Qual o diferencial de um supermercado sustentável?

Nesta quinta eu cruzei a cidade por bons motivos: 14 km para conhecer, em Santana, na Zona Norte, uma unidade de um supermercado sustentável. Já ouvira falar de outros assim, mas nunca tinha tido a chance de, efetivamente, ir visitar e conhecer todos os detalhes que fazem a diferença num empreendimento que pretende ser exemplo de baixo impacto ao mesmo tempo em que “educa” o consumidor para fazer escolhas mais saudáveis.

Logo de cara, ao subir as escadas entre o estacionamento e a loja, gostei de ver o caixa verde para descarte de embalagens. Não estou falando daquele local para colocar baterias usadas, pilhas, celulares… é uma caixa que nos permite deixar no mercado o excesso de embalagens dos produtos, aqueles que possivelmente jogaríamos no lixo assim que desempacotássemos as compras no mercado. Lembrei do Japão onde era comum deixar as embalagens inúteis no próprio mercado.

Ao entrar e me ambientar (era um evento que convidava tanto a população quanto jornalistas para a inauguração da unidade) conversei com o assessor de imprensa e a responsável pelo Twitter “sustentável” do projeto que me informaram que não só o novo supermercado, mas todas as lojas da rede (Pão de Açúcar) fazem logística reversa e apóiam cooperativas de reciclagem.

Mas, além disso, o que tem o supermercado de tão especial?

Chama atenção o fato de ser a primeira loja verde da América Latina com certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), maior reconhecimento mundial para certificação ambiental de edificações. No geral a gente fica pensando que sustentabilidade é “separar lixo”, mas há tanto mais para pensar quando o projeto quer ser integralmente bom, com menos impacto… um dos pontos importantes é a eficiência no uso de recursos, que é um dos pontos vistos pela LEED, pois uma loja verde conta com soluções completas para o descarte correto de resíduos e materiais recicláveis; diminuição do impacto socioambiental no processo da edificação; e consumo racional de água, energia e insumos.

Mas como vemos isso numa loja? Em pontos como os que listo abaixo:

  • Medidas de eficiência e redução no consumo de energia, a loja conta com controle de iluminação, com timer e sensores inteligentes, e a iluminação é composta por lâmpadas LED, proporcionando economia de energia de aproximadamente 80% se comparado a uma lâmpada incandescente tradicional.
  • No telhado, a utilização de cobertura zenital garante iluminação natural e cobertura com alto índice de refletância que diminui a ilha de calor, resultando em impacto favorável no microclima com consumo eficiente de energia. Entre os equipamentos, a escolha da rede foi por aparelhos de alto desempenho, com capacidade maior ou igual às versões tradicionais e menor demanda de energia.
  • Nos balcões frigoríficos e no ar-condicionado é utilizado o gás ecologicamente correto R404. Além disso, me chamou bastante atenção o fato da área refrigerada ficar em frente ao que pode ser beneficiado com o frescor (vinhos, queijos que não exigem geladeira, etc) e estar disposta em U, de forma que o ar mais frio acabe servindo como um condicionador da temperatura da loja – e o gerente me contou que isso alivia o sistema de ar-condicionado, que, aliás, não utiliza água para a climatização dos ambientes.
  • A água utilizada nas áreas internas (chuveiros e áreas de manipulação) é aquecida com o calor excedente da casa de máquinas. Para racionalização do uso da água, a instalação de torneiras com comprovada melhoria de rendimento e vasos com possibilidade de escolha de vazão vão permitir 40% de redução do volume utilizado.
  • Nos materiais e mobiliário da loja, destaque para a priorização pela sustentabilidade por meio da utilização de madeira com certificação FSC (Forest Stewardship Council/Conselho de Manejo Florestal).
  • No estacionamento, são oferecidas 73 vagas, com espaço diferenciado para veículos flex: ao lado da entrada e das vagas preferenciais determinadas por lei. Os ciclistas também têm a segurança do bicicletário, com três vagas. (Pouco, eu sei, mas pelo menos os ciclistas são considerados!)

E quanto aos produtos, afinal, supermercado quer é vender, né?

Há sim uma linha diferenciada de produtos, com amplo sortimento de alimentos orgânicos e uma linha de comércio solidário, produtos que têm grande destaque em relação aos convencionais nas gôndolas, com o objetivo de facilitar a identificação do consumidor durante as compras. Pelo que entendi, o projeto de adequação das lojas Pão de Açúcar para ampliação da venda de produtos orgânicos é uma proposta que envolve melhor exposição com o agrupamento de itens orgânicos (já são 750 em linha), facilitando a escolha do consumidor e reforçando o posicionamento da marca no segmento.

E a loja que visitei hoje tem outro ponto que vale destacar: é a primeira unidade da rede aberta após o ‘Compromisso com a Natureza’ firmado pela rede em junho, que contempla, entre outras ações, o desafio de fazer com que 100% das novas unidades da bandeira sejam construídas a partir do conceito de loja verde. Vamos torcer para que tudo – em especial a forma como se relacionam com o consumidor e a comunidade do seu entorno – seja sustentável nestas lojas, representando não só a busca por uma vida com mais qualidade, mas também uma redução do consumo e da ansiedade de ter, de forma que possa (clichê do clichê, mas verdade) ser trocada pela reconstrução do ser que é o ponto importante nas relações humanas, até nas que envolvem o mercado consumidor.

Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook