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Essa notícia – de que o novo Ministro da Educação quer universidades federais mais engajadas no ensino básico – me lembrou uma história que a dona da escola dos meus filhos me contou sobre um professor uspiano superpromissor que contrataram uma vez para dar aulas de português pro Ensino Fundamental 2 e Médio.

No currículo e na aula era excepcional, mas o moço não sabia fazer plano de aula nem relatórios de classe e, quando soube que certas atividades burocráticas eram imprescindíveis para exercer a atividade, simplesmente sumiu. Não voltou nem para receber os dias trabalhados!

As universidades federais, por serem custeadas pela população, deveriam formar profissionais interessados em servir o país de alguma forma.

E falo com direito porque me formei em Jornalismo na UFPR e fiz Ensino Médio também numa instituição federal, o Cefet-PR.

O assunto não é novo: um seminário em 2014 perguntava: Qual Universidade Servirá ao Brasil?

O assunto não é novo: um seminário em 2014 perguntava: Qual Universidade Servirá ao Brasil?

Qual sua opinião?

E por falar em opinião, reproduzo a opinião de uma especialista em Educação (Priscila Cruz , diretora executiva do Todos Pela Educação), sobre a mudança no Ministério da Educação e sobre o momento atual:

Caro Ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro. Há muitos anos não se via no mundo educacional – e até fora dele – tamanho sentimento de alívio e de esperança renovada. As eleições de 2014 dividiram o país, fizeram de amigos inimigos, contaminaram o debate público. Confesso que, desde então, passei a acessar as redes sociais com menor frequência, para evitar comentários radicalizados movidos por um espírito de rivalidade nos padrões Fia x Flu ou Corinthians x Palmeiras, que eu, torcedora da Portuguesa, nunca fui capaz de compreender plenamente.

Pela primeira vez em muito tempo, vejo gente de diferentes lados da arquibancada torcendo juntas – como quando quem está em campo é a seleção brasileira. Esse clima de união era o que estava faltando na área da Educação. Sabemos dos enormes desafios que esse ministério enfrenta. Precisamos admitir que a partida a ser disputada é dura, uma vez que, em um sistema tão gigantesco quanto o da Educação brasileira – composto por 50 milhões de alunos, dois milhões de professores e 200 mil escolas -, a inércia tende a prevalecer. Mas também sabemos que uma liderança legítima é fundamental.

Ainda temos no Brasil um modelo industrial de Educação, no qual a diversidade de experiências e experimentações tem pouco lugar. Vemos professores dedicados, governos empenhados, famílias valorizando cada vez mais a educação. Entretanto, em plena Era do Conhecimento, os alunos não têm garantido o direito à aprendizagem – apenas 10% dos que concluem o ensino médio aprenderam o que deveriam em Matemática – e estão desmotivados com a escola

Existe algo fundamentalmente errado no modelo atual. Vivemos a própria definição de Einstein para a palavra insanidade: fazer tudo igual e esperar resultados diferentes. É preciso urgentemente repensar esse modelo educacional, e isso implica envolver a juventude – motor das grandes transformações da história -, os professores, indispensáveis no processo de aprendizagem, mas ainda pouco valorizados – e as famílias, principalmente as mães, que batalham a cada dia para dar um futuro melhor a seus filhos. É desse caldo que virá a energia pai a a mudança, com o apoio das universidades, da iniciativa privada, da mídia e de todos os brasileiros. Dificilmente quem está contente com o atual modelo apoiará as transformações necessárias, mas é preciso navegar.

Tenho convicção de que o Brasil é capaz de promover uma mudança substantiva na Educação, tornando-a mais moderna, relevante, engajada, energizada e até, por que não?, mais divertida e prazerosa.

Caro senhor ministro, estamos entusiasmados em participar dessa mudança. O senhor tem a oportunidade de articular torcedores do país todo – do São Paulo ao Santos, do Botafogo ao Vasco, do Grêmio ao Internacional, do Bahia ao Vitória, do Sport ao Santa Cruz, do Remo ao Paysandu – numa mobilização para virar o jogo da Educação e dar um salto de qualidade capaz de reduzir as enormes desigualdades do nosso país. Essa é a Copa do Brasil mais importante de todas. Estamos todos juntos, independentemente de time ou coloração, pela Educação do Brasil. 

E Priscila não fala só para nós, mas também por nós. Nesta sexta-feira, 17/04,  na Latin America Learns Conference at Harvard no painel Fostering an Inclusive a Society. Legal né? 

  


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