conversam com amigos, fazem trabalhos em equipe editando arquivos coletivamente na nuvem, e aprimoram habilidades como trabalho em equipe e estratégias para alcançarem objetivos comuns em atividades como jogar em rede.

Mas eu já fui muito resistente com o uso de tecnologia. Deixava e segurava, limitava muito os horários (até de TV) enquanto eles eram pequenos, na primeira infância. Depois fomos liberando aos poucos e agora que ambos estão no Fundamental 2 (antigo ginásio), com maturidade para um mínimo de autogestão do tempo, podem usar seus computadores, tablets, smartphones com certa liberdade.

E fazem bom uso. Giorgio, de 10 anos, tem um vlog chamado “Ler faz bem” no qual grava vídeos indicando (ou criticando) livros infanto-juvenis. Da experiência do vlog de literatura, que nasceu em 2011, ele agora começou a gravar vídeos sobre passeios, o “Passear faz bem” e dos jogos, gravando com amigos usando skype e outras ferramentas. Ele mesmo tem editado os vídeos (no iMovie para Mac ou iPad) e depois posta em seu canal no youTube. A brincadeira faz dele um cara com mais experiência na produção de vídeo que muito calouro de faculdade. (risos)

Arquivo pessoal

Enzo e Giorgio

Meu filho mais velho, Enzo, de 13 anos, gosta da parte gráfica de fato, do design. No Minecraft (que atualmente é o jogo favorito), ele cria novas skins para os detalhes do jogo de construção/mineração e depois torna-as públicas, permitindo que outros jogadores do mundo todo possam usar suas criações. Por ser um jogo beta, no qual os jogadores podem criar, o Minecraft é uma experiência muito rica. A surpresa é saber que o jogo tão novo (lançado oficialmente em 2011) já tem mais de 40 milhões de usuário e foi adotado por quase mil escolas do mundo e é base para projetos sociais. Até 2016 a ONU pretende revitalizar mais de 300 espaços urbanos no mundo com a ajuda do jogo, no projeto Bloco por Bloco, coordenado pelo escritório da ONU para desenvolvimento urbano e ambiental, Habitat. O objetivo é envolver jovens na recuperação de áreas abandonadas, recriando os locais são recriados dentro do game e convidando os jogadores a modificá-los virtualmente para ver como o espaço ficaria.

Leia mais sobre a relação de Giorgio e Enzo com o game: www.avidaquer.com.br/minecraftedu/

Por que você acha importante que eles escrevam na web?

Criamos um blog para cada um quando o meu A Vida Como A Vida Quer nasceu, em 2005, quando mudamos de Curitiba para São Paulo. Deixamos lá todos os tios e avós e os meninos ganharam blogs (na época privados) para postarmos os desenhos, montagens de lego e outras artes deles para os familiares poderem curtir à distância. Dali começou a surgir neles o hábito de comunicar suas criações. No meu canal do youtube tem vídeos do pequeno começando a ler, contando histórias com seus bonecos e outras coisas que hoje vejo que se tornaram formas de manifestação deles.

A escrita foi natural. Quando começaram a escrever, eles quiseram contar em textos curtos coisas do cotidiano, num diário virtual infantil e os blogs das artes viraram novos espaços. E em janeiro de 2010 a gente estava numa Campus Party, logo depois de sermos entrevistados pela TV Cultura sobre este uso de tecnologia, quando os meninos pediram para ter um blog “ponto com ponto br”. Queriam uma coisa mais profissional, pois tinham acabado de ir ao lançamento de livros publicados sobre blogs de amigos nossos e acharam que aquilo era muito bom! Criamos o www.verparacrescer.com.br lá mesmo e reunimos inicialmente filhos de blogueiros amigos nossos, num grupo que muda, mas continua caminhando por lá nestes anos.

A experiência de escrever lá trouxe para eles uma nova forma de treinar a escrita (eu leio depois de publicado e dou uns toques sobre o texto, etc) e de se responsabilizar. Quando eles são convidados para algum lançamento, workshop ou evento da idade deles para representarem o blog eles experimentam, de brincadeira, o compromisso de reunir informações, averiguar, perguntar, fotografar e depois contar de forma estimulante o que viram. Acho importante ter estas habilidades em qualquer profissão, não é mesmo?

A estreia na Campus Party: http://verparacrescer.com.br/e-a-estreia-foi-na-campus-party/

E na escola, eles têm alguma atividade com tecnologias?

Sim, eles tiveram no Fundamental 1 uma professora muito entusiasmada com novas tecnologias, a Claudia Esposito. Ela aproveita o interesse das crianças pelas redes sociais para mostrar alternativas criativas e tem sido bem sucedida e vanguardista. Por exemplo: quando o Tumblr chegou oficialmente ao Brasil, em 2012, pude contar para os embaixadores que meu filho já tinha tido “aulas de tumblr” na escola e usava muito bem a ferramenta. E não é só aprender a postar. Como o tumblr aceita gifs, a professora ensinou-os a criar gifs animados para incrementar o trabalho.

E é preciso apoiar. Anualmente, a convite da professora, eu palestro na classe do quinto ano (antiga quarta série) quando eles estão aprendendo sobre blogs para falar sobre o universo profissional dos produtores independentes de conteúdo e animá-los a ir além!

Leia mais sobre esta relação entre educação e tecnologia em: http://www.avidaquer.com.br/ensinar-e-muito-mais-que-passar-conteudo-e-uma-experiencia-rica-de-formacao-de-comunidade/

Você faz alguma mediação do uso das tecnologias? Seja por tempo, ou restrições do que fazer online…

Quando eles eram bem pequenos, antes de 7 anos, era meia hora de jogos educativos (sem internet) algumas vezes na semana e só. Depois passamos a deixar mais um pouco de tempo na internet (sempre com nossa presença), mas, mesmo com notebooks próprios (o mais novo ganhou um da avó com apenas 5 anos) e rede wi-fi em casa, eles guardavam o equipamento no armário e só usavam com autorização e em dias sem aula. Este papo dos dias sem aula era meu limite: acredito que ou brinca ou fica no computador e brincar (ou fazer nada!) é muito importante para mim numa infância feliz e saudável.

Mas aí chegamos à pré-adolescência, ao Fundamental 2 e às salas virtuais dos professores. A necessidade de conexão deles me fez abrir a guarda e hoje eles podem usar o computador ou tablet todo dia para auxiliar nas lições escolares e na vida social. Mas ainda fico como “bedel” olhando o relógio e marcando horário para não ficar desgovernado demais e temos uma regra de que a partir das 21h não tem telinhas para podermos descansar o cérebro e ter um sono bom. O difícil é que eles acabam cobrando o mesmo de nós e, por exemplo, eu me comprometi a não usar o computador (embora use o iPad, por exemplo) nos finais de semana para compensar as horas que uso no trabalho durante a semana. É uma troca, afinal, se digo que faz mal para eles, é justo que se preocupem com a saúde dos pais!

Pais conectados, filhos protegidos: http://www.avidaquer.com.br/nossa-e-familia-no-g1-pais-conectados-filhos-protegidos/

 

 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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