Sesc Pompéia

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Sempre falo do Sesc Pompéia, pensei que hoje seria uma boa ocasião para eu explicar minha admiração por este espaço. Basta dizer que é o local do famoso projeto arquitetônico desenvolvido pela arquiteta Lina Bo Bardi. Precisa mais? Bom, tem uma história, claro. A arquiteta teria visto uma bela construção de alvenaria e de uso pioneiro de concreto e, no meio disto tudo, estava a bela utilização espontânea deste espaço (antiga Fábrica de Tambores), que nos finais de semana era povoado por famílias com crianças brincando e jovens se divertindo. Bo Bardi então reinventou a velha fábrica (construída a partir de tecnologia importada e sofisticada para sua época), propondo a manutenção do espaço livre dos galpões.

“O diferencial é olhar crítico para a antiga estrutura: as funções seriam reprojetadas e o projeto de tecnologia fabril seria deglutido por um projeto moderno. Em todo caso, os usos populares captados por Lina seriam mantidos e permeados por espelhos d’água, lanchonetes, bibliotecas, obras de arte”.

sesc-pompeia-lina-bo-bardi Chama atenção ao visitante a rua, que se manteve intacta no interior da ex-fábrica e parece levar a cidade para dentro do centro cultural. Aliás, a pavimentação do entorno do Sesc foi motivo de celeuma no ano passado, quando a prefeitura de São Paulo refazia as calçadas no bairro e alterou o paralelepípedo que compunha o local. A população se agitou, reagiu e ouvi dizer que a prefeitura foi obrigada a refazer – ainda não fui lá conferir depois, quem foi, me conte.

A obra tem importância histórica e artigos acadêmicos, como o de Luís Antonio Jorge (tese de doutorado pela FAUUSP), tratando da obra de Lina e seus desdobramentos na arquitetura.

“Este projeto é um acontecimento para a geração nos anos 80, que reconhecia na obra um ponto de inflexão na história da arquitetura contemporânea; dissonante num contexto marcado pela afasia; extravagante, provocativo e delirante onde só se via repetição; poético e criativo, ocupando um vazio de debates e reflexões. A antiga Fábrica de Tambores da Pompéia tornou-se um marco nos debates sobre revitalização no Brasil, a começar pelos cursos de arquitetura. A opção valorativa da revitalização dos edifícios, e o pensamento sobre formas de intervenção, se não chegaram a ser um trabalho onde a grande maioria dos arquitetos estivesse envolvida profissionalmente, tornou-se mais do que um tema oportuno, uma discussão comum nas escolas de arquitetura, sobretudo nos temas de Trabalhos Finais de Graduação.”

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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