Sete anos e o ensaio geral da sexualidade

Há um tempo as revistas para mães se tornaram distantes da minha realidade. É estranho dizer isso, mas o fato é que, por focarem demais em temas da puericultura mais inicial – bebês e crianças de até 3 anos – eu, mãe de um garoto de 7 e outro de quase 10, me sinto por fora. E como o tempo da gente é sempre curto, já notei que deixo para lá 2/3 da revista, o que é um desperdício.

Mas eu ainda recebo no e-mail um relatório mensal que conta algo da fase atual do seu filho. E nesta semana o que falava da criança de 7 anos e 4 meses dizia que é a fase do ensaio geral da sexualidade.

Até então o Ken e o Bob, espalhados pela sala depois da brincadeira de casinha, nada mais eram que o marido da mamãe, alguém necessário para a brincadeira, mas com um papel pouco ativo. Quando a garotinha chega aos 7 anos, isso muda. Os companheiros das bonecas ganham uma atuação maior e passam a representar um futuro namorado delas próprias. Isso é muito saudável e acontece porque a menina nessa idade começa a entrar em contato com a sua sexualidade. É como se ela ensaiasse suas primeiras idéias sobre o sexo oposto, exercitando suas expectativas e seus desejos sobre futuros relacionamentos. Mas tudo baseado no que ela vê em casa. A rapidez como essa sexualidade aflora varia. Quando são incentivadas por um cotidiano muito erotizado, as meninas são mais rápidas em passar da brincadeira para atitudes reais, como brincar de beijar na boca. E aí sobra para os meninos, que nessa época estão mais preocupados com as competições e os jogos de futebol, mas são assediados e até aceitam brincar, mais pelo prazer do proibido. Portanto, não se assuste. Tudo não passa de um ensaio saudável e esperado para a idade.

Não tenho meninas e por isso fiquei pensando sobre o tema com certa curiosidade, tentando lembrar de minha segunda infância e de como eu atuava na época. Sempre fui muito ligada no meu pai e ele foi muito presente no meu cotidiano, mais ainda nesta idade, pois minha mãe teve bebê quando fiz  7 anos, o que lhe fez se dedicar mais aos menores (eu tinha também um irmão de 2 anos). Mas, nas minhas brincadeiras de boneca, eu dizia para as minhas filhas que papai está viajando a trabalho ou, simplificando, admitia ser separada! Engraçado porque o divórcio é de 1978 e eu tinha exatamente 7 anos em 1980, o que me faz pensar que ser separada no melhor estilo Malu Mulher devia ser uma coisa que eu ouvia do noticiário. (risos) De certa forma, estar casada ou não era uma forma de ensaiar a vida adulta, não é mesmo?

E os meninos? Aqui em casa, no Giorgio, que tem 7, eu noto que houve uma exacerbação da paixonite por mim. Todo filho se acha meio namoradinho da mãe, é normal, faz parte do tal ensaio geral da sexualidade e é este momento que ele vive. Como ele faz? Elogios à minha aparência, desenhos com corações ( e versinhos de amor puro), vontade estar ao meu lado (ser quem me dá a mão nos passeios, não mais por segurança, mas para se mostrar como meu acompanhante). Acho bonitinho, retribuo o carinho, mas evito dar trela demais. Apesar de considerar este momento natural e importante, não creio que devamos estimular a dependência e a simbiose emocional dos filhos conosco -e, bom lembrar, quando somos casadas, as mães já têm namorado, o papai, né?

Aquela ideia de que eles são para o mundo, filho nasceu para voar e tudo mais tem que estar viva nas nossas mentes o tempo todo. Então, quando ele me diz que sou a mulher mais linda do mundo, eu digo: são seus olhos, filho, olhos de amor. Este amor que você sente por mim você vai sentir pela sua esposa e aí ela será a mulher mais linda do mundo – um dia poderá ser sua filha e assim o amor vai se multiplicando.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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