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O Conto da Princesa Kaguya (かぐや姫の物語) é um dos filmes ternos do Studio Ghibli que renova a fé na beleza e delicadeza do mundo.

Relacionamos Ghibli a Hayao Miyazaki, mas esse filme, lançado no Japão em 2013 e no Brasil em 2015, é posterior à aposentadoria do mestre que nos presenteou com Meu vizinho Totoru e se tornou conhecido internacionalmente com A viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no Kamikakushi), em 2002, primeiro filme de língua não-inglesa a ganhar o Oscar de melhor filme de animação, e é considerado o 10º melhor filme da história do cinema.

a viagem de chihiro hayao miyazaki

Há quem diga que Hotaru no Haka (1988) seja o melhor do estúdio, pois é considerado um dos melhores filmes de guerra já feitos. Meu favorito é Vidas ao vento (Kaze Tachinu), de 2013,  cinebiografia de Jiro Horikoshi, o nome por trás dos aviões utilizados pelo Japão durante a Segunda Guerra Mundial. Ao contrário dos filmes anteriores (Chihiro e O castelo animado), recheados de elementos fantásticos, neste filme Hayao Miyazaki mostra um Japão delicado e mais real, retratando tanto o personagem quanto os cenários e fatos com nuances negativas e positivas. Indicado ao prêmio de melhor animação no Oscar, foi o terceiro trabalho do cineasta a concorrer na categoria, após A Viagem de Chihiro, que ganhou em 2003, e O Castelo Animado, indicado em 2006.

vidas ao vento hayao miyazaki

E meus filhos gostam de Ponyo, a amizade que veio do mar.

ponyo hayao miyazaki Um garoto de 5 anos chamado Sosuke fica amigo de uma princesa peixinho-dourado chamada Ponyo, que quer desesperadamente virar humana.

Em O Conto da Princesa Kaguya, o que se vê é a direção do grande parceiro de Miyazaki, Isao Takahata,  co-fundador do Studio Ghibli. Muito do “clima europeu” das obras do Ghibli se devem a ele, pois Takahata é formado em  Literatura Francesa na Universidade de Tóquio. Achou pouco? Ele é conhecido mundialmente por ter criado as séries Marco e Heidi.

🙂

Eu adorava Heidi e meu esposo cresceu assistindo Marco.

serie Heidi Isao Takahata

Baseado no folclore O Conto do Cortador de Bambu, foi realizado e escrito por Takahata. E me lembra as histórias que minha Batian Matsuno “cantava” em japonês para nós na minha infância. Ela nasceu em Niigata em 1902 e, embora tenha vivido toda sua vida adulta no Brasil, se empenhava muito em ensinar aos netos as traduções da sua terra, que mais tarde eu tive como lar e aprendi a amar. Aliás, quando moramos em Tokyo, nosso trabalho era justamente na região de Akebono, em Bunkyo, onde Miyazaki nasceu. <3

O que eu gosto muito: a relação da humanidade com a natureza e tecnologia, e a dificuldade de manter uma ética pacifista, temas recorrentes dos filmes dele. E especialmente sua preferência por retratar os protagonistas como meninas fortes e independentes ou jovens mulheres. Para completar, os antagonistas são uma parte interessantíssima, sempre apresentados como seres moralmente ambíguos e com algumas qualidades redentoras.

Não é tudo lindo? Alguns desses filmes estão disponíveis no Netflix (como Ponyo) e outros estão na própria TV a cabo, como A Princesa Kaguya, que vimos no Telecine Zone. 😉


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