Uma dobra no tempo

“Devido à natureza do mundo em que vivemos, nossas crianças passam por uma carga pesada de temas científicos e analíticos na escola, de modo que é durante suas leituras de ócio, de prazer, que elas devem ser guiadas à criatividade. Há forças atuantes neste mundo tais quais nunca se viu na história da humanidade, forças que pregam a padronização, a arregimentação de todos nós, ou o que eu gosto de tratar como nossa muffinização — muffins que devem sair iguais a todos os outros muffins na fôrma. Este é o universo limitado, o universo que enxuga, que dissipa, que podemos guiar nossos filhos a evitar se lhes dermos “material explosivo, apto a agitar a vida de modo incessante”.”

Madeleine L’engle em “Uma Dobra No Tempo“, no discurso de agradecimento pela medalha Newbery… em 1963!

Não vou fingir que descobri este livro por conta própria. Nem eu, quarentona assumida, sou da época do livro! Mas o filme que a Disney produziu (e que, infelizmente, nem teve um lançamento muito legal nos cinemas brasileiros, mas estou esperando para ver na TV) me fez ficar curiosa o suficiente para buscar o livro. É infantojuvenil, mas muito bom!

Li com avidez e anotando mil coisas, pois tem várias reflexões sobre o mundo ao redor.

A sinopse engana:

“Meg Murry e seu irmãozinho, Charles Wallace, ficaram sem o seu pai cientista, o Sr. Murry, há cinco anos, desde que ele descobriu um novo planeta e usou o conceito conhecido como um tesseract para viajar para lá. Aliado do colega de classe de Meg, Calvin O’Keefe, e guiado pelos três misteriosos viajantes astrais conhecidos como Sra. Whatsit, Sra. Who e Mrs. Which, as crianças iniciam uma perigosa jornada para um planeta que possui todo o mal no universo.”

Sim, é um livro de ficção científica. E, preciso admitir, é um livro com cunho moral e uma certa mensagem cristã (enrustida), mas nada que ofenda ou perturbe quem tem outras crenças, pois foca no “bem contra o mal”, sem tomar outro partido direto, numa coisa que Star Wars imitou depois com a luta dos Jedis contra o Império, sabem?

Aliás, abro aqui um parêntesis para falar sobre ficção científica cristã (ou FCC), um subgênero da ficção científica que ou retrata positivamente pontos-de-vista da cristandade (tanto católica quanto protestante) ou na qual o cristianismo desempenha um papel importante no desenvolvimento da trama. Em obras desse subestilo, que existem temas fortemente cristãos, ou as histórias são escritas do ponto de vista cristão. Esses temas podem ser sutis, expressos por analogia ou mais explícitos.

Alguns exemplos são os livros da série Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis, e justamente Uma Dobra no Tempo,  de Madeleine L’Engle.

O ritmo da obra me agradou muito, mas talvez porque eu li com o olhar materno. Vi adultos recalamdno em blogs, mas creio que seja por uma expectativa irreal sobre um livro voltado para crianças! Achei bom para o que se propõe e para a época em que foi escrito!

Nada tão bobinho que canse um adulto, tampouco tão complicado que desanime um pré-adolescente. Livro para ler em família, comentando no café da manhã!

🙂

 

A Newbery Medal (Medalha Newbery) é um prémio literário concedido anualmente pela Association for Library Service to Children (“Associação de Serviços Bibliotecários para Crianças) da American Library Association (ALA) (“Associação de Bibliotecas Americanas”) para o autor da mais distinguível contribuição à liiteratura americana para crianças. O prêmio tem sido concedido desde 1922 e compõe, com a Caldecott Medal, um dos prêmios mais importantes de literatura infantojuvenil dos EUA. Recebeu o nome de John Newbery, um editor de livros juvenis do século XVIII.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.