Sobre pesos e medidas das confecções brasileiras



“Em tempos em que a indústria propaga investir em modelagem plus-size você entra em lojas em que o número 40 de hoje equivale ao 36 ou 38 de ontem. Pior, você descobre que quem usa 40 ou 42 hoje pode ser considerado plus-size por algumas marcas e agências, apesar da numeração vestir pessoas com corpo dentro da normalidade.”
@smiletic em Alguém adivinha o manequim?

Há alguns dias Simone Miletic levantou no seu blog um tema sobre o qual eu já falei aqui há alguns anos e que me incomoda profundamente: o manequim das roupas no Brasil.  Eu não sabia, mas ela se formou em tecnologia têxtil em 1995 e conta que já naquela época “a questão da numeração em roupas brasileiras era um problema discutido e rediscutido pela indústria – além da questão da falta de padrão entre as lojas, existe a questão da falta de padrão dentro de uma mesma marca“. Simone continuava

“O tempo passou, ouvimos falar sobre uma lei que estabeleceria limites de diferença para uma mesma numeração. Mas ela não vingou.
Em tempos de internet alguns sites optaram por criar no cadastro das usuárias uma tabela em que ela entre com suas medidas, o site faria a comparação com as medidas da marca e então diria o tamanho certo de roupa a ser comprada ali. Eficiente em alguns casos, em outros a tabela deixa a desejar, principalmente quando falamos de sites multimarca.”

[Eu uso o tamanho que ela comentava no post, normalmente compro calças e saias tamanho 38 e, vamos combinar, não tenho nada de padrão né? Com 1,50, sou muito pequena para ser um tamanho que deveria ser o padrão brasileiro. E fico feliz porque depois de ter filhos eu “encorpei” e consigo comprar roupas prontas aqui no Brasil!]

Em Tamanhos e padrões eu refletia o padrão – não só o temanho – das roupas masculinas. Será possível comprar roupas no Brasil guiando-nos apenas pelos tamanhos descritos nas etiquetas? Ainda falta à indústria brasileira adotar um padrão mais flexível, na minha opinião um baseado em medidas, não em tamanho. No Japão as roupas são para determinada altura de peso (no caso de crianças e adolescentes) e na altura para os adultos. As calças têm medida de quadril e cintura, perfeito, quase dá para comprar sem provar! E ainda tem aquele detalhe da lingerie que faz ficar perfeita: medida de “bust”, “underbust” e três tamanhos de bojo. Será que um dia chegaremos lá?

P.S. Sugestões de leitura sobre o mercado e os tamanhos diferentes:

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Jornalista, blogueira, casada com @gnsbrasil, @maecomfilhos de 3!, consumidora de cultura, tecedora de redes em mídias sociais, empreendedora na @otagaissama. Voluntária desde os 8 anos, praticante de boloterapia desde os 9, entusiasta e praticante do aleitamento materno como #maede3, acredita no poder das mídias sociais para promover o bem no estilo #socialgood e adota uma vida material minimalista.
Tags: moda e estilo,

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  • http://telmanodivan2.blogspot.com Telma Maciel

    Isso realmente incomoda. Pensar que compro calça 40 e o meu uniforme vem com numeração 44 é incrível! Se fosse verdade ainda não seria o problema! Dessa vez vieram duas calças, uma M e outra G. Contar que a G ficou justa e a M ficou tranquila, vc aqcredita?
    A falta de padronização (e de respeito) é complicada! Pq a indústria têxtil brasileira continua fechando os olhos pra não ver que as crianças de hoje são muito maiores do que as de 10 anos atrás, por exemplo! E essas crianças praticamente tem que comprar roupas e sapatos para adultos. E aí, qndo se tornarem adultos imensos da altura? Vamos ter que voltar à época dos alfaiates, fazendo tudo sob medida. E as lojas, como vão ficar? Precisam começar a enxergar isso, né?
    Beijo!

    • http://www.avidaquer.com.br Sam Shiraishi

      @Telma Maciel, por isso mesmo acho que uma alternativa à padronização seria usar medidas, como contei que é no Japão. E para mudar isso precisamos começar a fazer pressão!

  • http://twitter.com/samegui/status/19905969595 Samantha Shiraishi

    Sobre pesos e medidas das confecções brasileiras http://goo.gl/fb/di8MO

  • http://twitter.com/samegui/status/19906955016 Samantha Shiraishi

    relembrei aqui uma discussão que tive com @renataruiz em 2008 e post recente de @smiletic http://goo.gl/fb/di8MO – #FF nas duas

  • http://twitter.com/telmaciel/status/19908038927 Telma Maciel

    RT @samegui: Sobre pesos e medidas das confecções brasileiras http://bit.ly/8ZRQGQ

  • http://twitter.com/anamagal/status/19910636027 Profissão:Jornalista

    #meusfeeds Sobre pesos e medidas das confecções brasileiras http://bit.ly/90u1ol

  • http://www.italytex.com.br/blog tecido vestido

    Gostei muito do post!

  • http://www.desconstruindoamae.blogspot.com Ingrid

    Oi!

    Aqui em Porto Alegre há uma rede de lojas chamada TOK, com roupas bastante femininas e que alguns anos atrás era aberta a todos os públicos exceto infantil. Nela comprava-se roupas confortáveis, além de bonitas.

    Pois de uns tempos pra cá ela parece ter se direcionado para adolescentes e jovens adultas e agora apenas encontra-se roupas em tamanhos P e M, o que significa até tamanho 40, não sei se alguém lembra, mas até 42 e 44 até alguns dias costumava ser M!!!

    Essa ditadura do manequim alterado, em minha opinião, reforça a histeria pela magreza absoluta das jovens e, embora aos 35 anos me considere bastante jovem, pareço estar inadequada não apenas para usar roupas dessa marca, como também de várias outras, como redes de grandes lojas/magazines.

    Fico preocupada quando minha menina de 6 anos é grande para roupas infantis e é empurrada para a seção de adolescentes, com roupas bastante provocantes para a idade dela. Preciso garimpar!!!

    Inadequação parece uma constante no que diz respeito à moda, à beleza, aos padrões comerciais enfim.

    O pior é que as roupas não são as únicas a dizerem que estamos todas longe do ideal e alguém deve se beneficiar com isso, já que essa idéia é repetida de forma massiva.

    A padronização pode ser um começo, mas atitudes de educação e resistência a essa pressão podem mudar a cultura de como ser mulher, não achas?

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