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Há alguns dias quero escrever aqui sobre Up in the air (no Brasil sob o péssimo título de Amor sem escalas), filme estrelado por George Clooney. Desde que conquistou Hollywood e deixou de ser o pediatra charmoso de E.R. ele tem se mostrado combativo, politicamente engajado e sobretudo genuinamente interessado em não posar de galã.  Apesar de não ser realmente lindo, seu charme é indiscutível e ele poderia sim ser um galã para sempre, revivendo nas telas a vida de solteirão convicto e milionário que circula no jet set internacional, mas prefere tentar papéis inusitados que agora já começam a ser uma marca registrada. Admito, ele não é um ator extraordinário, mas, pelo menos, escolhe roteiros diferentes com certa regularidade, o que já lhe deixa em vantagem sobre muitos colegas de profissão.

Duas figuras desta trajetória não-óbvia de Clooney no cinema são dos irmãos Cohen: Everett de O Brother, Where Art Thou? (E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?, 2000) e Harry Pfarrer de Burn After Reading (Queime depois de ler, 2008). Lembrei de ambos quando vi Up in the air, tanto quanto de um outro filme dele (cujo nome me foge agora, se alguém lembrar me conte) que vi no Telecine há um tempo e mostrava um cara especialista em consertar e apagar erros dos outros.

A atmosfera quase noir do que se passa no interior destes personagens costuma contrastar com as sempre boas músicas (este filme começa com uma música animadora, que “engana” o público, da mesma forma que o personagem Ryan Bingham o faz em vários momentos) as belas imagens (Up in the air, como um bom filme “de viajantes”, tem vários cenários urbanos conhecidos) de um país imerso num cotidiano vazio de significado e ao mesmo tempo cheio de possibilidades.

Cenas de aeroporto , da convenção no hotel, do casamento da irmã, do distanciamento da família, dos rompimentos… tudo nos leva a uma inevitável reflexão. E neste ponto eu concordo com Carla Navarrete, Amor sem escalas passa longe das comédias românticas. É mais um filme sobre o as coisas que estão indefinidas (ou no ar, como sinaliza o título em inglês, “Up in the Air”, expressão para definir que as coisas estão sem definição).

Além da atuação das atrizes Vera Farmiga e Anna Kendrick, indico o filme pelo não-óbvio que o diretor Jason Reitman traz – ele é o diretor de Juno, lembram-se? – e por tratar de forma realista e ao mesmo tempo – pasmem! – positiva de um momento crítico para mercado de trabalho, com os jovens, suas ideias acadêmicas, a tecnologia e a crise mudando de forma indelével e inevitável as relações de trabalho. Em resumo: recomendo o filme, mas não vá pensando que é uma comédia romântica com o bonitão do Clooney ou vai se decepcionar muito.

🙂

P.S. Não fiz spoiler, mas se você quiser saber mais do filme e ver uma crítica boa, vale ler a do Cinema é minha praia.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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