Tecnologia pode comprar amor?

 

Esta pergunta está na chamada de uma pesquisa sobre a o uso da Internet e impacto social sobre indivíduos e famílias – e me fez pensar. Nove mil adultos e crianças online em 12 países — EUA,  Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Suécia, China, Japão, Índia, Austrália e Brasil — responderam a questões diversas oferecendo dados informativos sobre o impacto da tecnologia nos relacionamentos, educação no lar e segurança.

Percebi que ao ler a frase “Tecnologia pode comprar o amor” pensei imediatamente na impossibilidade de mensuração ou monetização dos sentimentos. Depois mudei o foco e notei o quanto a tecnologia tem aproximado pessoas. Tenho vários amigos que começaram relacionamentos pela web, mas minha reflexão vai além dos namoros online. Você já pensou no quanto a vida 2.0 ajuda a manter contato mais próximo com sua mãe, seus irmãos, primos ou mesmo cônjuge e filhos?
Ainda que eu trabalhe ao lado do meu marido, acostumamos de tal forma a trocar links e recados por IM que muitas vezes me parece que eu consigo compartilhar meus pensamentos com ele. Estou na sala de casa com meus filhos e eles fazem print screen de suas criações no Spore e me enviam diretamente do Picasa usando seus gmails, permitindo-me acompanhar suas descobertas e feitos. A mensagem chega para mim na mesma hora que na casa da avó coruja, que pode responder estimulando-os a criar mais, a transformar os animais e máquinas em histórias e tantas outras coisas. Creio que a vida não seria tão boa, tão cheia de companheirismo e de amor sem a tecnologia.
E eu não estou só. Segundo dados do Norton Online Living Report sete entre dez adultos em todo o mundo afirmam que a internet melhorou seus relacionamentos. Os motivos? O e-mail é a base da comunicação com amigos e família segundo 92% dos entrevistados, sendo que 66% dos brasileiros usam muito a webcam também. Metade dos adultos utiliza redes sociais, sete em dez acessam fotos online e utilizam Instant Messengers (IM) e 24% utilizam um serviço do tipo Twitter.
Minha mãe lê diariamente meu blog e de minha irmã, diz que assim sabe o que está acontecendo conosco e como estamos nos sentindo. Imagino que se ela usasse o twitter, conseguiria seguir um mapa do meu dia, mesmo estando a 500km de mim e conversando por fone comigo só uma vez por semana. Ela comprova algumas das conclusões da pesquisa, que “um dos benefícios evidentes da tecnologia é a sua capacidade de conectar (ou reconectar) pessoas de todas as partes. Estamos fazendo cada vez mais amigos por meio da Internet, e a linha entre o mundo virtual e o físico está cada vez mais tênue.”
Em números:  60% dos adultos online fizeram um amigo dessa maneira, e têm uma média de 41 amigos online; os adultos na China (86%), Índia (83%) e Brasil (82%) estão mais propensos a fazer amigos online, enquanto aqueles na França (32%) e Japão (38%) são menos propensos a fazer amigos online; os homens tendem a fazer mais amigos online do que as mulheres (neste ponto discordei totalmente, mas pesquisa é pesquisa!); três em quatro pesquisados foram conhecer pessoalmente alguém que encontrou originalmente online; 56% dos pesquisados utilizaram a internet para restabelecer contato com velhos amigos.
Para a maioria dos pesquisados a Internet é um veículo de comunicação e conexão positivo e fundamental. De fato, seis em 10 adultos afirmam que não poderiam viver sem ela. A web ajuda a tratar de temas delicados da mesma forma que favorece a cumplicidade. Um em quatro compartilhou um segredo online e um em quatro considera mais fácil discutir assuntos delicados online do que pessoalmente ou por telefone. Eu tinha uma amiga que não brigava com o namorado, se eles se desentendiam ela pedia para irem para suas casas e daí ela mandava uma mensagem. O namoro durou oito anos e já estão casados há 4. 
Mas nem tudo são flores, né? Um em cinco adultos online algumas vezes critica os comentários ou idéias de outras pessoas, mais freqüentemente no Brasil (37%), China (35%) ou Índia (27%) contra Suécia (8%) e Japão (8%); um em dez pesquisados algumas vezes ridiculariza outras pessoas online, mas três em dez na Índia estão mais propensos a fazer isso; e cerca de um em dez pesquisados na Índia e Brasil admite enviar um email “ofensivo”. 
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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