cidadania / relacionamentos

“A “tecnodesinibição” é um fenômeno que acontece tanto para temas cotidianos e pessoais como na maneira como nos relacionamos com qualquer outro assunto. Segundo estudo da MicroDialogue, feito com mais de 1.200 usuários de redes sociais nos EUA, quase um terço dos entrevistados disse que por meio de redes sociais sentia mais poder de fazer algo que fazia sentido para seus princípios, mas não tinha coragem de executar. A “tecnodesinibição” é um desafio para a comunicação moderna. Consumidores, eleitores, clientes, cidadãos estão cada vez mais propensos a compartilhar opiniões -positivas ou negativas- e querendo contar histórias sobre as suas experiências.”
Alexandre Hohagen  

Defendo sempre a idéia de que as redes sociais nos trouxeram de volta o controle social. Ao compartilharmos quase tudo nas redes nós damos aos “vizinhos” o direito de opinar, ajudar, apoiar e muitas outras ações sobre o nosso cotidiano.

Ao contrário do que alguns pensam, este controle social não é todo ruim. Ele pode nos render soluções novas e facilitar nossa vida. Exemplos são os citados hoje num artigo na Folha de S. Paulo por Alexandre Hohagen (chefe de operações do Facebook Brasil) ilustram bem a “utilidade” da exposição da vida privada.

“Seu Benedito tem 79 anos de idade. Sofre do mal de Alzheimer. A doença, em seu início, gera falhas esporádicas de memória que se repetem com frequência variável, sem constância. Na semana passada, seu Benedito saiu de casa e não teve condições de voltar. Continuou andando a esmo. Ao se dar conta do desaparecimento de seu pai, o filho rapidamente acionou as autoridades e começou uma busca intensa nas imediações do bairro onde mora a família, na zona leste paulistana.”

Foi quando o filho teve a ideia de compartilhar pelo Facebook a foto do pai, bem como uma descrição de como ele estava vestido no dia em que desapareceu. Em menos de 24 horas, mais de 30 mil pessoas compartilharam a nota do filho e seu Benedito foi encontrado em Itapevi, município vizinho a São Paulo.

“No mês passado, nos EUA, Deborah levou seu filho ao médico para verificar manchas e inchaço na face. Diagnosticado como tendo uma simples alergia, Deborah voltou para casa e no Facebook compartilhou com os amigos uma foto dos dois festejando a boa notícia. Em poucos minutos, recebeu várias mensagens de pessoas sugerindo que o problema com o filho era mais sério do que o diagnóstico que o médico havia passado. Deborah levou o garoto ao hospital e lá descobriu que os sintomas eram decorrentes de uma enfermidade rara, muito grave e mortal chamada Doença de Kawasaki. Tratado a tempo, o menino se recuperou completamente.”

Interessante o viés encontrado pelo autor para debater o comportamento das famílias citadas. Não há grande novidade não! Há séculos, quando queremos encontrar alguém, distribuímos informações para que outras pessoas nos ajudem. No caso de saúde, nos habituamos a conversar com quem está próximo, amigo ou conhecido, compartilhou nossas mazelas e confiando nos conselhos que recebemos.

Em tempos de redes sociais, há muita discussão em relação à mudança de comportamento das pessoas. Mudamos nosso comportamento social? Estamos diferentes? Fazemos coisas que não fazíamos antes? Sim e não.”

Por isso endosso o que ele disse: o comportamento social é o mesmo. O que mudou foi a facilidade e o “empowerment” que as pessoas têm com novas tecnologias sociais.

As ferramentas encorajam e amplificam ações, em escala nunca antes vista. Imagine quantos cartazes colados nos muros seriam necessários para fazer com que 30 mil pessoas se conectassem com cada amigo para informar sobre o desaparecimento de uma pessoa. E a rapidez, o alcance e a facilidade de usar a rede social para ajudar estimularam a atitude das pessoas. É o fenômeno da “tecnodesinibição”, ou o desejo de agir diferentemente do normal quando se está on-line.

Quem tem de se comunicar com o público deve estar atento a essa realidade e monitorar como as pessoas estão construindo histórias. De que forma narram uma experiência para amigos. O desafio não é simples. O resultado, porém, pode ser fascinante. 

P.S. Quer dois exemplos de tecnodesinibição? #outubrorosa e #vaidoa! Dois projetos lindos que nasceram na web, ganham força a cada dia e que já “fizeram o bem, sem saber a quem” muitas vezes.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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