Vencedores

Uma reportagem do Marcos Uchoa (que considero um dos melhores jornalistas do Brasil) dizia há pouco no Jornal Nacional que a medalha de ouro e o último lugar há mais vencedores do que se possa imaginar.

Devemos receber os medalhistas olímpicos brasileiros (Ketheyn Quadros, Leandro Guilheiro e Tiago Camilo) com festas, sim, mas eles e atletas como João Derly não podem ser os únicos atletas considerados ouro no coração dos torcedores brasileiros. Antes de decidirmos se eles nos deram ou não a alegria que desejávamos, pensemos no quanto nós, indivíduos, entidades, governantes, temos contribuído para que os jovens talentos esportivos tenham condições para treinar. Eu posso afirmar que não faço nada.

No meu bairro, a Moóca, a Subprefeitura tem uma piscina pública que oferece aulas de natação gratuitas e, quando passo pelo local, confesso que apenas fico contente por poder proporcionar aos meus filhos um clube como o Juventus para eles praticarem esportes. Ao contrário da maioria dos jovens esportistas brasileiros, meus filhos possivelmente têm acesso a um treinamento mais parecido com o dos atletas que receberam medalhas de ouro, como Michael Phelps.

Isso não diminui os méritos que eles possam vir a ter, como não reduz o valor do superman Phelps, mas fazem de atletas como o judoca Eduardo Santos os verdadeiros heróis. Ele chorou ao perder a medalha de bronze numa decisão que exigiu unanimidade dos juízes, depois de uma luta eletrizante, e me emocionei em casa todas as vezes que o vi chorar no vídeo hoje. Chorei sinceramente quando ele contou que demorou a alcançar o grau de faixa preta porque o valor da taxa para o teste era muito alto para ele. Imaginem quantos adversários estes jovens atletas enfrentaram todos os dias de sua vida até chegar ao dia da decisão da medalha olímpica! São tantas vitórias que eles realmente merecem nosso louvor, nossa festa e nossa admiração.

P.S. As chinesinhas da ginástica olímpica, como as norte-americanas, tiveram apoio governamental e contaram com a tradição do esporte em seus países para chegarem lá. Nossas meninas não, o que faz de seu oitavo lugar geral uma posição a festejar.

Crédito das imagens: G1
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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