Twitter, tendências de consumo e editor responsável por mídias sociais

Duas notícias que li logo cedo e que mostram um caminho que eu prevejo e comento há tempos por aqui: The New York Times elimina cargo de editor responsável por mídias sociais e Twitter ‘prevê’ tendências de consumo.

Quando, em maio de 2009, o NY Times indicou um Social Media Editor eu recebi até uma mensagem de um dos meus clientes falando: Sam, olha você aí. Sim, em alguns projetos, em especial no MdeMulher, eu atuei como Editor de Mídia Social, cargo que Jennifer Preston exerceu no tradicional jornal estadunidense até agora. E por que este cargo deixa de ter sentido tão cedo?

Neste meio tempo, seguindo os passos do NY Times, outros veículos de imprensa dos Estados Unidos também contam com editores responsáveis pelo desenvolvimento de redes sociais nas redações, como a Rádio Pública Nacional (NPR), Associated Press, e nesta semana, o jornal USA Today.

Se é natural um amadurecimento das relações de repórteres e editores (no caso do NYT e da Editora Abril), o que lhes deu, em pouco tempo, a consciência do valor das mídias sociais para o trabalho jornalístico, creio mesmo que este “cargo” é temporário e que a editoria de mídia social tende a ser absorvida por editores de conteúdo nos nichos, mas (e aqui entra sugestão minha), deve ser igualmente incorporada pelos responsáveis por uma ouvidoria dos veículos e das marcas, de modo a manter a janela de conversação com as novas mídias sempre aberta e a troca “ventilada”, com bom “feng shui” e funcional de verdade.

E as novas equipes responsáveis pela aplicação das mídias em veículos “antigos” deve elaborar novas ferramentas que auxiliem na escolha de fontes e informações obtidas por plataformas como Twitter.

“Mídia social não pode pertencer a apenas uma pessoa, isto precisa ser parte do trabalho de todos”

A resposta de Preston é simples e assertiva, demonstrando a rapidez das mudanças neste universo das novas mídias. E está intimamente ligada à segunda notícia, a que diz que o Twitter prevê tendências de consumo. Como? Ora, no “microblog-MSN coletivo-rede social” está uma “arma poderosa para ajudar a entender o que querem os consumidores hoje, e até amanhã”. Nele postamos nossos sonhos de consumo (na hashtag #euquero, por exemplo) e reclamamos das marcas que falham conosco (usando a hashtag #fail para quase tudo). Vasculhando o Twitter ou fazendo um bom filtro de assuntos que nos interessam conseguimos rapidamente avaliar como as marcas estão e saberemos se vale ou não a pena investir.

O artigo de Grazielle Schneider comenta que em novembro, a consultoria E.Life pesquisou o termo “quero comprar” e registrou 20.795 mensagens, um aumento de 35% em relação ao mês de agosto, demonstrando sinais de aquecimento por conta do final do ano, Natal e 13 salário. “Entre a infinidade de produtos citados, sete aparecem mais (somando 19%): livro, ingresso, CD, roupa, DVD, celular e camiseta. E em tempos de iPad, o melhor presente parece ser o bom e velho livro, campeão de citações.”

O que podemos aprender com esta sugestão do Twitter como guru das tendências do mercado? Em vez de identificar quem teria necessidade de um produto, as empresas ficam só monitorando “#fail”, que é falha, junto com o nome da empresa. O marketing não é para apagar incêndio”, diz Martha Gabriel, consultora em marketing digital.

E você, consumidor, que não tem que monitorar nenhuma marca também pode tirar proveito disso. Antes de comprar algo (um celular, o novo carro, escolher o hotel para as férias) vale “tuitar” e perguntar se os seguidores têm feedback positivo sobre o que você escolheu. E se você não tem Twitter, pode ver o feedback do mesmo jeito: basta escrever os termos na caixa de pesquisa e ver o que aparece, como na imagem abaixo. Ela já lhe dará bons indícios desta análise espontânea do mercado.
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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