relacionamentos

Esta pergunta do título me veio à mente no último feriado, no qual aproveitamos para pintar o quarto dos meninos, o que nos fez mexer em muitas coisas guardadas para poder esvaziar o cômodo e repensar na disposição dos móveis por lá. Reunimos tudo no quarto que sobrou (e que ficará para a bebê) e ao ver a quantidade de coisas que juntamos lá me assustei!

Eis que começo a semana lendo o excelente levantamento que Elenara (@arqsteinleitao) fez no blog Arquitetando Ideias sobre o Colecionismo (em inglês Hoarding), uma doença que leva as pessoas a comprarem ou guardarem coisas que não usam e das quais nem precisam. Este assunto tinha sido tema de trocas de mensagens nossas, começando pela lembrança de experiências familiares nas quais detectamos parte desta “mania”.

Os japoneses são guardadores compulsivos. Lá aprendi um ditado que repete o “quem guarda tem”, que meu sogro, descendente de portugueses, também aplica na vida real. Diz-se que “Antes de jogar fora uma coisa sem uso, guarde-a por 10 anos. Depois repense e guarde por mais 5 anos antes de jogar fora”.

Aprendi a me questionar sobre o que guardava sem uso ou sem motivos exatamente quando me mudei de volta do Japão para o Brasil. Ao rever minhas caixas de coleções de cartões postais e de cartas trocadas desde a infância (fui uma daquelas ligadas nos “penpals” pelo mundo afora e treinei muito inglês e francês antes de ter internet e redes sociais para me aproximar das pessoas) eu percebi que as deixara guardadas sem razão. As boas lembranças estavam no meu coração, tinham ido e voltado comigo na mudança para o extremo oriente e nada me tiraria os sentimentos. Mas os objetos eram realmente obsoletos. Com o tempo me desfiz de quase tudo, inclusive livros e CDs, mas hoje já tenho mais caixas e caixas de coisas para triar e doar. Estas atividades eu tento realizar periodicamente, a cada mudança de estação. Mantenho meu guarda-roupas com apenas 3 portas para me forçar a deixar lá apenas o que eu uso e estou decidida a reduzir as estantes de livros em casa, fazendo uma grande doação neste final de ano.

No post, Elenara cita dois casos que eu não conhecia. Um virou exposição com tudo que foi encontrado em uma casa de quem sofria desse problema e que mostra que para a pessoa acumuladora compulsiva os objetos tem valor, ela necessita deles e há várias explicações (carência, pais rígidos, privação em alguma época da vida) para esta relação. A instalação “Waste not” encheu uma área do Museu de arte moderna de Nova York (MoMA) com objetos colecionados por uma chinesa – como eu disse, os orientais tem certa experiência nisso!

Com o post dela conheci também o caso dos Irmãos Collyer, que foram encontrados mortos no meio de montanhas de objetos, um deles esmagado pelos guardados e que iniciaram os estudos formais sobre este transtorno. A grande mensagem que tiramos disso é de que é bom ficar atento aos sintomas para alertar a si mesmo ou a outros que possam vir a desenvolver a patologia.

Vejam abaixo alguns comportamentos que podem indicar uma predisposição para ser um acumulador compulsivo:

  • Incapacidade de jogar fora objetos
  • Muita ansiedade ao tentar descartar itens
  • Dificuldade de organização desses objetos (o que difere do colecionador)
  • Não saber onde colocar ou que manter
  • Sentir vergonha ou angústia por manter esses objetos
  • Suspeitar de que outras pessoas estejam manipulando seus objetos
  • Pensamentos obsessivos e ações: o medo de ficar sem um item ou de precisar dele no futuro
  • Verificar o lixo para procurar objetos descartados acidentalmente
  • Deficiências funcionais, incluindo a perda de espaço de vida, o isolamento social, a família ou a discórdia conjugal, dificuldades financeiras, problemas de saúde

Irmãos Collyer / Collyer Brothers from Alfeu França on Vimeo.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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