a vida quer


Ontem esqueci de comentar, mas tem texto meu no desabafo, na aba de música e como o texto ficou legalzinho mesmo (a minha cara, uma mistureba só) vou postar inteirinho aqui.
A revista Crescer também fez uma lista dos 10 mais que é parecida com a minha e eu descobri por puro acaso fazendo busca no google das imagens abaixo.

Viagem à infância da mamãe e do papai

Perdi o sono e estava rolando na cama pensando em várias músicas. Engraçado como a memória da gente funciona, pois pensava em várias músicas da minha infância com tanta nitidez que levantei e aqui estou escrevendo. Creio que estava influenciada pelo texto da Tatiana, que é destaque hoje no Desabafo, em que ela fala que o gosto musical “tá no sangue“.

Há duas semanas fomos a um show do Toquinho no Shopping Anália Franco. Quem soube do evento gratuito e nos avisou foi o Enzo, pois ele e o Giorgio já reconhecem vários ícones culturais (da minha infância, penso eu, da deles, pensam meus filhos) de um clipe televisivo chamado Cultura no Intervalo, da TV Cultura. Assim, pouco a pouco, vamos revivendo em casa a pedido deles o Renato Aragão (eles não falam Didi!), Toquinho e Vinícius, Ruth Rocha, Cecília Meirelles e muito mais.

Música e literatura sempre foram importantes para nós, eu li para os bebês na barriga -para se acostumarem com o ritmo do idioma materno, para reconhecerem minha voz- e coloquei muita música com fone na barriga para eles nas gestações. Mas não eram necessariamente do meu tempo. Eram do Palavra Cantada! Não sabia que as coisas do meu tempo podiam ser intessantes e, sinceramente, tudo que tinha era vinil e não tinha “toca-discos” em casa. Aí Enzo ganhou uma coletânea chamada Millennium Infantil no primeiro aniversário e se apaixonou perdidamente pela música do Pato.

“Lá vem o pato,
Pata aqui, pata acolá,
Quá quá…”

E assim revivi um dos vinis, da Arca de Noé. Levei para escutar no quarto da Bisavó, único lugar com toca-discos que ainda funciona. Descobri que eu e meus irmãos tínhamos um volume, o Gui e os irmãos tinham o outro. Ver aquela bolachona e não um CD tocar virou programa de domingo e fomos redescobrindo vários discos de vinil como a Casa de Brinquedos (com Caderno, Bicicleta, Super Heróis), enfim, todos com ternura e uma verve imperdoável misturados. A ternura sempre veio do Toquinho, vejo hoje… risos! Ainda lembro de como Caderno, parceria dele com Chico, falava alto ao meu coração de escritora mirim:

“Sou eu que vou seguir você
Do primeiro rabisco até o be-a-bá.
Em todos os desenhos coloridos vou estar
(…) O que está escrito em mim
Comigo ficará guardado, se lhe dá prazer.
A vida segue sempre em frente, o que se há de fazer.
Só peço a você um favor, se puder:
Não me esqueça num canto qualquer.”

Mas não creio que a malícia do Vinicius de Moraes tenha feito mal à nossa geração na infância, pois ele era tão inteligente que não conseguimos, pelo menos na nossa época, sacar muita coisa. Mas nos divertíamos com a Aula de Piano dele e das Frenéticas e outras canções dúbias, mas muito divertidas e naturais, como a do Vento:

“Quando sou forte,
Me chamo vento.
Quando sou cheiro,
Me chamo pum!”

Quando Toquinho tocou esta música no show nos matamos de rir. Engraçado que os outros pais também queriam ver as crianças revivendo com suas crianças interiores aquela diversão. Não é muito fácil, como já disse, os temas são difíceis e uma coisa que noto é que as faixas musicais da fase 1977-1985 (fase da minha infância propriamente dita) são muito lentas e os versos se repetem duas ou três vezes, deixando os nossos “teleguiados” meio cansadinhos antes de ouvir tudo.

Até nisto hoje temos pressa: não aguentamos uma música de muitos minutos seguidos. Mas as crianças podem aprender a rir das rimas, a reconhecê-las (acredito que criança adora rima e poesia) e aprender a apreciar a qualidade das composições e dos instrumentistas. Os meninos aqui de casa já falam: isto é guitarra, onde está o som do baixo? Você ouviu esta bateria, que radical? (risos)

Outras preciosidades televisivas (os discos de que falo eram especiais musicais produzidos pela TV Globo) da infância da mamãe e do papai foram aumentando o repertório doméstico: Plunct Plact Zum (quem diria que a música tema deste musical infantil era com Raul Seixas e Planeta Doce era cantada pelo Jô Soares?), Pirlimpimpim (quando o novo Sitio do Picapau Amarelo surgiu relembramos as velhas canções e só a Cuca da Cássia Eller é melhor que as antigas), A Turma do Pererê (do Ziraldo mesmo, com direção musical de Guto Graça Melo, mas anterior ao seriado infantil produzido na década de 1990 pela TV Educativa do Rio), Saltimbancos (com Trapalhões, Lucinha Lins e música de Chico Buarque). Este último, um dos poucos já remasterizados e relançados comercialmente, é um dos nossos CDs favoritos para passear de carro.

“Uma camabolhota
Duas cambalhotas
Bravo Bravo”
(com som de risadinhas e tiradas de Didi, Dedé, Mussum e Zacarias ao fundo)

E é assim, cantando e dando cambalhotas musicais que vamos construindo, como uma colcha de retalhos, estes elos com os nossos filhos. Já presenteamos alguns amigos com nossa coletânea particular (que inclui Castelo Rá-Tim-Bum que ouvimos com outras gerações de crianças da família, Cocoricó, Canções Divertidas e de Brincar) e creio que para todos esta viagem no tempo foi fenomenal.

Ainda não tive coragem de apresentar a meus filhos a remasterização da coleção Disquinho (aqueles discos coloridos e pequenos, com historinhas, para ouvir na vitrolinha, e produzidos com a qualidade de um Radamés Gnatalli), mas com o sucesso que o CD Mil Pássaros* fez aqui em casa, já estou considerando a idéia! Será mais uma viagem no túnel do tempo!

*Mil Pássaros mescla músicas que o grupo Palavra Cantada fez para sete histórias de Ruth Rocha, que no CD são narradas pela própria autora e que, com Bia Bedran e Hélio Zizkind, merecem um desabafo de mãe à parte!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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