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Eis que depois de publicar este post li com calma a notícia do segundo parto do “homem grávido”. Thomas Beatie nasceu Tracy Lagondino e passou por terapia hormonal e cirurgias para se tornar legalmente homem. Como alterou somente sua aparência e optou por manter útero e ovários, teve duas gestações porque sua mulher, Nancy, de 46 anos (com quem ele é casado há quase seis anos) não podia engravidar. Segundo a rede de TV ABC, o parto foi normal e a mulher de Beatie é quem amamentará a criança. O mesmo havia ocorrido com Susan Juliette, nascida em 2008.

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Há alguns dias assistimos a Transexuais no Irã, um documentário da BBC sobre uma realidade que me impressionou: no país dos aiatolás, um dos berços da civilização (porque a Pérsia já foi uma das grandes nações quando boa parte do mundo começava a se organizar), o homossexualismo é expressamente probido por lei, mas os homens podem fazer cirurgias subsidiadas pelo Estado para mudar de sexo.

A ironia não acaba aí. As “novas moças”, que raramente são aceitas pelos familiares e acabam morando juntas em repúblicas de transexuais nas grandes cidades, acabam se prostituindo. Opa, mas prostituição pode? Na verdade não, mas a lei local permite casamentos por uma hora – e é perfeito casar por uma hora com uma mulher que não pode engravidar, não? Percebem meu tom indignado? É porque fiquei mesmo insandecida com a realidade que obriga quem é “diferente” a ser “outra pessoa” – notem que mais de um deles conta que não queria fazer a cirurgia de mudança de sexo e que não o faria se morasse em outro país!

Tenho uma opinião antiga que há alguns dias deixou de ser uma insanidade minha para ser uma realidade compartilhada com algumas pessoas. Depois da entrevista para Época do casal de mulheres que não se aceita como homossexuais (vale ler aqui), pude conversar com vários amigos e ver que não sou a única a considerar que a opção sexual não tem relação tão direta e sine qua non com a forma como a personalidade se exprime. E travestir-se é manifestar a personalidade mas, embora geralmente venha junto, esta opção não tem que acompanhar a opção sexual!

Ainda bem que em nosso país, aos trancos e barrancos para alguns – e muito naturalmente para outros -, estamos começando a reagir melhor às diferenças que podem nos separar ou nos unir, conforme nossa escolha. Às vésperas da 13ª edição da Parada do Orgulho LGBT (que acontece domingo, 14/06) São Paulo ganhou um ambulatório dedicado exclusivamente a travestis e transexuais, que funcionará na rua Santa Cruz, 81, Vila Mariana, de segunda a sexta das 14h às 20h.

P.S. O primeiro dos vídeos do documentário está abaixo.  Todos os vídeos estão disponíveis no canal UPersia do youtube.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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