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[TW Violência contra a mulher]

Ontem falamos do filme O silêncio do Céu que gira em torno de um estupro e as consequências numa família.

E hoje a Folha de São Paulo apresentou uma pesquisa inédita em que 30% dos entrevistados acreditam que a mulher é culpada no caso de estupro.

Até dei uma olhada no site do IBGE pra ver o que isso significa em valores absolutos, isso quer dizer que (estatisticamente falando) quase 70 milhões de brasileiros acredita que uma mulher é o agente provocador do estupro!

Entre os homens, o pensamento ainda é mais comum: 42% deles dizem que mulheres que se dão ao respeito não são estupradas.

A culpabilização da vítima também acontece entre as mulheres, que são as que mais sofrem com o crime: 32% concordam com a afirmação.

Para 30% dos homens, a mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada.

O levantamento apontou que 65% dos brasileiros temem sofrer algum tipo de violência sexual. O temor é muito maior entre as mulheres e é sentido por 85% delas. O medo de ser estuprada também varia conforme a região do Brasil. No Nordeste, por exemplo, o índice de mulheres que receiam ser vítimas do crime chega a 90%. No Sul do país, é de 78%

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A cultura do estupro é algo invisível mas presente na sociedade. Essa pesquisa mostrou a face mais triste da violência contra a mulher, pois quem acredita que a mulher é culpada, é a mesma pessoa que transforma a agressão em piada, que põe mulher de biquíni pra ser cenário de programa de TV, que romantiza relacionamento abusivo e violências em novela, filme, série e na vida real.

Lendo essa pesquisa é impossível não relacionar com a culpabilização da vítima que acontece quando ao ouvir um caso de estupro as pessoas se perguntam o que ela vestia, onde estava, se havia ingerido álcool ou drogas, quantos parceiros ela teve e tudo que nós sabemos que não justifica ter o corpo violado. A culpabilização da vítima acontece quando uma mulher vai a delegacia e passa pela humilhação de contar em detalhes a agressão, pois além de reviver o trauma, seu relato é posto em dúvida, que ela será julgada pela roupa, pela vida sexual e pelo o direito de ir e vir.

O que a matéria não fala, mas sabemos que muitas mulheres são atacadas indo ou voltando do trabalho e estudos e até mesmo dentro de casa, então é lamentável que uma parcela tão expressiva da nossa sociedade acredite que a mulher é culpada.

Nós continuaremos falando quantas vezes for necessário, A culpa não é da vítima! 

Mais empatia e respeito por favor!

 

 

 

 

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Christina Santos

Christina Santos, química, com especialidade em pesquisa e desenvolvimento de cosméticos, adora gatos e pipoca e tem grande interesse em meio ambiente, e sustentabilidade corporativa.

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