Uma série muito Lelé

Com um texto recheado de rimas e ilustrações simples, os livros encantam as crianças.

Imaginem um plâncton, aquele nadinha no meio do mar. Pois ele não quer ser comida de peixe, quer pintar os peixes e tudo mais com cores lindas e berrantes…. este é o começo de uma das estorinhas da série Lelé da Cuca, que a editora Ática edita e cujos desenhos agora estampam jogos de lençóis e edredons infantis (neste caso, com o nome em inglês, série Bang on the Door).

Os desenhos, praticamente garatujas, que qualquer criança (ou mãe, no meu caso) copia para se divertir, chamam a atenção tanto quando as rimas:
-Mas em sua casa, num certo dia, sentiu muita falta de companhia(…)
-Procuro um amigo – lhe disse o cão, Pra morar comigo, como um irmão. Sim, até o cão, o melhor amigo da gente, não quer ser sozinho, quer ter um animalzinho. E saí à cata de um, no zoológico, no mar, passando por experiências risíveis, com as quais as crianças, pequeninas ou já letradas, se divertem e se identificam.

Fala-se em aranha que não consegue ter amigos, o gato de rua que é um relaxado, na lesma que devora tudo que é verde. Enfim, os personagens são animais que mexem com o imaginário dos pequenos.

Com frases curtas e palavras simples, as rimas encantam e estimulam a memorização. Como são livros escritos em “caixa alta” (ou bastão), aquela que as mães de criança em idade de alfabetização preferem para ver seus pimpolhos identificando as letras sozinhos, aqui em casa eles serviram para concluir um processo natural de alfabetização do meu filho mais velho. Foram presente da avó paterna, pedagoga e mestre em educação matemática, enfim, uma avó cujos presentes a gente não discute.

Com os desenhos que até esta mamãe sem talento copia, fomos criando livrinhos de TNT (aquele não-tecido que se usa para coisas descartáveis e se compra em metro, por centavos), grampeados em casa e escritos a canetinha. Saíram algumas estórias orais, inventadas nos desenhos e nas palavras simples.

-GATO – MACACO – CASA – ARANHA – LESMA – FEDIDO – SABOROSO

Eu não saberia dizer a idade adequada para esta série. Enzo ganhou com 2 anos, Giorgio nasceu escutando as histórias e arregalando os olhos para o colorido dos desenhos. Foram os primeiros livros que o Enzo levou para cama para ler sozinho, antes de dormir, e para contar histórias para o Giorgio quando tinha 5 anos.

Sobre a série:
São vários os temas transversais que podem ser trabalhado na sala de aula a respeito do livro e que, claro, os pais podem abordar informalmente em casa com as crianças: a pluralidade cultural (preconceitos, como na estória do gato de rua), questões de saúde e higiene pessoal, artes visuais e diversos itens de língua portuguesa – o texto é recheado de onomatopéias engraçadas, rimas e há o discurso direto (inserido no quadrinho do desenho) ou indireto. São estes os pontos que a fazem interessante até o segundo ou terceiro ano do ensino fundamental.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.