The pursuit of happYness

a-procura-da-felicidade-will-smith-wallpaper-13295

Os repetitivos traillers e reportagens na TV a cabo quase tinham me convencido a ir assistir o filme A procura da felicidade , com Will Smith e Jaden Cristopher Smith, mas ainda não sabia se valeria o esforço (e o gasto) de fazer um programa familiar no cinema. Em geral, eu espero os filmes sairem em DVD e alugo, para evitar todo o transtorno de levar os meninos ou de pensar em quem ficará com eles para irmos sozinhos. Mas minha irmã e meu cunhado foram ver na estréia e o e-mail entusiasmado dela nos convenceu a arriscar um filme com legendas com meninos que não lêem bem ainda.
Uma das primeiras cenas é o personagem principal contando que a procura da felicidade foi prevista há muito tempo como um dos direitos constitucionais do cidadão americano. Em nome da sanidade e da sobrevivência, é preciso acreditar neste direito . Até nossa ida ao cinema, domingo, pela primeira com Enzo e Giorgio para ver um filme que não era desenho e mesmo sendo censura livre não era infantil, foi uma busca assim, de algo melhor, algo além da luta para abastecer a casa, pagar escola, ter uma boa moradia, um carro confortável. Era a busca por uma vida completa.
Quando minha irmã falou que não houve uma pessoa no cinema que não tenha chorado, achei um exagero. Mas não era. É impossível não se identificar, em algum ou em vários pontos , com o momento de vida que o pai Cris Gardner passa com seu filho. Há a busca dele por uma vida melhor, é o mot do filme, mas em especial há o amor entre pai e filho (mais real ainda porque Will contracena com seu próprio filho) e no nosso caso a identificação com a época. Quem não sai correndo e tem que fazer em 6 horas o que os outros fazem em 9 porque precisa buscar o filho na escola? E quem não desanima ao saber que no horário de aulas da escola seu filho assiste TV?

A contextualização é muito boa e nos remete a 1981, quando eu tinha 8 anos, três mais que o menino da história. Como não se ver naquela vida? Como pai/mãe ou como filho, somos levados a pensar nas nossas próprias oportunidades, na nossa eventual ingratidão ou capacidade de aproveitá-las, naquilo que realmente queremos e que importa em nosso cotidiano e na nossa busca de um futuro melhor.

Mas, calma, o filme não é só reflexão. Tem bons atores, indicações a prêmios e é uma ótima produção de Hollywood. Mas não é exatamente um típico filme americano: Smith conseguiu ser mais humano que os blockbusters e encontrou o ponto certo de equilíbrio na história do homem que faz o impossível em busca da felicidade sem deixar de viver a felicidade de cada dia ao lado do filho . Numa das passagens mais lindas, que lembra A vida é Bela, de Roberto Benini , eles são obrigados a dormir no banheiro do metrô para não ficar na rua e o pai faz o menino imaginar que está entre dinossauros, numa floresta, procurando refúgio e o banheiro se torna a caverna deles.

Curiosidade do filme: o título em inglês, The Pursuit of HappY ness , está grafado propositalmente assim, com Y, porque remete a uma palavra que está na porta da “escolinha” na qual a criança estuda, em Chinatown, e que incomoda profundamente o personagem principal.

[update] O filme está disponível no Netflix [/update]

Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook