TV faz 60 anos e é repensada por estudiosos

“O fim da televisão brasileira como conhecemos é uma questão de tempo, ou de muito pouco tempo”.


A sobrevivência da televisão tal como conhecemos hoje é uma das grandes questões que afligem os acadêmicos da área e foi o tema central do Celacom 2010 – XIV Colóquio Internacional sobre a Escola Latino-Americana de Comunicação, que reuniu no Memorial da América Latina (São Paulo) estudiosos de comunicação – em especial da TV.

Li um artigo interessante de @danielkastro (colunista do R7) sobre o tema, focando na visão da autora de estudos sobre a telenovela e o cinema brasileiros, Cacilda M. Rêgo, autora da frase com a qual abri o post.

Ela acredita que a TV digital e a convergência do televisor com outras mídias, principalmente o computador, vai mudar a TV e que “a televisão do futuro será um portal de televisão com convergência de mídias”. Vai além: surgirá com ela um novo telespectador, emergente e convergente, que navega por várias mídias, que assiste a TV de diversas formas.

Nós já não somos assim? Quando vemos novela, futebol, seriados, jornal e não resistimos ao impulso de tuitar nossa opinião ou quando no site dos veículos deixamos nossa opinião, não estamos exatamente nos portando assim? E será que a TV acabou em nossos lares por conta disso?

Como consumidora eu não creio nisso. Ainda não tenho um aparelho de TV conectado de fato à internet, mas usei um destes na sessão cinema em casa da Samsung. E por enquanto, mesmo a chance de navegar direto na TV – ou mesmo a escolha de ver filmes e seriados no meu computador – ainda não me fez desistir da TV, sequer me convenceu a deixar de pagar pela TV a cabo (embora esta, eu admito, está cada dia mais obsoleta, como ficaram os canais de filmes, que já descartei há meses sem remorsos posteriores).

Creio que concordo com outra palestrante do evento, Ana Carolina Rocha Temer, pesquisadora da Universidade Federal de Goiás e da Universidade Metodista de São Paulo:

“O Brasil nunca esteve com tanto aparelho de televisão ligado. Tem TV ligada no supermercado, nas casas. O aparelho de TV é onipresente. Então é um paradoxo dizer que a televisão está em crise. O que acontece de importante no Brasil está na televisão. O brasileiro se vê na televisão como uma espécie de continuidade da vida. Está na televisão, é importante”.

Você se lembra como foram estes 60 anos? O inicio das transmissões televisivas brasileiras regulares, em 18/09/1950, foi antecedido por poucos dias, do inicio das transmissões no México, em 31/08/1950. No âmbito mundial a televisão brasileira foi a 5ª a entrar em funcionamento, antecedida, pelas transmissões nos Estados Unidos, em 1939; na Inglaterra, em 1946 (houve um período anterior iniciado em 1936 que foi interrompido em 1939); na França, em 1947 e no México, em agosto de 1950. Nesses 60 anos, a televisão consolidou-se como o mais influente veículo de comunicação de massa e construiu formas específicas de linguagem e de interação com o público, com particularidades nacionais, regionais e locais. E na última década as novas tecnologias digitais de gravação, transmissão e recepção de mensagens televisivas estão redesenhando o perfil desse veículo. 😉

[De autoria de Cacilda M. Rêgo, vale ler o estudo Novelas, Novelinhas, Novelões: The Evolution of the (Tele)Novela in Brazil e de Ana Carolina Rocha Temer o estudo Mídia e Cidadania: uma relação na perspectiva história]

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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