entretenimento

Eu deveria fazer um review de cada um dos filmes separadamente, mas como mãe de menino eu não pude deixar de encontrar muitas reflexões em comum nas duas produções que agitaram o mercado cinematográfico nestas férias (de inverno para nós, de verão para o hemisfério norte) e que fecham duas histórias que marcaram uma mudança significativa na forma como o cinema vê a infância.

Antes de Toy Story, lançado em 1995, as animações por computador eram vistas com todas as ressalvas do mundo – e o filme, que acabou ganhando prêmios e criando uma nova escola, sofreu duras críticas. Além de ser computadorizado ele trazia um enfoque que parecia absurdo para as superproduções da Disney na época (Pocahontas e A Bela e A Fera, para citar só duas), pois focava a história no verdadeiro universo infantil, com músicas singelas (Amigo estou aqui é das minhas favoritas para sempre desde a primeira vez que ouvi) e um enredo focado na realidade mais cotidiana de uma criança: seu imaginário e sua relação íntima com os brinquedos.


[Eu chorei desde o começo do filme com as cenas gravadas pela mãe do Andy, tá? E chorei ainda mais no final….]

Amei ver Woody e Buzz representarem a chegada da irmã do Andy (porque, em uma das possíveis análises, é sobre dividir amor – ou a capacidade de amar mais de um filho/brinquedo – que trata o primeiro filme) e no segundo filme chorei com a Jessie pensando em todas as minhas bonecas perdidas no tempo. Toy Story 3 fecha a história de Andy com sua ida à universidade, marcando o final da infância (é aos 17 e não mais aos 7 que deixamos para trás as coisas de menino) e ensina não só a reciclar e doar, mas relembra como é de fato importante viver a infância. Saí de lá com vontade de “ensinar” meus filhos a brincar como eu brincava, a montar cabanas com as mantas de dormir apoiadas nas cadeiras da sala de jantar e montar a vila playmobyl para todos os irmãos brincarem até cansar e chegar a hora de dormir.

E por falar em vila, lembrei de Shrek e Fiona no novo filme que fecha sua história de amor às avessas. Como todo “macho”, o ogro cansou de tudo e resolve ter um piti bem no meio do aniversário de um ano do filho. Que mulher não viu marido amarelar quando a relação chega a este ponto em que ele se vê afundando em responsabilidades? O que os maridos não sabem é que a gente também sufoca e tem uma vontade imensa de ter um só dia sem todas as obrigações do mundo – até porque não temos aqueles ombros másculos de Atlas, né? A coisa pesa muito e dá vontade de fugir, mas nem por isso saimos por aí assinando acordos sem ler e sem pensar nas consequências… o tal contrato que Shrek assina com Rumpelstiltskin é uma alegoria a muitas pequenas concessões que os homens comprometidos fazem e que parecem que vão durar só uma noite (ou um final de semana de viagem de negócios) não é mesmo?

Na verdade as mulheres também fazem isso (lembram da personagem de Vera Farmiga em Up in the air?), mas elas normalmente pensam nas consequências, na prole, no que virá – e mesmo a Fiona (opa, spoiler aqui) solteira da realidade paralela pensava na posteridade o tempo todo em sua escolha como chefe do gurpo de rebeldes. E o filme é sobre o que virá e o que poderia ter sido diferente se as escolhas de cada um fossem outras… vale a pena ver para reflexionar, para pensar na sua própria vida e no que poderia ter sido, no “what if” (“e se” eu tivesse feito aquele intercâmbio e não continuado o namorico que acabou em casamento, “e se” eu tivesse pensado duas vezes antes de largar o emprego para ter bebê, “e se” eu tivesse feito aquele MBA no exterior?).

De quebra os dois filmes têm trilhas sonoras boas e efeitos 3D que permitem uma fuga da realidade perfeita, daquelas que todos nós precisamos em todas as idades e fases da vida.

Recomendo muitíssimo.

P.S. Fomos, Gui e eu, à pré estreia de Shrek a convite da agência de McDonald’s, com direito a um café da manhã antes do cinema no Shopping Eldorado. Como os meninos estavam na casa dos avós em Curitiba, imaginem, foi mesmo um dia atípico (cinema de manhã, com Mclanche, brinquedinhos e uma super folga da vida de mãe e pai). Nos divertimos muito e ainda nos demos o direito de outro abuso: almoço com lanche do ogro, como Gui contou aqui. Eu adorei o peperone apesar de ter achado que tinha cheddar demais. 😉

Posts relacionados

Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook

SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline Estatísticas