St Patrick’s Day

 

St Patrick's Day Parade por !!WaynePhotoGuy.

Embora eu não tenha tido educação católica e não saiba quase nada de santos, minha curiosidade sócio-histórica me fez ir atrás da história de Saint Patrick. Simplificando podemos dizer que St Patrick foi um missionário encarregado de converter os Irlandeses ao Cristianismo no século 4º (D.C.) e por isso é considerado o fundador da Igreja Católica na Irlanda – um dos países católicos mais radicais, como já comentei em Where streets have no nameSunday, Bloody Sunday.

Mas minha simpatia pela Irlanda e por este nome tem uma motivação religiosa sim: quando decidimos casar, Gui e eu demoramos a decidir onde faríamos a cerimônia religiosa e, num gráfico de ancestrais X religião, concluímos que teria mais sentido na igreja católica. Decidimos pela igreja do bairro onde eu morava, curiosamente uma Paróquia com nome de santo casamenteiro (Santo Antônio), onde depois também batizamos nossos filhos. E o pároco da igreja naquela época era um irlandês de meia-idade, sotaque carregado, visão humanitária e lutadora do seu lugar na igreja e que, vejam, se chamava Patrick. Padre Patrício, como os paroquianos o chamavam, fora professor universitário de economia em seu país (e na conversa, confesso, dava brecha para pensarmos que tinha lutado em outas batalhas fora da educação) e já maduro decidira ser padre. As conversas que Gui tinha com ele (porque meu noivo não tinha feito Primeira Comunhão e não quis fazer só para casar, mas foi “doutrinado” em conversas semanais com o pároco por alguns meses) ficaram para nossa história. E nos fizeram respeitar e admirar aquele país.


Nunca fui à Irlanda, menos ainda nesta data, mas imagino uma mistura de Dia de Nossa Senhora Aparecida com Carnaval quando vejo as cenas das paradas nas ruas das cidades. Já estive nos EUA num Dia de Ação de Graças e o entusiasmo nas paradas me pareceu, de certa forma, parecido com o do nosso povo. Agora imaginem isso com o fôlego dos irlandeses e aquele ar de Círio de Nazaré paraense – na verdade, poucas manifestações no mundo devem ser tão fortes quanto o Círio, mas fica a idéia. A programação oficial – quase toda gratuita – promete também teatro de rua, artistas circenses e números musicais e culmina com uma caça ao tesouro, uma gincana que convida a seguir pistas espalhadas pela cidade.

Outra lembrança que me veio à mente – já morrendo de vontade de conferir in loco o próximo St Patrick’s Day – é com os festivais (matsuris) do Japão, que perpetuam e ensinam uma tradição secular (milenar) ligada à formação cultural de um povo e que, inexoravelmente, é ligada aos rituais religiosos. Todo mundo deveria vivenciar ao menos uma vez esta experiência coletiva!

Curiosidades:

  • A cor verde é associada ao dia de St Patrick porque é a cor da Primavera, da Irlanda (considerada a ilha verde) e do trevo. As crianças em idade escolar seguem ainda hoje uma pequena tradição, beliscam os colegas que não usam verde neste dia.
  • As pessoas vestem-se de verde e pintam trevos no rosto porque o trevo é o símbolo da Irlanda. St Patrick usava-o como uma metáfora para explicar o conceito da Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).
  • Li no Estadão que em São Paulo acontece de 13 a 27/03 o Festival Cara Irlanda, com degustação de cervejas, apresentações literárias, exposição de fotos e muita música.
Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook