Uma experiência no #smbr no dia que os tuiteiros gritaram “Fala Galvão” (por @_claudiatavares)

Recebi há pouco, quentinho, recém saído do mobile, um texto excelente com a visão de uma nova usuária de Twitter sobre sua experiência ao ver o jogo Brasil e Portugal no meio de uma multidão de “tuiteiros compulsivos” e, por que não?, formadores de opinão no mundo 2.0 que estão reunidos em São Paulo para o Social Media Brasil. Claudia Tavares Fernandes, analista de Comunicação Social do Senado, se tornou uma amiga na visita que fiz ao Senado em abril e está empenhada em ser uma “boa aluna” nas mídias sociais”. Eu diria que, se depender o talento dela como comunicadora, já está pronta!

(Adorei o texto Claudia!)

Minha experiência no Social Media 2010 no dia que os tuíteiros gritaram “Fala Galvão”
(por @_claudiatavares)

Passo horas e horas tentando entender o twitter. É a única rede social que me atrai. Diferentemente das outras duas redes populares no Brasil (orkut e facebook), em que o conceito principal é o de amigos, no twitter não existem “amigos”, mas seguidores, o que permite ao usuário uma maior interação com os outros, uma vez que não é necessário nenhum tipo de permissão para acompanhar idéias de quem quer que seja, sendo livre até para replicá-las. Com apenas uma limitação: o usuário só tem 140 caracteres para se comunicar.

O twitteiro é desafiado diariamente a compactar informações, reduzir idéias, ideologias, pensamentos.

Vejam só, justamente o oposto de outros profissionais de comunicação como, por exemplo, deixe-me ver… um comentarista de futebol.

De conceitos opostos surgiu o Cala boca Galvão, um estranhamento entre pessoas que se comunicam com a média de 10 palavras com alguém que usa metáforas, metonímias, hipérboles, entre outras figuras de linguagem, e cuja profissão é falar sem parar durante os noventa minutos de uma partida de futebol. Juntando ao intervalo, ao esquenta e avaliações, esse tempo chega fácil em duas horas de blá, blá, blá. Virou um hit no twitter, alimentado em grande parte por pessoas que perguntavam o que significava aquilo, dando corpo ao movimento.

Um movimento do twitter, nascido pela lógica do twitter, comentado e replicado dentro do twitter. Meramente virtual e estranho ao mundo da maioria, em que existem multas de trânsitos, filas de banco, pão quente, essas coisas.

Cada vez mais atraída a entender o twitter, resolvi participar do chamado maior encontro dos usuários de mídias sociais do Brasil. Fui para o olho do furacão: ou entendo agora, ou desisto pra sempre. Por não ser desse mundo, mas apenas uma simpatizante (nada a ver com o evento ser no shopping Frei Caneca, ok?), confesso que comecei a conversar com as pessoas de uma forma “pé atrás”, meio pragmática e assertiva, afinal, o pessoal aqui se comunica por meio de 140 caracteres! Me policiei o quanto pude, mas digamos que eu estou mais para Sílvio Santos ou Mão Santa que para Wiliiam Wack, e falar pouco não é uma das minhas maiores virtudes. Para minha surpresa, aos poucos, fui percebendo que o mundo do twitter era bem diferente das pessoas que tuítam. Descobri que os tuíteiros são gente como a gente, ganhei presentes nos mundos analógico e digital, de seguidores a livros e muitos cartões de visita.

Até que chegou ao ápice do evento: o jogo Brasil x Portugal, em que aconteceria uma espécie de apoteose do movimento cala boca Galvão, no maior auditório, com cerca de setecentos twitteiros dos mais engajados e assistindo ao jogo pelo Sport TV, em um grande telão, estilo cinema. O barulho das vuvuzelas vinham de um aplicativo do Iphone, o Vuvuzela 2010. Finalmente, o mundo real estava agindo de acordo com o mundo virtual, as pessoas riam e se cutucavam “aqui o Galvão não tem vez”.

Antes mesmo que me mandassem calar a boca, fiquei caladinha, mas não me lembro de nenhuma outra vez ter assistido a algum jogo da seleção sem ouvir o Galvão falando. Mas, tudo bem, na terra de sapo, de cócoras como ele. Seriam 699 contra mim. Eu adoro ver tênis pelo Sport TV, eles têm o tempo certo para o jogo. O silêncio necessário no momento necessário. Mas futebol é nervoso e não combina o ritmo de narração da SportTV, que é assertivo, como o twitter. Mas eu queria o Galvão.

Devia ser perto dos vinte minutos do primeiro tempo, quanto o narrador do Sport TV sugeriu a campanha “Calma Felipe Melo”. Pronto, surgiu a desculpa necessária para que aquela multidão de tuíteiros gritassem, em catarse, “Por favor muda pra Globo, Fala Galvão”. A contradição do mundo analógico com o virtual exposta a público, pelos próprios formadores de opinião das mídias sociais.

Em um momento, no segundo tempo do jogo, Galvão falou que o Brasil precisaria dar mais “ligeireza” ao jogo. Todo mundo gritou “Cala Boca Galvão”, seguido de muitos risos e aplausos. Mas pergunta se alguém pediu para trocar o canal??? Claro que não!

Acabou o jogo e eu acho que finalmente consegui entender um pouco do mundo virtual. É simples: não use as referências que você aprendeu até hoje.

Claudia Tavares Fernandes, 35 anos, jornalista, publicitária, MBA Executivo em Marketing, analista de Comunicação Social do Senado Federal e entusiasta de mídias digitais

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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