bem estar / destaque

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Quando ouvi falar do livro Vitamina D — Como um tratamento tão simples pode reverter doenças tão importantes (Editora Fundamento), parecia que era para mim.

Sofri 3 décadas sem saber que tinha intolerância à lactose e que ela me fazia sofrer com alergias (e ter muita dor no fígado que levava a enxaquecas) ou evitar alimentos (o que me enfraquecia muito). Ao mesmo tempo, morando no Sul, eu tomava pouco sol na maior parte do ano, o que deveria piorar muito minha saúde conhecida na família como precária.

Meu caso não era de negligência dos pais ou dos médicos que me acompanhavam. Sempre tive plano de saúde e desde cedo ia a vários especialistas, mas ninguém fez notou que o problema poderia ser este.

🙁

Não raro, a ciência e a medicina nos confundem.

E meu caso com a intolerância à lactose e a necessidade de reposição de cálcio não é tão raro.

A vitamina D, por exemplo, produzida pelo organismo, principalmente, a partir da exposição à luz solar, tem sido negligenciada há décadas por conta do medo do câncer de pele.

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O problema, como explica Michael Holick, o autor do livro que citei no início, é que, para que o corpo a produza, é preciso tomar sol entre 10h e 15h, período completamente diferente daquele considerado seguro. O horário do dia faz diferença, pois o sol muda de ângulo. É muito difícil produzir vitamina D nas primeiras horas da manhã ou no fim da tarde, mesmo durante o verão.

“Como tudo na vida, moderação é o caminho. Então, o ideal é tirar vantagem da exposição solar e usar protetor para não ter queimaduras nem aumentar o risco de desenvolver câncer de pele.”

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A questão é que a vida urbana, enclausurada em escolas ou escritórios à prova de luz natural, nos afasta do sol e pouca gente sabe que psoríase, doenças cardíacas e autoimunes, depressão, insônia, artrite, fibromialgia, autismo, diabetes e outras enfermidades podem ser prevenidas com a vitamina D. Mas, para isso, é preciso tomar sol.

“A vitamina D pode reduzir o risco de muitas doenças ao longo da vida. Tomar sol faz as pessoas se sentirem melhores e deixa os ossos fortes, prevenindo fraturas no futuro.”

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Deu vontade de saber mais? Leia a entrevista que reproduzo abaixo:

A maioria das pessoas pensa que a vitamina D é importante apenas para ajudar o corpo a absorver o cálcio. Quais seriam os outros benefícios?
Para a vitamina D funcionar, ela tem que interagir com um receptor, que existe no intestino, nos ossos e também no cérebro, no coração, nos pulmões. Basicamente, todos os tecidos e células do corpo têm o receptor para vitamina D, incluindo as células imunológicas. Então, não é uma surpresa que ela tenha outros benefícios importantes para a saúde. Sabemos que a maioria das grávidas apresentam uma deficiência de vitamina D, então têm maiores riscos de pré-eclâmpsia (doença no qual a gestante desenvolve hipertensão). Também é mais provável que elas precisem de uma cesariana, pois a vitamina D é muito importante para o funcionamento dos músculos. Há evidências de que, se recém-nascidos tivessem quantidades adequadas da vitamina, isso poderia diminuir em quase 88% o risco de eles desenvolverem diabetes tipo 1 em idades mais avançadas. Estudos associam a deficiência dela à esclerose múltipla e a outras doenças crônicas. Há boas evidências de que reduza o risco de infecções, tanto em adultos quanto em crianças, além do risco de cânceres sérios, como de próstata, de mama e de outros tipos. Como o cérebro é um receptor de vitamina D, as pessoas se sentem bem quando expostas à luz do sol. Há também evidências de que algumas disfunções neurológicas, como esquizofrenia e depressão, têm sido associadas com a deficiência dessa vitamina.

Por que a recomendação é que se tome sol principalmente nos braços e nas pernas?
A razão se baseia na “regra dos nove”: 18% do seu corpo está dividido entre seus dois braços; 36% nas suas pernas; 18% na sua barriga tórax; 18% nas suas costas; apenas 9% no seu rosto e 1% no resto. Seu rosto é a parte mais exposta ao sol e não há razão para expô-lo ainda mais, além de ser a área mais propensa a desenvolver câncer de pele. Então, se você expõe os braços e as pernas, não terá câncer de pele, porque eles não pegam tanto sol assim e ainda estará expondo quase 30%, 40% da superfície do seu corpo.

Qual deve ser esse horário de exposição?

Entre 10 horas da manhã e 15 horas. Antes disso, os raios são pobres em radiação UVB, necessária para garantir uma produção considerável de vitamina D. Logo cedo ou no fim da tarde, a luz do sol é igual aos raios solares do inverno. Nesses horários, você não pode produzir vitamina D, mesmo que tenha um elevado índice de raios UVB. Você só começa a produzi-la depois das 10h e o processo termina por volta das 15h.

Em locais como o Brasil, onde o sol parece ser mais forte do que em outros lugares, é possível produzir e absorver quantidades maiores de vitamina D?
Aqui, você precisa se expor a menos luz do sol para produzir a mesma quantidade de vitamina D do que uma pessoa que vive em Boston, por exemplo. Geralmente, recomendo ficar exposto cerca de 30% a 50% do tempo que demoraria para ter uma queimadura solar, duas a três vezes por semana, seguido de boa proteção solar. Nós desenvolvemos recentemente um aplicativo para celular chamado D Minder, que diz se a pessoa está produzindo vitamina D. O usuário insere seu tipo de pele e o aplicativo avisa quando a pessoa deve sair do sol, pois está sendo exposto demais. É um jeito de tirar vantagens dos efeitos benéficos do sol sem correr riscos.

Crianças e idosos precisam se expor mais ao sol do que adultos?
Conforme você envelhece, não produz tanta vitamina D, mas estudos mostram que mesmo idosos de 70, 80 anos, tanto homens quanto mulheres, se expostos à luz do sol pelo período de tempo recomendado, produzem uma quantidade adequada da vitamina.

É possível consumir vitamina D por meio de alimentos?
O problema é que não há vitamina D em muitos alimentos. Apenas peixes oleosos, como o salmão, têm vitamina D, mas ainda assim você teria que comê-lo todos os dias. Cogumelos expostos ao sol também têm. E é isso. Como resultado, se não houver nenhuma exposição ao sol, todos serão deficientes em vitamina D.

Há sintomas indicativos de que a pessoa está com deficiência de vitamina D?
Os sintomas são muito inespecíficos. Geralmente, crianças e adultos sentem-se cansados; têm dores nos músculos e nos ossos; não querem se levantar da cama pela manhã.

Quanto tempo depois de começar a se expor ao sol ou a tomar suplementos vitamínicos uma pessoa com deficiência de vitamina D começa a se sentir melhor?
De modo geral, levam-se meses para uma pessoa se tornar deficiente da vitamina. Então, geralmente passam várias semanas até que a pessoa comece a melhorar. Eu recomendo às crianças mil unidades de vitamina D por dia e dois mil unidades diárias para adultos.

O senhor pesquisa esse tema há cerca de 30 anos, mas a importância da vitamina D para a saúde parece ser uma preocupação mais recente. Por que acha que o assunto está despertando atenção das pessoas agora?
Apenas na última década começaram a surgir muitas publicações sobre o assunto, que demonstraram os benefícios da vitamina D, incluindo a redução do risco de doenças cardíacas e diabetes. O principal motivo desse interesse é que os pesquisadores e as pessoas estão finalmente começando a prestar atenção à mensagem de nunca se expor ao sol sem protetor solar. Isso agora está causando um grande problema médico, que é a deficiência em vitamina D. Mais e mais revelações estão surgindo sobre os benefícios dessa vitamina. Como tudo na vida, moderação é o caminho. Então, o ideal é tirar vantagem da exposição solar e usar protetor para não ter queimaduras nem aumentar o risco de desenvolver câncer de pele. A maioria dos melanomas, inclusive, ocorrem nas áreas menos expostas ao sol. São aqueles que ficam com queimaduras por ficarem na praia aos fins de semana que têm alto risco da doença.

Entrevista com o Dr. Michael Holick sobre a vitamina D (em inglês):

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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