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Uma mania que assumo e não consigo largar: ler livros que geram filmes e séries. Nesta semana terminei o primeiro volume da série de livros Crônicas Saxônicas escrita por Bernard Cornwell sobre a Grã-Bretanha dos séculos IX e X sobre Uhtred de Bebbanburg.

Nascido lorde Saxão na Nortúmbria, mas capturado e adotado pelos dinamarqueses (aqueles que chamamos de Vikings), o personagem é interessante e demasiado humano em suas incongruências naturais, de menino sequestrado que desenvolve Síndrome de Estocolmo e de órfão que luta incansavelmente para achar seu lugar no mundo, num momento e num local que mudam radicalmente.

A história se passa durante a invasão dinamarquesa à Grã-Bretanha, quando quase todos os reinos ingleses (pequenos feudos, ainda não unificados sob um rei) são conquistados pelos estrangeiros e apenas um reino se mantém inglês e católico, daí o nome O último reino.

A Inglaterra é o território mais extenso e mais povoado do Reino Unido, aquelas terras que sempre foram motivos de lutas, como muitas séries e filmes nos mostram. 

Habitada por povos celtas desde o século V a.C., foi colonizada pelos romanos entre 43 d.C. e princípios do século V. A partir de então começou a invasão de uma série de povos germânicos (anglos, saxões e jutos) que foram expulsando os celtas, parcialmente romanizados, até Gales, Escócia, Cornualha e a Bretanha francesa. No século X, depois de resistir a uma série de ataques vikings, unificou-se politicamente.

Alfredo, o Grande impediu a invasão dos vikings em seu reino, Wessex, por meio da construção de diversas fortalezas. Seu sucesso contra as incursões vikings e a reorganização do reino por ele empreendida fizeram com que a história lhe outorgasse o epíteto “o Grande”.

Para o leitor livro, no entanto, ele é cansativo, porém convivente.

O autor explica que, graças ao hábito de Alfredo de anotar tudo e ter escribas fazendo “atas” de todas as duas conversas, havia muito material histórico e literário para embasar a história.

E Uhtread é envolvente. A trama, tanto na série de TV quanto no romance, é cruel, nua e crua, mas interessante e instigante. O livro me segurou até o fim, mesmo eu tendo assistido a série antes e por isso saber tudo!

O nome do protagonista vem do histórico Uhtred o Ousado e, vejam, o escritor Bernard Cornwell afirma que descende desta antiga família! E aqui deve morar parte da paixão com o personagem.

🙂

E a série? Bom, a primeira temporada dessa aventura está disponível na Netflix e já se fala da terceira temporada.

A primeira temporada se passam em 872, quando muitos dos reinados que hoje compõem a Inglaterra caíram nas mãos dos Vikings e quando o Reino de Wessex é o único que resiste aos ataques.

Em uma mistura de heroísmo, política, religião, coragem, amor, lealdade, e a eterna busca por identidade, a série mistura figuras reais que fazem parte da História com eventos e personagens fictícios.

O elenco funciona bem e depois de ler o livro tive mais convicção disso.

Gosto de Alexander Dreymon como Uhtred e de David Dawson como Rei Alfredo. Adrian Bower como Leofric e Ian Hart como Padre Beocca também me agradaram em relação aos personagens da história.

Gravada em Budapest, a série de TV traz cenários naturais bonitos, e locações que condizem com a penúria descrita e com a realidade de que os britânicos não souberam como preservar e aproveitar o legado das cidades romanas em seu território e viviam em choupanas, em condições que fariam o Extremo Oriente da época se chocar.

 

 

A primeira temporada da série cobre os dois primeiros livros de Cornwell, O Último Reino e O Cavaleiro da Morte. Os outros são, na sequência: Os Senhores do Norte, A Canção da Espada, Terra em Chamas, Morte dos Reis, O Guerreiro Pagão, O Trono Vazio, Guerreiros da Tempestade e O Portador do Fogo.

10

Curiosidade: na virada do milênio eu lembro de reportagens sobre as metrópoles do ano 1000 e boa parte delas ficava no Oriente. O território europeu era um campo de batalha onde gerações sucessivas se guerreavam interminavelmente: visigodos e vikings, bretões e saxões, vândalos e ostrogodos, magiares e eslavos,um sem-fim de povos que aprendemos a chamar de “bárbaros”. Além da violência, a miséria, a ignorância e a superstição recobriam a Europa na marca do ano 1000. É dessa realidade que surgiram muitos muros em torno de castelos e se formaram cidades, pois os proprietários de terras transformavam seus domínios em unidades autônomas, territórios com fortificações feitas de árvores e espinheiros e com habitações cercadas de paliçadas.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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