Testei e aprovei as bicicletas do BikeRio

20120127-150810.jpg

Desde que escrevi no MudaRock sobre as atividades do empréstimo de bicicletas no Rio de Janeiro eu queria testar o BikeRio. Lembram-se que em Paris eu também quis testar, mas acabei não conseguindo? Pois desta vez no Rio eu não me dei por vencida e contei com meu companheiro de cicloativismo (o Gui, maridão) para testar se era mesmo rápido, fácil, barato e seguro pegar uma magrela e sair pela Cidade Maravilhosa.

20120127-151110.jpg

O serviço foi inaugurado em 28/10/2011 e permite alugar bikes em diversas estações (com a promessa de 60 estações em 14 bairros completando uma frota de 600 bicicletas) de uma forma bem simplificada.

Ao sair de uma reunião no meio da tarde e já com compromisso marcado para o começo da noite, nos vimos com um “gap” na agenda de 4h e aquela paisagem linda do Rio nos convidando para aproveitar as horas ao ar livre. O carro estava no shopping e, admito, até pensei naquele programa de cidade grande “shopping + cinema”, mas nos deparamos com uma estação do BikeRio na Rua Praia de Botafogo e não resistimos ao apelo visual das magrelas laranjas.

Pegar uma bike é realmente fácil…

20120127-150952.jpg

As orientações e regras gerais de uso estão bem claras nas estações. Para usufruir do serviço é necessário que o usuário tenha um cartão de crédito, que servirá como garantia do equipamento (caso ele seja danificado ou furtado), além de módica taxa de locação de R$ 10,00 ao mês ou R$ 5,00 a diária. Interessante é que você pode usar a bicicleta das 10h até as 22h, desde que faça intervalos a cada hora, sendo obrigado a devolver a bicicleta na estação mais próxima a cada período, com intervalos de 15 minutos entre cada retirada – Gui comentava que “essa sacada é maravilhosa, pois assim cria-se o hábito de pausar o passeio e também o conceito de devolução nos momentos de repouso”. E mesmo para quem usa como meio de transporte no cotidiano, para ir de um local próximo a outro ou como complemento do transporte público, o tempo é bem ajustado à necessidade.

Seguimos as orientações divulgadas na estação, entramos em contato com uma central telefônica, mas descobrimos, conversando com outros usuários (dois moços que usam diariamente as bikes e estavam lá trocando de magrela), que funciona bem melhor com cadastro na internet. O site mobile funciona para quem não tem acesso a aplicativos (um dos moços usava versão mobile web pelo BlackBerry), mas o ideal é usar os aplicativos disponíveis na Apple Store ou Android Market.

20120127-151639.jpg

Nossa experiência acabou na Praia Vermelha, onde tivemos que entregar as bikes porque a estação não tinha outras disponíveis. No dia seguinte, passeando com as crianças em Copacabana (#aos11 conseguiu andar bem, mas para #aos9 o modelo ainda é grande), vivemos uma situação oposta: tinha tanta bicicleta em duas estações que não conseguíamos devolver as nossas e quase partimos para uma terceira. Por sorte, um casal chegou bem na hora para retirar as suas e “trocamos”. Aliás, este casal usava celulares comuns, tinham feito cadastro no site pelo computador e seus aparelhos funcionaram muito bem para liberar as bikes por telefone. Ou seja, acabamos testando o funcionamento com vários gadgets!

Em resumo, aprovei e queria ter o serviço aqui – mas adaptado à realidade que eu vivo!

20120127-151456.jpg

Minha opinião sobre o aluguel e as ciclovias é de turista. Para mim, nas duas tardes, foi funcional e prático, mas tenho dificuldade de avaliar se a rota atende a quem poderia usar o serviço para ir ao trabalho ou para estudar. Sei que passei em locais onde tem muitas empresas e comércio (ou seja, com empregos) e também por uma das unidades da UFRJ (onde dois guardas municipais nos pediram informações sobre o uso, pode?) e considero que seria uma medida de utilidade pública para as rotas entre as estações BikeRio.

Estive em segurança o tempo todo, sem qualquer situação de risco nos trechos e me sentiria bem para repetir sozinha se fosse o caso. Na praia de Copacabana, ponto turístico muito famoso, vi ao longe um assalto a um grupo de senhoras orientais, um garoto levou um colar de ouro, mas logo a polícia agiu e “tentava correr” atrás do menino, que fugiu para os lados da favela Pavão-Pavãozinho.

E outra percepcão: no Rio as pessoas entendem bicicleta como opção de atletas e de uma atividade relacionada à prática esportiva. No primeiro dia eu estava de vestido social, com bolsa, maquiada (só o salto eu tirei) e chamei muita atenção porque fugia do padrão. Aqui em Sampa a realidade é mais próxima da que conheci como ciclista urbana no Japão, onde eu ia todos os dias de bike para o trabalho vestida com roupa social e isso era comum.

Ah, se tivesse um BikeSP, eu usaria para tudo! Mas tinha que ser na Mooca também, de preferência ligando as duas estações de metrô que ficam perto (Linha Vermelha com Bresser-Mooca e Belém e Linha Verde com Vila Prudente), nada de criar uma coisa legal assim e ficar só nas ruas descoladas da Zona Oeste e curtos trechos dos Jardins e da Faria Lima!

Vamos fazer um movimento para mostrar que vale a pena investir no lado de cá?

P.S. No post do MudaRock que citei a gente comentava das ciclorrotas paulistanas. E agora tem outra novidade por aqui: o metrô de SP liberou as bikes nas escadas rolantes (mas com horário diferenciado dos demais, pelo menos nos dias de semana), medida que deve facilitar muito a vida de quem usa os dois meios de transporte casados.

Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook