Videogame é arte?

“Videogames são o melhor exemplo de design interativo. Nosso trabalho no museu é documentar o que acontece de relevante para a sociedade.”
Paola Antonelli, curadora sênior do departamento de arquitetura e design do MoMA

A discussão é muito boa e atual: Games são arte?

Se são, poderiam estar no museu?

Um dos maiores museus de arte moderna do mundo acredita que sim e inaugura oficialmente em 02/03/2012 não apenas a exposição desses itens, mas também uma nova seção para comportá-los. E o faz com toda glória possível, vejam:

“Estamos muito orgulhosos de anunciar que o MoMA adquiriu uma seleção de 14 games, os primeiros de uma lista de cerca de 40 a serem adquiridos em um futuro próximo.”

Claro que tem muita gente questionando. Exemplo é o texto”Sorry MoMA, video games are not art” (algo como “Desculpe, MoMA, videogames não são arte”), publicado no jornal The Guardian e que critica a nova seção do Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova Yorke o fato de que, de agora em diante, obras de Frida Kahlo, Henri Matisse, Andy Warhol e Pablo Picasso que fazem parte do acervo permanente vão dividir as atenções dos visitantes com Pac-Man, Sim City e Minecraft, entre outros jogos.

A verdade é que, se o museu tem como objetivo refletir o tempo em que vivemos e a história da nossa sociedade, no mundo contemporâneo não é possível evitar mostrar o lado digital da vida.

Vi uma reportagem boa outro dia que mostrava como os desenhos feitos com o toque nas telas em tablets e smartphones têm passado da categoria passatempo e se tornado arte digital, transformando-se em uma atividade profissional. Seremos tão diferentes nos desenhos feitos na tela digital do que eram os artistas que “salvavam” sua visão de mundo nos papeis? Quando acompanho excertos fotográficos da jornalista Cora Ronai no Instagram eu o faço com o mesmo prazer que me fez parar em frente aos rascunhos de viagens de Tarsila do Amaral, reunidos numa exposição sobre ela que a Pinacoteca de São Paulo ofereceu ao público recentemente. Um dia teremos esta visão de mundo da Cora em museus, dos seus instantâneos no celular? Espero que sim!

Na reportagem que citei eu descobri que o jogo DrawSomething, em que o desafio entre as pessoas é ver quem cria os melhores desenhos, conquistou profissionais e muitos artistas carregam imagens ou passam para outros artistas, eles ficam enviando e recebendo, num trabalho colaborativo ou em batalhas artísticas. Isso é arte, quem pode dizer que não?

E sobre os games no MoMA, em uma viagem pelo tempo, os visitantes vão poder observar a evolução dos jogos desde os primeiros games produzidos em massa, com Pac-Man (de 1980), até versões mais elaboradas e recentes, como Canabalt, lançado quase 30 anos depois. Quem quiser também vai poder jogá-los no museu.

E esta ideia me lembrou de uma exposição que visitamos em 2009 no Itaú Cultural, a “GamePlay”. Com seis instalações artísticas interativas e onze consoles de videogame variados, tudo nos convidava a interagir nos três andares lotados de crianças e adolescentes que aproveitam a chance de jogar gratuitamente alguns dos games populares na época. Lá descobrimos as qualidades do Spore (que ainda é jogado por aqui às vezes, embora menos que o Spore) e comecei a entender mais das vantagens dos jogos digitais como instrumentos de apoio à educação – vale lembrar que Minecraft já é ferramenta de ensino por quase mil escolas no mundo.

Voltando à pergunta videogame é arte? Concordo com a curadora do MoMA: “Os videogames são artefatos que realmente representam a cultura e o design da nossa época.” Se as coleções de um museu têm a intenção de valorizar “itens que combinem relevância histórica e cultural, expressão estética, visões inovadoras de tecnologia e comportamento, e uma boa síntese de materiais e técnicas que alcancem sua meta inicial”, então videogame é arte e merece destaque como as louças, roupas e artefatos que mostram como nossa história foi feita.

E você, o que acha? Videogame é arte?

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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