a vida quer

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urso-de-ouro.jpgConfesso que, além do Oscar, até vejo alguns discursos do Golden Globe ou Emmy, mas não me habituei a acompanhar os festivais do cinema europeu. Falha imensa da minha parte, eu sei, mas minha educação cultural é muito estadunidense, como diria meu irmão. Ontem esta falha me penalizou, pois só hoje de manhã, ao abrir a Folha de S. Paulo soube que o Tropa de Elite conquistou o Urso de Ouro de Melhor Filme no Festival de Berlim.

Vi o filme como muitos brasileiros, numa cópia pirata que um colega de trabalho insistiu em emprestar e veio a calhar quando Myla me provocou num comentário do Nossa Via a escrever sobre o tema. Eu estava lendo Rota 66 de Caco Barcellos (já lera O Abusado, do mesmo autor) e tudo conspirou para eu aceitar o empréstimo – entendam, é uma missão hercúlea ir ao cinema quando se tem filhos pequenos e tempo livre só no final de semana em que a empregada não está disponível.

Gostei do filme, creio que já comentei aqui. O elenco global, como sempre, ajuda e a produção mostra a que veio. José Padilha, até então diretor de um único filme, o documentário Ônibus 174, pareceu-me acertar em cheio no que ele diz ser um retrato, como afirmou no discurso ontem em Berlim:

Ônibus 174 mostra como os garotos de rua no Brasil são levados à violência e Tropa de Elite mostra como o Estado transforma pessoas que entram para a polícia em seres humanos corruptos ou violentos“.

Se eram estes os objetivos, ponto para ele. Fico feliz que ele não tenha discursado afirmando que o filme retrata o Brasil, porque este tipo de afirmação me tira do sério. O Brasil é feito de gente boa, trabalhadora, séria, eventualmente ainda muito parecida com o “homem cordial” do Sérgio Buarque de Holanda, meio malandra como o “Zé Carioca” que Walt Disney criou, mas sobretudo um povo tão eclético em seus costumes e na sua cultura que não merece ser estigmatizado como um povo da favela e da miséria humana, apesar da grandeza de filmes como Carandiru, Cidade de Deus e Central do Brasilaté ontem o único filme brasileiro a ganhar, dez anos atrás, o Urso de Ouro.

Fiquei com a pergunta na cabeça: que legado cultural estes prêmios e filmes nos deixam?

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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