Viva sua vida antes de iniciar outra

No sábado ouvi boa parte de uma entrevista que Carla Gallo, diretora do filme O aborto dos outros, concedia na rádio ao vivo, respondendo a dúvidas de ouvintes sobre o tema árduo de que trata. Pensei bastante em tudo que ouvi. Eis que agora recebi um release contando que Sandra Werneck, diretora de outro documentário sobre o tema (As meninas, de 2005), será entrevistada num webchat pelo psiquiatra especializado em sexualidade e comportamento na adolescência Jairo Bouer em seu espaço no UOL. Será no dia 22/09 às 19h neste link. Os organizadores prometem conversar sobre prevenção da gravidez na adolescência, impacto e riscos que uma gestação não planejada pode trazer aos jovens.

O bate-papo faz parte da campanha “Sua Vida, Sua Decisão” (que me lembra Your body, your choice), criada para o Dia Mundial da Prevenção da Gravidez na Adolescência 2008, que será realizada em mais de 70 países visa chamar a atenção dos adolescentes para a importância do planejamento familiar, aumentando o conhecimento sobre os métodos contraceptivos, além de sensibilizar os jovens para a tomada de decisões de forma consciente e segura. A cada ano, a campanha enfoca um tópico diferente da saúde reprodutiva, sob o título global “Sua Vida”. Em 2007, o tema da campanha foi “Viva sua vida antes de iniciar outra”. Enfim, para se escolher (decidir algo) é preciso ter conhecimento e vivência, coisa que algumas jovens não conseguem alcançar antes de se tornar mães.

Apesar de o aborto da gravidez indesejada e aborto não serem “privilégios” das mais jovens, o Brasil ainda registra altas taxas de gestações na adolescência. Números da assessoria dão conta de que pelo menos uma em cada quatro mulheres que dão à luz no Brasil tem menos de 19 anos e no mundo 220 mil mulheres engravidam sem planejamento. Segundo a outra diretora do documentário que acompanha a história real de adolescentes, Gisela Câmara, no Brasil 24% das gravidezes anuais são de adolescentes até 19 anos. Os casos de mães entre 10 e 14 anos, às quais o documentário As Meninas foi dedicado, perfazem 0,8% das gestações no país. Em termos relativos pode não ser muito, mas em termos absolutos é explosivo.

Como já falei no texto Quem aborta no Brasil?, independente da sua postura será contra ou a favor o aborto, é importante (vital, sem querer mas já fazendo um trocadilho infame) que as mulheres de todas as idades sejam bem informadas para viver sua sexualidade com saúde física e psicológica.

Sandra Werneck e uma das meninas do filme. (divulgação)

P.S. Sandra Werneck é autora dos documentários premiados “Geléia Geral” e “Boca” (1994) e diretora das comédias “Pequeno Dicionário Amoroso” (1997) e “Amores Possíveis” (2001) – dois filmes dos quais gostei muito. Como nas comédias, vejo no tema do documentário uma busca por compreender a realidade dos relacionamentos afetivos e os motivos para que tomemos decisões – com a de ter ou não filhos, casar ou não, denter tantos outros dilemas atuais que até pouco tempo eram imposições para quem deixava de ser criança.

Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.