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A mãe lê para o novo filho Big Mike e para o pequeno S. J. (interpratado por Jae Head, que não é tão citado nas críticas brasileiras, mas cuja vivacidade e graça fazem muita diferença na história e no filme)

Na época do lançamento do filme que deu o primeiro Oscar a Sandra Bullock (The Blind Side, dirigido por John Lee Hancock) eu li que foi mais uma premiação do desempenho de atrizes à frente de roteiros inspirados em histórias e personagens reais levadas ao cinema – e o texto citava Nicole Kidman como Virginia Woolf (The Hours) e Julia Roberts como Erin Brockovich. Segundo essa linha, Marion Cotillard só teria ganho o Oscar por sua atuação em La môme porque interpretava Edit Piaf e, sem dúvida, Merryl Strip seria a premiada neste ano por Julie e Julia.

Esperei ter a chance de ver o filme para opinar. E a experiência me fez confirmar o que penso há tempos: os prêmios da Academia são, como muitos outros que seguimos na TV a cabo curiosos pelo tapete vermelho por onde passam as celebridades, uma exaltação ao American Way of Life, à cultura estadunidense, ao que eles são e se orgulham de ser. Neste sentido, Merryl Strip teria pouca chance pois Julia Child era uma americana que morou muito tempo no exterior e, pecado!, se rendeu ao estilo de culinária francês, ao modo de viver europeu….

No entanto, Leigh Anne Tuohy (personagem de Sandra Bullock no filme) é a americana classe A, um espelho tão fiel de determinado tipo feminino quanto foi Julia Roberts em sua Erin Brockovich. E a história, de uma ternura imensa sem ter os detalhes chorosos e clichês de outros filmes de Sandra, é tão maluca e surpreendente que passa por inverossímil.

Uma decoradora bem-sucedida e mandona do sul dos Estados Unidos adota um (imenso) garoto de rua negro semianalfabeto? Ah, tá, conta outra! Quer me dizer que a moça bonita que foi líder de torcida, é casada com o namoradinho dos tempos de colegial (ex-jogador de futebol americano, católica e republicana, mãe de dois filhos (sendo uma mocinha) desafia os olhares de horror da alta sociedade e leva um menino negro desconhecido para dormir em sua casa na véspera do Dia de Ação de Graças? Fala sério, fica muito – mas muito – difícil acreditar. Mas a personalidade “tô nem aí” e a força (descomunal) de Leigh Anne vão, aos poucos, convencendo a plateia de que aquela mulher seria capaz de mover céus e terra por algo que queira. E, importante ressaltar, algo em que ela creia e acredite. Desta percepção vem a compreensão da passividade do marido que a apóia em silêncio, dos filhos que acatam a novidade e até das amigas que fazem piada do “novo projeto” dela.

Uma amiga tinha me sugerido ver o filme, no qual é impossível não se emocionar como mãe, mas sobretudo que nos permite ver como pequenas chances podem significar muito no resultado da vida dos nossos filhos e que agir segundo o coração pode fazer o bem aos estranhos e aos nossos próprios familiares – vejam o filme para entender como toda a família Tuohy ganhou de verdade com a vinda de Big Mike para casa.

P.S. Ah, e detalhe que fiz questão de esconder do Gui e dos meninos (vimos o filme em família, Enzo e Giorgio curtiram muito!): Michael Oher (interpretado pelo ator novato Quinton Aaron), o verdadeiro Big Mike, é hoje um jogador de futebol americano e um dos destaques da NFL (Liga Profissional Americana).

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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