Tiny apartments – ou como ter só o que a gente precisa para viver

tiny apertments - Lego-style apartment transforms into infinite spaces by Christian Schallert - crédito da foto reprodução de site.bmp

Já morei em apartamentos do Japão e sempre comento que foi lá que Gui e eu aprendemos que a gente não precisa de tantos metros quadrados para ser feliz. Mas tem outras lições que eu tirei da vida fora do Brasil e que vira e mexe eu revejo em vídeos como os que incorporo neste post – todos de pessoas que descobriram que podiam viver bem com pouco espaço, usando poucos e úteis objetos e, acima de tudo, otimizando sua vida.

No geral a gente pensa que quem mora em “tiny spaces” (espaços pequenos) é muito infeliz e sonha com grandes áreas onde possa guardar suas coisas, viver com “verdadeiro conforto” e receber seus amigos. Mas, pensem bem: quantas vezes por ano você realmente recebe muitas pessoas?

Aqui em casa até acontece cerca de uma vez por mês, mas mesmo com nossa “cozinha que conversa” não creio que chegue a 10 ocasiões nos 365 dias do ano em que temos mais de 6 convidados à mesa. E quanto ao conforto, pense um pouco: quantas horas do dia você realmente usa os sofás da sala? Por acaso eles não são aproveitados justamente nos horários em que você não está dormindo no quarto?

tiny apertments - A Tiny Apartment Transforms into 24 Rooms by Gary Chang - crédito da foto reprodução de site.bmp.bmp

Ou, se vocês têm “media station” (TV, computador, som, videogame) individualizados, nos quartos, os sofás da sala não ficam a maior parte do tempo vazios? Aqui em casa optamos por ter um espaço de lazer em comum – na sala tem equipamentos para ver TV, jogar, ouvir música – e fazer dos quartos o espaço privativo de descanso.

Por conta desta escolha, que teve grande influência no meu quarto do Japão no qual eu guardava os futons de dormir no armário e com isso ganhava uma área grande para receber os amigos, os quartos são pequenos. E o sofá da sala (onde na verdade usamos mesmo as almofadas tipo zabuton, aquelas de sentar no chão, para poder guardar tudo quando queremos jogar wii ou os meninos querem espalhar brinquedos) é realmente usado, em vários momentos do dia, para ler, descansar, conversar e até ver TV. Um sofá, que se transforma em cama de casal quando temos visitas. O espaço é otimizado, como temos tentado fazer em todos os espaços de casa, buscando cada vez mais nos desfazer de coisas obsoletas e criar um ambiente que usamos com satisfação.

TV Câmara mostra um documentário sobre os imigrantes na Argentina, os cortiços e as dificuldades sociais no final do século XIX - a vida era tão sofrida lá quanto aqui!
(Nem vou colocar muitas fotos porque este espaço da sala foi renovado recentemente, abrimos nossa casa para o documentário Sua casa, seu orgulho, da Suvinil e logo mostrarei para vocês o resultado do trabalho da Blues Filmes no nosso canto)

Convido-os a repensar no supérfluo do cotiano (coisas que você tem e que poderiam tranquilamente ser doadas para quem precisa e sonhos que você acha que deveria realizar, mas valem pouco na concretização de uma vida plenamente feliz) vendo os vídeos abaixo e quem sabe se inspirando para um novo modelo de lar, que espero, ganhe força no nosso país e nos faça mais colaborativos (porque quem mora em espaços menores tende a aproveitar com mais cuidado e prazer os espaços coletivos) e mais felizes com os sonhos que podemos ter e concretizar.

O mais inspirador, pelo entusiasmo do morador e autor do projeto, é o vídeo “Lego-style apartment transforms into infinite spaces“, que mostra o espaço de 24 m2 incrivelmente bem aproveitados por Christian Schallert, que diz ter se inspirado em barcos (ele cresceu numa região de lagos onde tinha muitos barcos, que são conhecidos exatamente por este aproveitamento que ele fez). É meu favorito porque é menos tecnológico e dá a sensação de que “todo mundo pode fazer”, sabem?

O apartamento do arquiteto Gary Chang, no vídeo “A Tiny Apartment Transforms into 24 Rooms“, é um reflexo do oriente que está habituado a viver com pouco espaço e usa tecnologia para vencer tudo.

E um projeto de realização mais simples, em Nova York, o “Simple life Manhattan: a 90-square-foot microstudio“, bem pequeno (e, se comparado com os outros, mais bagunçado”), mas real e eu diria que mais “factível”, o que deve render muitas menções na mídia para Felicia Cohen. E, vamos combinar, a vizinhança dela vale cada centímetro perdido. 😉

Para quem quiser continuar a leitura, um começo está aqui. E vale ler o post Como os móveis podem economizar espaço, de onde tirei o vídeo abaixo:

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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