Versailles vale a maratona

Nada como um repouso forçado para descobrir ou se render a algumas séries da Netflix para as quais a gente torcia o nariz, mas que não paravam de aparecer na sua timeline como conteúdo relacionado. Pois é, o algoritmo nem sempre acerta, mas não é desprovido de sentido, concordam?

Estive acamada, tratando uma pneumonia, e decidi arriscar a série Versailles, uma das que sempre aparecia para mim, provavelmente porque eu gosto de séries histórias.

 

Eu antipatizava com as imagens de divulgação, mas quando vi que o ator que interpreta Luis XIV (George Blagden) é o mesmo monge querido do público de Vikings – sim, Athelstan – eu senti que merecia meu tempo.

E eu gostei de Reign, apesar dos pesares, do jeito adolescente da série – que tem toda razão por ser adolescente, afinal o casal real viveu tudo antes de completar 20 anos, né?

No chão a Marquesa de Montespan, acima Alexandre Bontemps, ao lado o rei Luís XIV, a rainha Maria Teresa de Áustria, no chão Fabien Marchal, acima o Cavaleiro de Lorena, Henriqueta Ana Stuart, Monsieur Filipe d’Orleães e Béatrice.

Essa série também gira em torno da monarquia francesa, mas conta uma história mais longa e interessante: rei Luís XIV foi protagonista de um dos reinados mais longos e marcantes da história da Europa.

Apelidado de “o Grande” e “Rei Sol”, Luís XIV foi o Rei da França e Navarra de 1643 até à sua morte, em 1715. Seu reinado de 72 anos é o mais longo de toda história do planeta – até agora nenhum outro monarca ocupou um trono por tanto tempo. E, mais importante, ele foi um dos líderes da crescente centralização de poder na era do absolutismo europeu.

Em “Versailles”, é possível acompanhar o fortalecimento, tanto da França quanto dos monarcas, além de conhecer mais sobre os bastidores do regime.

Outro detalhe diferente da vida deste nobre: a figura do irmão do rei, Monsieur Filipe d’Orleães (Alexander Vlahos), é baseada em fatos reais interessantes, da homossexualidade assumida aos filhos legítimos (de casamentos com nobres, sendo a segunda uma princesa alemã que torna a história e os costumes da corte francesa ainda mais pitorescos) ao fato de que os irmãos são dos poucos, se não o único, relato histórico de irmãos da realeza francesa que eram amigos, companheiros e se gostavam como parentes.

A decisão de sair de Paris e transformar o Palácio de Versalhes no centro de poder político da França é o pano de fundo da primeira temporada da série, mas o desenrolar do reinado é interessante por nos colocar em contato com as diferenças entre as monarquias e os governos europeus da época.

Se na primeira temporada começamos a ver a consolidação da gaiola dourada na qual o Rei Sol pretendia organizar e controlar a França como governante absoluto, na segunda temporada podemos entender como este rei era visto no exterior. Ainda não vi a terceira, mas está na minha lista!

Entre as figuras históricas destacam-se Monsieur Filipe d’Orleães (Alexander Vlahos), o extravagante irmão caçula de Luís XIV; a rainha Maria Teresa de Áustria (Elisa Lasowski), que tolerava os diversos casos extraconjugais de seu marido; o Cavaleiro de Lorena (Evan Williams), um nobre francês e famoso amante de Monsieur Filipe, irmão de Luís XIV; Henriqueta Ana Stuart (Noémie Schmidt), prima, amante do rei e primeira esposa de Filipe I, Duque de Orleães; a Marquesa de Montespan (Anna Brewster), dama da corte francesa e uma das mais famosas favoritas do rei e Alexandre Bontemps (Stuart Bowman), o respeitado e temido valete do rei Luís XIV, figura poderosa na corte de Versalhes pelo seu excepcional acesso ao rei. Fabien Marchal (Tygh Runyan) é um personagem fictício, o líder da força policial de Luís XIV, que por vezes atuava como polícia secreta e inteligência na corte real francesa.

Criada por David Wolstencroft (The Escape Artist) e Simon Mirren (Criminal Minds), Versailles está na terceira temporada e as duas primeiras estão disponíveis na Netflix. A terceira temporada está no GNT Play nas plataformas VOD das operadoras Net, Claro, Vivo e Oi.

Curiosidades:

  • a série estreou em 2015 quando completou 300 anos da morte do monarca.
  • o Palácio de Versalhes foi residência fixa do rei e da corte até 1789, quando é deflagrada a Revolução Francesa e a família real é forçada a voltar à capital Paris.
  • apesar de ter conquistado o grande público na França, a série gerou controvérsias por conta do elenco de atores predominantemente britânicos e dos diálogos em inglês.
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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