Guarde suas metas para si mesmo

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A gente deve contar aos quatro ventos nossos planos ou fazer segredo?

Um update da Rosana Hermann citando Paulo Coelho me fez pensar sobre isso e, como sempre, levei o tema para conversar com os amigos online no Facebook:

Eu sempre fiz a linha da Sara Martinez: evito contar meus planos e sonhos, não por superstição, mas porque às vezes posso mudar de ideia e não quero ninguém me cobrando ou criando expectativas.

E muita gente falou que evita por segurança mesmo.

Mas a Natália Rosin trouxe um viés novo que me agradou: 

“Eu concordo. Em parte. Não porque o mundo pode agourar seu projeto, mas porque quando você conta pra todo mundo sua mente “sente” a mesma satisfação que sentiria concluindo o projeto. Então você antecipa a recompensa e não se sente compelido a realmente fazer aquilo acontecer. Aprendi isso assistindo a palestra do Derek Siver.”

O coach Caio Blumer também reiterou com algumas considerações pessoais o discurso de Siver:

“Eu vi esse TED também e outros estudos mostram isso também, MAS como tudo tem um outro lado, dividir alguns planos com as pessoas certas também ajuda a fazer com que você se comprometa mais em realizar esses planos, pois a sensação de que alguém vai te perguntar “como anda aquele projeto” pode ajudar a se mover mais. Enfim… existe o lado bom e o ruim, depende de como falar, o que falar, pra quem falar.”

 

E Caio tem razão: um desejo sem ação morre vazio.

E para quem ficou curioso com o discurso do Siver, vale ver o video (é curtinho):

Todos, por favor, pensem em seus maiores objetivos pessoais. De verdade. Pensem por um segundo Precisam sentir para aprender. Levem alguns segundos e pensem em seu maior objetivo pessoal. Imaginem que estão decidindo agora mesmo que vão realizá-lo. Imaginem que contarão a alguém hoje o que farão. Imaginem os elogios deles e a boa impressão que terão de vocês. Não é agradável falar disso em voz alta? Não sentem que já estão um passo mais próximos, como se já se tornasse parte da sua identidade?

Pois bem, má notícia: deveriam ter ficado de boca fechada, porque aquele sentimento agradável, torna-o menos propício a realizá-lo. Repetidamente, testes psicológicos provaram que contar a alguém a sua meta torna sua realização menos provável. Sempre que tiverem uma meta, há alguns passos a serem tomados, alguns trabalhos a serem feitos para realizá-la. Idealmente, vocês não ficariam satisfeitos até que tivessem feito o trabalho. Mas quando contam sua meta a alguém, e eles a reconhecem, psicólogos descobriram que isso se chama “realidade social”. É como se a mente fosse iludida a sentir que já está feito. E então, já que sentiram essa satisfação, ficam menos motivados a realizar o trabalho duro real necessário. Isso contradiz a sabedoria convencional de que deveríamos contar nossas metas a nossos amigos para que eles nos mantenham focados.

Então, vamos olhar as evidências. 1926, Kurt Lewin, fundador da psicologia social, chamou isso de “substituição”. 1922, Vera Mahler descobriu, quando algo era reconhecido pelos outros, ele parecia real na mente. 1982, Peter Gollwitzer escreveu um livro inteiro sobre isso, e em 2009, ele realizou alguns novos testes que foram publicados.

Foi assim: 163 pessoas através de quatro testes separados — cada um escreveu sua meta pessoal. Metade anunciou à sala seus compromissos com as metas, e metade não anunciou. E tiveram 45 minutos para fazer um trabalho que os levaria diretamente à realização das metas, mas lhes disseram que poderiam parar a qualquer momento. Aqueles que ficaram com as bocas fechadas trabalharam todos os 45 minutos, em média, e quando lhes perguntaram depois, disseram que sentiam ainda estar longe de atingirem suas metas. Mas aqueles que tinham anunciado desistiram após apenas 33 minutos, em média, e quando lhes perguntaram depois, disseram que se sentiam bem mais próximos de atingir suas metas.

Então, se isso for verdade, o que podemos fazer? Bem, poderíamos resistir à tentação de anunciar nossas metas. Podemos diferir a recompensa que o reconhecimento social proporciona. E podemos entender que nossas mentes confundem o falar com o fazer. Mas se precisarmos mesmo falar sobre alguma coisa, podemos falar de modo que não nos proporcione satisfação, algo como: “Eu quero mesmo correr esta maratona, então preciso treinar cinco vezes por semana, e pode me dar uns tapas se eu não fizer isso, certo?”

Portanto, da próxima vez que quiserem contar suas metas a alguém, o que vão dizer? Exatamente. Muito bem.

Derek-Sivers

Quem é Derek Sivers? O músico, que já palestrou em vários TEDx, criou o CD Baby em 1998 e se tornou um fenômeno de vendas de música online, envolvendo valores na casa de US$ 100 milhões e 150.000 músicos independentes. Em 2008, vendeu a empresa e doou os lucros para fundos de caridade ligados à educação musical. Ele mora em Singapura.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.