O carro já não é um símbolo de status para os jovens

Neste ano meu filho mais velho completa 18 anos e – geração Uber – ele não pensa em ter um carro tão cedo.

The era of ownership is ending

Quando eu cheguei nesta idade, minha mãe me deu de presente o curso para “tirar a carteira de motorista”, pois estava ansiosa para dividir com alguém a vida de “chauffeuse” – o feminino de motorista em francês, pois minha mãe gosta muito de palavras elegantes!

Para tristeza dela, fiz o curso, passei no teste teórico e deixei vencer a data do prático.. duas vezes! Meus pais deixaram um carro popular para que eu e minha irmã dividíssemos na época da faculdade e nem assim eu passei a dirigir. Anos mais tarde, já depois dos 30, tirei habilitação e dirigi por São Paulo, conduzindo meus filhotes e indo e vindo de alguns compromissos de trabalho. Mas, admito, sempre preferi o transporte público e é o que me leva e traz até hoje, pois moro a menos de 1km de uma estação da CPTM e a 2km de uma estação de metrô, além de estar numa região bem servida de linhas de ônibus.

Foto de Bill Lindeke no post Three Urban Design Lessons from Sweden. Como ele destaca, notem a ausência de placas de trânsito para carros.

Carro faz falta? Com certeza, especialmente quando se tem uma família de 5 pessoas, que não cabem num taxi/uber e cujos custos para usar o transporte público acabam sempre sendo tão altos que não compensam.

Mas quando estou sozinha ou somos apenas 2, usar transporte público ainda é o melhor.

Muita gente me diz que falo isso porque moro em São Paulo, porque cresci em Curitiba (cidade sem metrô, mas com famosa por seu sistema integrado de terminais de ônibus) e morei no Japão, em Tóquio, onde a oferta é excepcional.

Pode ser.

Sobretudo acho que é porque uso.

Já fomos e voltamos em família do aeroporto de Guarulhos no ônibus que aceita malas, sabe qual? Pois é, ele funcionava antes desta novidade do metrô/trem que chega lá e custava bem menos do que o taxi. A gente usa aqui e fora do Brasil e por isso consegue julgar – e achar bom – e também aproveitar sem se sentir inferior por não usar o carro.

E gente, usar é o segredo!

Se queremos que o sistema viário privilegie os pedestres, temos que colocar mais gente na rua, ué!

Em alguns países, especialmente nos “ditos de primeiro mundo”, oferecer um sistema de transporte público confiável e eficiente é a estratégia de muitas cidades para desestimular o uso dos automóveis particulares e, assim, evitar os danos ambientais e urbanos causados por estes.

(Steven Coutts no Flickr)

Estava lendo um artigo que contava de duas cidades:

  • Hamburgo, que em novembro de 2013 lançou o Green Network, um plano para eliminar o uso do automóvel nos próximos 20 anos, contando, para isso, com a conexão de todas as áreas verdes da cidade, acessíveis a pé ou de bicicleta. Cerca de 40% da área da cidade, a segunda maior da Alemanha, é coberta com áreas verdes, como cemitérios, centros esportivos, jardins, parques e praças. Para uni-los em conjunto com passeios e ciclovias, a cidade lançou o plano Rede Verde, que tem como objetivo eliminar a necessidade de automóveis para o deslocamento das pessoas.
  • Helsinki, que em 2018 anunciou um ambicioso plano que visa integrar vários meios de transporte ao seu atual sistema público que, em teoria, funcionaria tão bem que os cidadãos não teriam mais razões para possuir um carro. Até 2025, a capital da Finlândia pretende desestimular totalmente o transporte individual motorizado.

O que estes planos têm em comum?

O objetivo não é proibir os automóveis e sim proporcionar outras opções de mobilidade sustentável, criando, para pessoas como eu, alternativas confortáveis para os deslocamentos que podem ser feitos através do transporte público.

A ideia é alterar o paradigma de como nos movemos dentro da cidade que é um tema que leva tempo para ser digerido, sobretudo para as pessoas mais velhas que não querem renunciar aos seus carros. Contudo, esta é uma meta possível, pois a maioria das pessoas está interessada em cuidar do meio ambiente e economizar dinheiro.

Saiba mais:

Você já pensou como traçaria uma estratégia real para reduzir o uso do carro?

Dia Mundial Sem Carro pode ser Dia do Pedestre?

 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.