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Um dia desses, durante um almoço com amigas, uma delas indicou o “The Power of Introverts”. Dias depois, recebo uma recomendação dela para que visse e pensasse sobre este tal poder que os introvertidos (tímidos?) têm!

Fui colega de escola da Andréa e, com algumas pausas, somos amigas até hoje. Lembro claramente que ela era uma menina introvertida, embora não tímida nem insegura, simplesmente “na dela”. Formou-se em engenharia, casou com um engenheiro que, para combinar, é também introvertido. Por isso entendi claramente sua recomendação muito embora eu seja exatamente o extremo oposto: extrovertida, sempre interessada nos outros e no que vejo, falante e ouvinte.

Mas vejo na sociedade uma diferença grande entre a simpatia que as pessoas têm naturalmente com pessoas como eu e a preocupação com os que são introvertidos. Por isso, achei muito útil trazer para o blog este viés tão interessante da palestra “The Power of Introverts” (o poder dos introvertidos), apresentada por Susan Cain no TED de 2012, trazendo uma nova definição de introversão, explicando que esse traço é “diferente de timidez”.

Gostou?

Agora veja os argumentos da minha amiga Andrea Zotelli:

Gosto muito na abordagem dela: o mundo atual, as escolas e mesmo as empresas não estão preparadas para lidar com os introvertidos. E todos perdem com isso: os introvertidos, porque não são respeitados nem compreendidos em sua maneira de ser, além de muitas vezes deixarem de desenvolver toda as suas potencialidades. E perde o mundo, porque as mais brilhantes idéias muitas vezes nascem na mente dos introvertidos nos seus momentos de isolamento e solidão. Quem não se lembra dos maiores inventos da humanidade? Nasceram, em grande parte, da mente dos introvertidos.  Claro que não quero dizer com isso que os extrovertidos não tenham sua importância: todos têm. Mas o fato é que estes (os extrovertidos) já vivem em um mundo que está preparado para eles. Já os introvertidos não.
Acho o alerta da Susan muito importante:
Entender os introvertidos. Aceitá-los. Ajudá-los a desenvolver suas potencialidades. E ajudá-los a se aceitarem, a não se verem como alguém “fora” dos padrões – porque não são – vai não só trazer benefícios a eles, mas a todos nós.

Ela conta que fez estas escolhas em negação da própria personalidade e convida outros introspectivos a pensarem sobre seu valor para a sociedade.

Quando ela diz “é nossa perda com certeza, mas também é ruim para nossas comunidades (…), é a perda do mundo. Porque quando se trata de criatividade e liderança, precisamos (também) introvertidos fazendo o que sabem fazer.

Dados indicam que entre ⅓ e metade da população são introvertidos, algo como uma de cada duas ou três pessoas que você conhece, seus colegas de trabalho, seus cônjuges e seus filhos,  a pessoa sentada ao seu lado agora.

Introversão é diferente de ser tímido.

Susan Cain diz que “timidez é o medo de julgamento social e introversão é mais sobre, como você responde a estímulos, incluindo a convivência social“.

Ela defende que enquanto os extrovertidos anseiam grandes quantidades de estímulo, os introvertidos desgastam-se com isso.

O problema, segundo  palestrante, é que nossas instituições mais importantes, nossas escolas e nossos locais de trabalho, são projetados principalmente para os extrovertidos e para as necessidades dos extrovertidos – sem falar no “modismo” atual que defende que toda a criatividade e toda produtividade vem de um mundo muito  gregário.

Atualmente, a maioria de nós trabalha em escritórios de plano aberto, sem paredes, onde estamos sujeitos ao ruído constante e olhar dos nossos colegas de trabalho.

Eu definitivamente não sou introvertida, mas achei tudo muito interessante e me vi um pouco introvertida em algumas coisas. Introvertidos e extrovertidos podem parecer iguais por fora, mas se você observar como eles respondem às ocorrências do dia-a-dia vai notar diferenças. E assim também a gente pode se ver como um pouco introvertido.

😉

Aliás, as tendências de introversão ou extroversão de uma pessoa fazem parte de um espectro, não existem pessoas puramente introvertidas ou extrovertidas, de acordo com o psiquiatra suíço Carl Jung,, mas o introvertido fica mais óbvio e vulnerável quanto está num ambiente onde há estímulos demais.

P.S. A jornalista Melissa Dahl, do Science of Us, relatou as descobertas de Me, Myself, and Us: The Science of Personality and the Art of Well-Being (Eu, eu mesmo e nós: a ciência da personalidade e a arte do bem-estar, em tradução livre), novo livro do psicólogo Brian Little. O livro mostra que os introvertidos devem evitar cafeína antes de reuniões e eventos importantes. Quero ler!

 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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