cidadania / entretenimento

Ontem estive no evento que relançava o livro Sonhos que de cá segui, do escritor, arquiteto, cartunista (e tantas habilidades mais) nikkei Silvio Sano. Foi uma honra ser convidada e mais ainda finalmente conhecer Silvio, sua esposa Kazue e o filho Carlos (que atuou, com visível orgulho do pai, como fotógrafo da festa) – conhecer pessoalmente, pois embora tenhamos sido colegas de redação (ambos fomos colunistas do mesmo veículo de comunicação nipo-brasileiro), trabalhando em redações remotas, eu em Curitiba, ele em São Paulo, não tínhamos nos encontrado ainda.

silvio e kazue sano sonhos que de ca segui samegui

Assim que nos achamos na web Silvio me presenteou com um dos últimos exemplares de seu livro, publicado originalmente em 1997, e a história me emocionou profundamente. Eu ainda sentia com muita força o “nihongairi” (saudade ou falta do Japão) e ao ler a história do casal de nisseis de boa formação que migra para o país de seus ancestrais, pude me identificar em coisas boas e ruins, elocubrar como teria sido se eu tivesse me instruído mais sobre os costumes do Japão atual, como teria sido realmente entender as características milenares preservadas por lá. Mas, acima de tudo, eu senti o livro como um retrato fiel – não perfeito, mas fiel no cerne do que representou o movimento dekassegui – de mais de uma geração de descendentes de japoneses.

Nas palavras dele (no texto abaixo e no vídeo – tosco – que eu fiz ontem):

Em época de crise global, todos foram afetados… inclusive o Brasil, concordem uns, não concordem outros. E nossos conterrâneos trabalhadores, lá fora (EUA, Europa, Japão, etc.), também sofrem as conseqüências. No caso dekassegui, em vista disso também, houve a questão do retorno repentino, e com alguns trazendo filhos nascidos no Japão ou que foram para lá ainda pequenos, mas tendo em comum o desconhecimento da língua portuguesa (pátria), além do confronto com “outra cultura” (Pode?). Pois é, este livro conta a história deles, baseado em uma família fictícia, ainda nos primórdios desse movimento migratório, mas com cenário de fundo verdadeiro, já que baseado em mais de 300 depoimentos de dekasseguis, daquela época. Por isso aborda desde as razões que levam uma família de boa formação a ter de sair do próprio país que nasceu em busca da recuperação da dignidade de viver, às passagens pelos abusos das  agências intermediárias, à adaptação na nova terra (Japão), aos conflitos com os nativos japoneses, aos conflitos com os próprios patrícios, até a realização do pé-de-meia, uns, sim… outros, não.

Na nova edição o prefácio é de Cláudio de Moura Castro (articulista da revista VEJA, ex-diretor do Banco Mundial na área da Educação e atual presidente do Conselho Consultivo do Colégio Pitágoras, que tem uma rede de escolas para filhos de dekasseguis no Japão) comprovando que o universo dekassegui não é tema restrito à comunidade nikkei no Brasil. Nas fotos abaixo (clique para ampliar) é possível ler as palavras dele.

🙂

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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