cartas para o futuro / destaque

A batalha por Aleppo pode estar terminando, mas a luta pelo futuro da Síria continua indefinida. De fato, ela pode ficar ainda mais caótica e sangrenta.

(Aleppo Residents flee rebel-held areas of the city. Photo by Karam Al-Masri/Getty Images)

(Aleppo Residents flee rebel-held areas of the city. Photo by Karam Al-Masri/Getty Images)

No último ano, Síria, Aleppo e Damasco se tornaram locais frequentes no noticiário e, para os mais conscientes, no cotidiano. Oramos por eles, sofremos por eles, gostaríamos de ajudar.

Reuni aqui uma lista de formas de ajudar, parte do que li no update de Aline e Gabriel, parte do que sites como El País, G1 e Reuters tinham indicado recentemente. A Aline listou várias ações lá no Inspiração Sustentável.

Mas, antes, vale relembrar algumas coisas:

O que é esse conflito, na verdade uma Guerra Civil, que tem expulsado os sírios de seu território?

Um conflito interno em andamento na Síria, que começou como uma série de grandes protestos populares em 26 de janeiro de 2011 e progrediu para uma violenta revolta armada em 15 de março de 2011, influenciados por outros protestos simultâneo:os no mundo árabe. Enquanto a oposição alega estar lutando para destituir o presidente Bashar al-Assad do poder para posteriormente instalar uma nova liderança mais democrática no país, o governo sírio diz estar apenas combatendo “terroristas armados que visam desestabilizar o país”. Com o passar do tempo, a guerra deixou de ser uma simples “luta por poder” e passou também a abranger aspectos de natureza sectária e religiosa, com diversas facções que formam a oposição combatendo tanto o governo quanto umas às outras. Assim, o conflito acabou espalhando-se para a região, atingindo também países como Iraque e o Líbano, atiçando, especialmente, a rivalidade entre xiitas e sunitas.

Você sabe como era a Síria antes disso?

Síria Antes e depois da guerra

A Síria moderna foi estabelecida após a Primeira Guerra Mundial durante um mandato francês (um mandato da Liga das Nações criado após a Primeira Guerra Mundial para partilha do Império Otomano) e era o maior Estado árabe a surgir na região do Levante, que antigamente era dominada pelo Império Otomano.

O Estado moderno abrange os locais de vários reinos e impérios antigos do terceiro milênio a.C. Na era islâmica, a cidade se tornou a sede do Califado Omíada e um capital provincial do Sultanato Mameluco do Egito.

Sua capital, Damasco, está entre as mais antigas cidades continuamente habitadas do mundo.

(sim, é aquele lugar onde o fariseu Paulo de Tarso se converteu ao cristianismo)

O país conquistou a independência como uma república parlamentar em 24 de outubro de 1945, quando a Síria tornou-se membro fundador da Organização das Nações Unidas, um ato que legalmente pôs fim ao antigo domínio francês – embora as tropas francesas não tenham deixado o país até abril de 1946.

O período pós-independência foi tumultuado e vários golpes militares e tentativas de golpe abalaram a nação árabe no período entre 1949 e 1971. Entre 1958 e 1961, a Síria entrou em uma breve união com o Egito, que foi encerrada depois do golpe de Estado de 1961. A República Árabe da Síria surgiu no final de 1961 depois do referendo de 1 de dezembro, mas se tornou cada vez mais instável até que o golpe de Estado de 1963, após o qual o Partido Baath assumiu o seu poder.

A Síria esteve sob uma lei de emergência entre 1963 e 2011, o que efetivamente suspendeu a maioria das proteções constitucionais de seus cidadãos, além de seu sistema de governo ser amplamente considerado como autoritário. Bashar al-Assad é o presidente do país desde 2000 e foi precedido por seu pai, Hafez al-Assad, que governou a Síria entre 1970 e 2000.

Enfim, a Síria foi um local dominado por forças autoritárias e desde que se transformou em um país unificado à força, está sob o domínio de um governo tirano (como o de Tito na Iugoslávia e Castro em Cuba) ao qual o mundo fecha os olhos. 

 

E enfim, como efetivamente podemos ajudar?

Em primeiro lugar: não precisa ser apenas doando dinheiro. Mas também doando, para manter voluntários como os Capacetes Brancos.

the-white-helmets-respond-to-the-aftermath-of-an-airstrike-photo-by-mohamed-al-bakourgetty-images

Capacetes Brancos, grupo de salvamento sírio, que forma a “Defesa Civil Síria”, com voluntários locais que oferecem serviço de resgate, prestando os primeiros socorros aos feridos. Organizações humanitárias, como Médicos Sem Fronteiras (MSF), organizam treinamentos e ensinam os voluntários a fazerem a triagem dos feridos. Os módulos de treinamento abrangem curativos e triagem para os feridos, identificação da gravidade dos ferimentos e determinação de quais pacientes tratar primeiro.

O grupo foi fundado por James Le Mesurier, um ex-oficial do Exército britânico, em 2013. No início, contava com apenas vinte voluntários. Todos os membros do grupo são civis: padeiros, construtores, taxistas, estudantes, professores. Os membros do “Capacetes Brancos” não têm afiliação política, não usam armas e têm como lema ajudar a quem precisa de ajuda, desde civis até membros do exército do presidente Bashar Assad e integrantes de grupos como a mílicia xiita libanesa Hezbollah.

Um trecho do Corão é a máxima dos socorristas:

“Se alguém salvar uma vida, será como se tivesse salvo toda a humanidade”.

Eles perderam Nobel da Paz, mas ganharam outros prêmios (como o Right Livelihood) e espero que ganhem a nossa solidariedade e apoio efetivo – para além de curtidas e compartilhadas.

Vamos ajudar?

The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook

SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline Estatísticas