educação / empreendedorismo / relacionamentos

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Neste domingo, logo cedo, li este tuíte:

“Boa sorte a todos os jovens que prestarão Fuvest hoje. Vcs tem minha solidariedade. Que um dia não precisemos mais desse funil iníquo. o/”

Como crítica de certos detalhes do atual modelo educacional e, acima de tudo, do processo competitivo que se cria cada dia mais cedo nas crianças, buscando um resultado “imediato” (das notas e da “posição do ranking”) que só se completa de fato com o sucesso num bom vestibular (este também com uma boa colocação), não resisti e comecei um longo papo com a autora do microtexto de boa sorte aos vestibulandos.

Em primeiro lugar ponderei que a Fuvest é um funil relativo. Vejo jovens que querem “o melhor’ viajarem para fazer vestibular aqui e isso tira um pouco da “realidade” do processo, que deveria atender prioritariamente aos “locais”, não acham? Eu creio que sim, porque são jovens criados sob a filosofia educacional que reforça a “marca” e não o “pertencimento”, assunto sobre o qual eu reflexiono muito aqui em Sampa. As pessoas movem mundos e fundos para colocar o filho “na escola certa” para a USP desde cedo, quando deveriam focar em criar uma relação de construção com as escolas e de cidadania com a educação do filho, que, no mundo ideal, estaria se formando para ser um cidadão e não simplesmente alguém com bom diploma para vencer processos seletivos (públicos ou privados).

Pode ser utopia, mas creio que se a gente educasse para pertencer e construir colaborativa e coletivamente uma sociedade melhor, as pessoas se fixariam, sem cortar as asas do conhecimento e a sede do saber, mas cresceriam com objetivos maiores do que ter esta ou aquela marca impressas no diploma.

Mas quem sou eu? Há anos discuto o excesso de gente com curso superior que nem sabe o que queria fazer, mas entrou aos 17! Há alguns anos escrevi um texto num blog colaborativo no qual era colunista e o texto “bombou” de comentários. O título tinha grande afinidade com a reflexão de hoje – algo como Por que decidir aos 17 o que se quer fazer pelo resto da vida – e o fiz na defesa do filho de um conhecido que queria que o filho, que recém completara 17 anos e concluía o ensino médio, entrasse “o quanto antes” na faculdade de Administração, seguindo os vitoriosos passos do pai. Faz tanto tempo que o jovem já se formou na faculdade e, pelo que sei, tem sua própria empresa, numa carreira promissora e empreendedora. Mas ainda tenho aqui com meus botões a necessidade de que nossa sociedade rediscuta a ansiedade com o diploma “o quanto antes e a qualquer custo“.

Na conversa de ontem pelo Twitter, minha interlocutora citou o “bacharelado interdisciplinar” com o qual simpatizo, mas entendo que, até para esta alternativa funcionar bem, a criança tem que se formar como ser, não como uma “peça incompleta” até que cumpra o ritual de passagem do vestibular/diploma.

Sempre converso com pais, de crianças ou adolescentes, que me pedem conselhos sobre escolas e metodologias de ensino. Noto nas conversas esta ansiedade com o futuro ligada à mítica de passar no vestibular, em geral sem reflexionar as reais (e boas) qualidades que a criança sempre demonstrou, focando neste “passe mágico” para uma vida melhor.

Visão anacrônica!

A busca pelo melhor diploma não é mesmo uma visão de um Brasil recém saído do império, tateando no escuro para refazer o status dos ricos? Quando acabou o coronelismo e as capitanias, o filho rico teria que “se diferenciar” com um diploma, sendo doutor. Quando escrevi sobre o luxo como algo que poucos têm e por isso é desejável pensei muito nesta relação das marcas na educação.

Ok, na teoria é fácil, mas como você reagiria se fosse o seu filho?

Aqui em casa, embora distantes do vestibular, temos nossa estratégia. Se ainda nos falarmos por aqui você poderá comprovar que não haverá pressão para faculdade, queremos que eles se ocupem de forma positiva, aprendam, ensinem e aí então se encaminhem para o trabalho. Se escolherem uma área que exija diploma, apoiaremos, mas sem insanidade com marcas educacionais.

P.S. Na minha coluna sobre Economia Doméstica no hotsite “Investe em vc” falo um pouco disso em cada texto. Procuro enfatizar que não se deve contrair dívidas e sofrer financeiramente para ter uma vida confortável e sim buscar sonhos reais e pessoais, sem se deixar levar pela ansiedade coletiva. O vestibular da Fuvest é um exemplo disso.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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