Thiago de Mello em Sampa

thiago-de-mello.jpgNão fui a única a reagir em êxtase, @lufreitas twittou disso outro dia. O motivo é que é raro este poeta sair do seu paraíso – sua heartland – e ele está em Sampa desde domingo, concedendo entrevistas e se preparando para o que será o relançamento de Amazonas – Pátria da Água, livro que tem fotos de Luiz Cláudio Marigo. O evento acontece às 19h30 na Saraiva Mega Store Pátio Paulista.

Ainda não se achou? Vou ajudar: Thiago de Mello é um poeta amazonense e eu o conheci com a paixão de meus sogros por seus textos, especialmente Os estatutos do homem. O texto é lindo e vou deixar no meu Abre Aspas de hoje. Interessante como sua história lembra a de muitos autores importantes de sua geração, que foram mandados para longe de casa para estudar (ele saiu de Manaus para o Rio de Janeiro fazer faculdade de Medicina) e acabam se encontrando numa nova profissão. A diferença é que o Rio não se tornou nunca a Heartland dele (eu adoro esta palavra, soa uma escolha, diferente da correspondente em português, que soa a imposição) e é no Amazonas onde vive e produz. Desde que decidiu que não seria médico, Thiago de Mello já escreveu mais de uma dezena de livros de poesia – “Faz escuro, mas eu canto”, “De uma vez por todas” e “Os Estatutos do Homem” – e de prosa – “Arte e ciência de empinar papagaio” e o próprio “Amazonas, pátria da água”.

capa-amazonas.jpgNeste livro, lançado em 1991, prosa e poesia estão intercaladas com imagens para contar a história do Rio Amazonas e como a floresta e a população ribeirinha dependem dele para sua subsistência. Não o li ainda, mas a editora promete uma viagem amazônica “desde seu nascimento através das águas de degelo dos Andes e a chegada de Vicente Pizón em 1500, até a guerra com a água salgada do Oceano Atlântico, os dias atuais e o alerta para a importância da preservação para o bem de toda a humanidade”. Nada mal, não? O relançamento é das editoras Boccato e Gaia e o conteúdo é todo bilíngüe (o que me fez lembrar do ), objetivando alcançar leitores no mundo todo.

Achei bem interessante (e despertou minha curiosidade) o fato de ser prefaciado por Armando Nogueira. Pena que não ganhei um exemplar, nem para mim, nem para sortear aqui, porque seria bárbaro. Mas vejam o que contava o release que recebi, já convence a comprar (o preço é salgadinho, cerca de 150 reais, porque é livro de fotografia, né?) e conferir.

O início da obra dedica-se a expor a história do lugar, sobre os nomes que o “grande mar doce” teve antes de ser batizado Rio Amazonas e o choque cultural entre os índios de tribos primitivas e os primeiros colonizadores. A segunda parte, ainda com um pouco de história, nos traz detalhes sobre o início da exploração predatória de suas riquezas, como a madeira e a borracha, por exemplo. Depois de trabalhar com fatos, a terceira parte do livro permeia sobre as lendas locais. O final nos aproxima do estilo de vida dos índios e da população ribeirinha, seu afastamento do desenvolvimento dos grandes centros e nos apresenta um panorama atual da devastação ambiental buscando mostrar a grande importância de sua preservação; ainda nos dando esperança. Como o próprio autor escreve: “A floresta amazônica ainda pode ser salva. O que dela sobrar vai ficar contente de ajudar a Vida”.
Cada um dos blocos é intermediado por belíssimas fotos de Luiz Cláudio Marigo, imagens de paisagens, moradores, fauna e flora. O título do livro faz referência à influência do rio de seis mil quilômetros de extensão e seus braços afluentes em toda a região que possui trilhões de metros cúbicos de madeira em pé e abriga um terço de todo o estoque genético do mundo. A população desta “pátria” dela depende para o seu transporte e alimentação, e por ela modifica suas rotinas, de acordo com o ciclo das águas – adaptando-se aos tempos de enchente e tempos de vazante.
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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