Jabuticabeira é luxo – e condomínio é purgatório! Será?

“A pressa do mercado em mandar projetos imobiliários para aprovação está pasteurizando as moradias paulistanas.”
Juliana Mariz no Blue Chip

Falei há pouco de Classe C e lembrei de uma entrevista com Silvio Kozuchiowicz, da SKR, que tratava das tendências no consumo de uma fatia do mercado que, geração vai, geração vem, continua consumindo: os jovens casais. Estima-se que 30 mil paulistanos vão mudar de casas para apartamentos até o próximo ano, no geral casais jovens entre 25 e 35 anos e com renda média de R$ 4 mil que deverão ocupar os cerca de 300 condomínios econômicos projetados em SP até 2012. O levantamento (da Lello), também parte da classe C, mas numa visão bem diferente da do post anterior. É gente que quer aproveitar os condomínios com modelo característico: 120 apartamentos cada, duas torres, piscina, churrasqueira e valor de condomínio em torno de R$ 200.

Os desafios deste grupo não estão na conta bancária para arcar com tudo, mas na convivência com uma realidade totalmente nova, “a vida em coletividade, vizinhos em cima, abaixo e dos lados, assembleias ordinárias e extraordinárias, necessidade de observar as normas internas e colaborarem com a segurança do prédio”. É uma realidade que ouço meus pais negarem sempre que digo que a casa onde moram está grande e que dá muito trabalho para os dois, aposentados sem crianças em casa. Minha mãe responde, convicta: “filha, condomínio é purgatório!”.

Mas condomínio é a alternativa para se sentir seguro e ao mesmo tempo ter certos luxos. O que devemos ter em mente antes de mudar para edifícios é qual o modelo de vida dos moradores, que padrão de vida as pessoas viverão, qual seu nível educacional, quais suas prioridades quando de uma decisão coletiva. Como saber? Na verdade não sei, mas identifico em detalhes como o valor e o detalhamento da taxa condominial e os benefícios aprovados para as áreas coletivas um bom sinal do que importará para o grupo com o qual conviverei por um longo tempo se comprar determinado imóvel.

E, ao ver projetos surgindo na minha querida e tradicional Mooca, me pergunto se as crianças precisam de brinquedoteca fechada para se divertir. Críticos afirmam que elas existem em condomínios para as babás conversarem – e as mães sem babás se sentirem estranhas no local.

Ela [a criança] precisa de uma jabuticabeira onde possa bater o pique no esconde-esconde. E a família tem que estar junto. Não precisa de um clube enorme onde você perde a criança de vista. Ter contato visual com a criança é fundamental“, afirma Kozuchiowicz.

Mas isso tudo não era a moda?

Foi uma tendência, em muito fortalecida pelo papo de vendedor. Concordo com Kozuchiowicz sobre algumas das tendências que vão além da churrasqueira na varanda – que pode ser um incômodo terrível dependendo do tipo de vizinho que a gente tem, né?

Prefiro pensar nestas novas tendências:

  • a ideia de ambientes mais abertos, no estilo loft, que transforma espaços menores em boas áreas de convivência
  • a alternativa de reciclar o quarto de empregada, criando um espaço multiuso (mais útil até do que o tal depósito na garagem)
  • espaços de home office para guardar livros ou trabalhar/estudar podem mudar totalmente com os laptops, tablets e leitores de livros digitais
  • salões de festas transformados em espaços multiuso que podem abrigar uma festa, mas também ser um lounge e se integrar de alguma forma a recepção do prédio
  • hub social para aqueles momentos em que a gente traz trabalho para casa ou quem trabalha em casa precisa arejar a cabeça e mudar de ambiente, criando um espaço que estimule a interação das pessoas – já pensaram quantos potenciais parceiros comerciais podem estar pertinho de você?

E o que mais me agradou foi saber que o luxo mudou de parâmetro: não é mais a sofisticação e sim buscar a qualidade de vida atendendo as necessidades reais de cada família.

E aí, concorda com esta visão das tendências nas moradias? O que você busca (ou gostaria) num lar ideal? Conte aí nos comentários!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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