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“Uma cultura focada na magreza feminina não revela uma obsessão com a beleza feminina. É uma obsessão sobre a obediência feminina. Fazer dietas é o sedativo político mais potente na história das mulheres; uma população passivamente insana pode ser controlada”

As frases não são minhas. São de Naomi Wolf (creio que em O Mito da Beleza) citada por Renata Corrêa no texto “Você prefere gozar ou ser magra?“.


Antes de chegar na tese do controle social, Renata falava de algumas conversas que rolaram no seu grupo de amigos de escola quando ela postou fotos antigas, da época de escola/faculdade. E suas lembranças me trouxeram conversas com outras amigas e a lembrança de que praticamente todas as mulheres se depreciam de alguma forma quando olham suas fotos antigas.

Renata tem razão, Naomi também.

Mas sabem o que é pior do que esse controle? É saber que nós estamos no comando.

Não quando escolhemos ficar magras (gastando tempo pensando nas dietas ou trabalhando ou dirigindo só para fazer aquele tratamento estético para caber numa nova roupa) ou quando deixamos de ter tempo para estudar, ler, ver filmes, namorar e gozar sem medo e sem culpa.

A gente faz isso quando encontra com a amiga, a prima, a tia e de cara fez algum comentário sobre a aparência dela.

E não diga que na faz isso porque eu não acredito. A gente é treinado para esses elogios vazios, é um condicionamento difícil de perder.

Mas é possível.

Uma dica que eu dou para as pessoas é começar com as crianças. Ao invés de chegar falando para as meninas “que roupa linda”, “seu cabelo está ótimo”, “está uma boneca”, pergunte “do qual desenho ela gosta”, “qual seu bicho ou música favorito”, “do que ela gosta mais na escola” e tantas outras coisas que estão no âmago do ser humano que está ali, na sua frente, compõem um retrato que vai além do que você já está vendo. Depois, se quiser, pode até falar da roupa, do cabelo, dos olhos e até conversar sobre moda, se ela gostar! Mas comece pelo interior, depois volte ao exterior visível.

E com as mulheres mais velhas, é simples:

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Na dúvida sobre o que é certo ou errado, basta pensar no que não gostaria que fizessem com você.

Ah, e se você gosta que comecem falando da sua aparência e de como emagreceu, amiga, vale a pena incluir uma terapia aí nos planos de ano novo.  :p

Aliás, está perto do final do ano e eu tenho perguntado para minhas amigas:

– Quais são seus planos? O que você tem bolado, sonhado? O que deseja realizar no novo ano?

No começo elas demoram. Acho que as pessoas não falam mais essas coisas.

Quem se interessa em ouvir você? De verdade, com calma e coração aberto? Sua mãe? Seu amor? Sua melhor amiga?

Daí começam a falar ou escrever e me contam coisas lindas e incrivelmente pessoais, incomparáveis, sem igual. Nesta hora noto como cada um é único, lindo, especial.

Sorrio sozinha. Sorrimos mutuamente. Renovamos a esperança.

Nestas “Festas” de final de ano, faça uma experiência. Saia do controle social estético, se controle e antes de elogiar a aparência das mulheres à sua volta, pergunte:

E aí, quais são seus planos? O que você tem sonhado?

Aposto que vocês vão se encher de coisas boas! Uma riqueza que se multiplica!

🙂

P.S. Na mesma linha, mas seguindo além, na discussão do que faremos com a longevidade que nossa geração alcançou é que nos diferenciará de nossos pais e avós, Cynara Menezes em Perdas e Ganhos, nos faz refletir sobre o tempo:

“Tem uma coisa estranha a respeito do tempo: ele é indolor, mas só até certo ponto. Você não sente que o tempo passou — só quando começa a doer. Quando começamos a perder entes queridos é que a gente se dá conta dos dias, dos meses, dos anos que foram vividos. É como se a morte do outro fosse a senha para a nossa entrada na idade adulta. Subitamente envelhecemos.”Eu só enxergo dois caminhos para quando se chega a certa idade, ali pelos 45, 50 anos: optar por se dedicar a manter desesperadamente a juventude, à custa de muitas cirurgias plásticas e processos estéticos invasivos com resultados discutíveis, ou investir na sabedoria. Cynara Menezes Socialista Morena


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