Supernanny



Recebi hoje a revista Sotaque Brasileiro, edição de outono de 2007, com a reportagem que fiz sobre o fenômeno da Supernanny brasileira. Posto aqui meu papo com ela.
O livro é finalmente a chance de termos a visão da Cristina Poli educadora, mãe e avó, mais livre do formato do programa internacional?
Certamente o livro é minha visão como educadora abordando os temas que tem a ver com o programa.
Antes mesmo do lançamento do programa do SBT, cerca de 5 mil famílias se inscreveram e hoje as pessoas falam da Supernanny em todo lugar e dizer “chama a Supernanny” virou quase um jargão. Na sua opinião, o que fez esta formula dar tão certo no Brasil?
A necessidade que as famílias tem de uma orientação para trazer a unidade, a harmonia , a ordem, o amor e a disciplina para cada lar. A sociedade precisa resgatar os princípios morais básicos que se perderam com o tempo e aplica-los no dia a dia .
A inglesa JoJo enfatiza em seu programa o espaço individual da criança, repetindo um dos valores característicos da cultura deles, que é “fisicamente mais distante” que a nossa. Quais as outras diferenças culturais a senhora leva em consideração ao planejar suas ações para a família brasileira?
Cada família é uma família, com suas características e sua história, então quando entro nas casas planejo cada método com muito cuidado. Nós somos latinos e isso nos faz diferentes, somos mais afetivos, mais comunicativos e agimos bastante com o coração. O que tenho tentado resgatar nas famílias é o tempo de qualidade de todos juntos e as refeições em família, entre outras coisas.
A revista Sotaque Brasileiro é lida por casais inter-étnicos, formados por brasileiros e canadenses. Quais desafios a senhora considera mais difíceis para estas famílias multiculturais?
Um desafio para esses casais é entrar num acordo e encontrar um ponto em comum na educação de seus filhos. Nada impossível, mas que requer muito diálogo, boa vontade e disposição para acertar as diferenças.
Sua experiência como educadora é em escola bilíngüe, que agrega crianças de outros países e submete os locais à atividades diferenciadas e com carga horária mais puxada. O pouco tempo na escola e excesso de tempo livre das crianças brasileiras é prejudicial? Podemos considerar a falta de atividades uma das razões para o mau comportamento em casa?
O tempo livre fora da escola em si não é prejudicial, o que colabora para o mau comportamento é não ter nenhuma atividade programada para esse tempo livre. Tenho encontrado famílias com muito tempo ocioso, não há criatividade nas crianças ou nos adultos, fora da tv, o vídeo game ou o computador, e isso afasta os membros da família entre si e promove o mau comportamento.
O livro aborda os temas tratados com mais ênfase nos programas de TV: conflitos de relacionamentos (entre os cônjuges e entre os irmãos) e a responsabilidade. A maior dificuldade da educação atual é a falta de responsabilidade dos pais que não querem mais ser tão duros quanto seus ancestrais?
Muitos pais estão perdidos com respeito à educação de seus filhos e não sabem como assumir a autoridade ou a responsabilidade nessa situação. Um tempo atrás a educação era muito rígida, depois foi para o outro extremo e tornou-se muito permissiva, hoje eles não sabem como agir, estão inseguros, não querem ver seus filhos como muitos jovens que andam por ali, estão assustados e sem rumo. Precisam de ajuda.
Lembro de ter visto um programa em que o pai era muito rígido e criava-se um clima de terror para a mãe e as três filhas pequenas quando ele chegava em casa. É mais grave ser um pai agressivo e intimidador ou omisso?
As duas situações são prejudiciais. Tanto um quanto o outro precisam ser ensinados a assumir sua posição de pai e de autoridade na família para trazer a ordem e a disciplina de maneira adequada.
Todos os programas que assisti mostravam famílias com pai, mãe e filhos, mas me parece que as famílias de pais solteiros (cada dia mais comuns) ou até de crianças que moram com um dos pais e os avós (e visitam a outra familia nos finais de semana) são muito problemáticas também. Não mostra-los foi uma opção do programa? Porque?
Certamente queremos mostrar casos como os descritos na sua pergunta, mas não tem se inscrito famílias com o perfil adequado para o programa. Esperamos que na terceira temporada possamos contar com esses casos que hoje em dia são tão freqüentes e que precisam de muita ajuda.
E quanto aos filhos únicos? É mais difícil para os pais imporem limites para um só?
Não é mais difícil para os pais imporem limites para um filho só. Com um ou mais filhos a fórmula é a mesma: amor e limites.
Pode parecer estranho, mas quando vejo os programas eu penso: “eu não preciso da Supernanny”, porque meus filhos não brigam, comem bem, fazem sua higiene sem problemas, dormem e acordam sem dramas e são cordatos no relacionamento conosco. Qual é o conselho para mães e pais que já venceram estas etapas iniciais repetidamente mostradas no programa?
Quero dar os Parabéns! Para vocês e para todos os outros pais que compartilham de sua experiência. Estejam preparados porque cada fase dos filhos é diferente da outra, mas, se vocês já foram bem sucedidos nas etapas iniciais, com certeza conseguirão vencer as dificuldades que eventualmente virão a aparecer. Agradeço a vocês pela oportunidade de compartilhar minhas experiências e opiniões com os leitores. Fico à disposição para qualquer outra ocasião. Deus abençoe todos vocês.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.