Tablets melhoram a velocidade e a facilidade de leitura de pessoas com perda de visão moderada

“A leitura é um prazer simples que, muitas vezes, tomamos como um dom natural. Mas ela é uma habilidade, que pode ser perdida ou dificultada devido à perda parcial da visão. Os resultados do estudo mostram que os tablets podem melhorar a vida das pessoas com perda parcial de visão, auxiliando-os a se reconectarem com o mundo”.
Virgílio Centurion, oftalmologista

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Não sei como foi por aí, mas aqui os iPads foram os “brinquedos” dos avós neste Natal. Ao contrário do que a frase parece dizer, eles não deram tablets para os netos, compraram para si. Minha mãe e meu sogro compraram cada um o seu, num presente pessoal, e para meu pai (que se aposentou em 1993 e sempre foi arredio ao uso de computadores) eu e meus irmãos nos cotizamos e compramos um de presente.

O resultado? Deu gosto de ver como a tecnologia intuitiva do tablet os aproxima dos netos e que bonito é vê-los trocando de lugar, aprendendo com as crianças! Além disso, sinto uma aproximação deles nestas semanas pois eles acompanham mais diretamente as atualizações em redes sociais e com isso fazem parte do cotidiano dos filhos e netos.

Na volta das férias, me deparei com uma pesquisa que me mostrou uma vantagem que vai além desta. De acordo com os pesquisadores, pessoas com perda de visão moderada podem aumentar sua velocidade de leitura em até 15 palavras por minuto usando um tablet com uma tela retroiluminada. A perda de visão é relativamente comum depois de “certa idade” e não raro os “jovens idosos” sentem-se desanimados quando percebem este sinal da idade. Uma coisa puxa a outra e com a visão prejudicada começa um processo de distanciamento do mundo e, em casos mais avançados, até de esquecimento e confusão.

Daí meu entusiasmo quando vi esta novidade, a de que as pessoas que têm doenças oculares que prejudicam a visão central podem recuperar a capacidade de ler rapidamente e confortavelmente usando tablets. De acordo com os pesquisadores, o uso do tablet resultou em velocidades mais rápidas de leitura para todos os participantes do estudo, não importando o seu nível de acuidade visual.

A perda da visão central afeta milhões de pessoas que têm doenças oculares – como a degeneração macular ou a retinopatia diabética – que danificam as células sensíveis à captação da luz pela retina. Quando os tratamentos – óculos, medicamentos ou cirurgias – não são mais eficazes, os oftalmologistas podem ajudar seus pacientes a maximizar sua visão restante, utilizando utensílios de magnificação, desenvolvidos para pacientes com visão subnormal. Antes das telas digitais, os únicos auxiliares de leitura eram as lupas iluminadas, que são mais inconvenientes de serem usadas, quando comparadas ao tablets.

No estudo, realizado na Escola de Medicina Robert Wood Johnson, em New Jersey, e apresentado na 116ª Reunião Anual da Academia Americana de Oftalmologia, os pesquisadores descobriram que todos os 100 participantes ganharam pelo menos 42 palavras por minuto (WPM) ao usar o iPad com definição de fonte de 18 pontos em comparação com a leitura de um livro impresso ou jornal. Um ganho mais modesto, de 12 palavras por minuto (WPM), em média, foi alcançado pelos participantes que usaram o Kindle ™. Os pacientes com visão mais pobre – definidos como 20/40 ou pior em ambos os olhos – mostraram uma maior melhora na velocidade de leitura quando o tablet foi usado em comparação com materiais impressos.

Os investigadores acreditam que a tela do IPAD retroiluminada é a chave para a velocidade de leitura significativamente melhor alcançada por pacientes com perda de visão moderada. O fator de visão envolvido é a sensibilidade ao contraste, que significa ser capaz de ver um objeto separado e distinto do fundo e de discernir tons de cinza. A perda de sensibilidade ao contraste é comum em pessoas com baixa visão. O contraste palavra/fundo elevado fornecido por uma tela com iluminação de fundo é uma grande vantagem para esses pacientes. Especialistas brasileiros do IMO (Instituto de Moléstias Oculares) comentaram a pesquisa e sugerem que o Kindle original, que foi utilizado no estudo, não possui uma tela com iluminação de fundo, por isso, além da tela retroiluminada, outra vantagem do iPad e outros tablets é a facilidade para ampliar as letras até o padrão que o paciente consegue ler sem o auxílio de lupas.

Mesmo sem grandes problemas de acuidade visual no momento, considero que vale a pena estimular este exercício confortável de leitura para muitas pessoas, pois o esforço visual diário para manter ou melhorar a eficiência visual facilita tanto a leitura quanto as atividades do cotidiano.

E por que relacionei os avós e este estudo?

As doenças mais comuns que provocam uma baixa de visão são a degeneração macular relacionada à idade e outras maculopatias, como a diabética, miópica, associada à hipertensão arterial sistêmica, pós-oclusão vascular, por estrias angióides, pós-descolamento seroso de coróide, buracos maculares, queimaduras térmicas ou queimaduras por olhar para eclipse. A baixa visão também pode ocorrer devido a degenerações maculares hereditárias, como a Areolar, distrofias de cones, Doença de Stargadt, coloboma de mácula, pucker macular, alterações vítreo-retinianas, edema macular cistóide e trauma.

No caso de degeneração macular relacionada à idade, os pacientes apresentam queixas de dificuldades funcionais na leitura muito precocemente, mesmo com acuidade visual para longe relativamente preservada. É muito importante reconhecer esse tipo de problema e iniciar a reabilitação visual, pois o uso de adições progressivamente maiores propicia maior eficiência visual e facilita a aceitação e a adaptação aos auxílios ópticos: telescópios, lupas e lentes.

Agora falando especificamente do uso de tablets pelos avós…

Sugeri aos três novos usuários de tablets da família a instalação de aplicativos que os mantém ligados nas notícias (como o Flipboard) e ensinei a comprar livros no iBooks ou em sites de editoras, atendendo às necessidades de cada um. Por exemplo, para minha mãe, que terminou a faculdade de Teologia depois que se aposentou do Direito, ensinei também a usar o aplicativo de podcasts para ouvir as preleções do pastor Ed Renê Kivitz, da IBAB, igreja que nós frequentamos e ela raramente pode visitar por morar em outra cidade. Jogos interessantes, que estimulem o raciocínio, também são super indicados, sabiam? Ajudam a relaxar e a manter a mente bem atenta. Se na sua família os “jovens idosos” curtem Sudoku, Palavras Cruzadas ou Xadrez, aproveite para indicar aplicativos destes jogos para eles. Outra dica muito boa é ligada a música (estou testando o aplicativo Deezer, sobre o qual devo postar nesta semana) e vídeo, como o Netflix. Viram, facilmente montamos um “pacote básico” de aplicativos para que os avós fiquem super nerds!

E aí, este processo já começou? Conte para nós como tem sido e faça suas indicações também!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.